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Este é um mito em duas partes, ambas tão intimamente ligadas que só poderão ser tratadas em conjunto.

 

É-nos dito que Atena inventou o aulo, uma espécie de flauta dupla, mas que rapidamente ficou descontente com a forma como tocar esta invenção inchava as suas bochechas, o que - segundo algumas versões - também a tornava motivo de chacota entre os deuses. Assim, descartou o instrumento, que rapidamente foi apanhado por Marsias, um sátiro.

 

Mais tarde, Marsias usou este mesmo instrumento para desafiar Apolo para um concurso de música. Como é comum nesses desafios, o deus conseguiu derrotar o seu opositor. Depois, castigou-o, prendendo-o a uma árvore e arrancando-lhe a pele ou os membros, dando o sangue desta figura o nome a um curso de água próximo.

 Apolo e Marsias

Não é totalmente claro o porquê específico desta horrenda vingança por parte do deus, mas quase todas as versões do episódio mencionam-na, deixando claro que era um elemento muito famoso do mito. Outras versões dizem, por exemplo, que um dos juízes do concurso foi o Rei Midas, levando-o a obter as famosas orelhas de burro, mas o cerne estático do episódio é como descrito acima, com alguns autores a adicionarem diversos elementos à história.

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Uma das mais invulgares histórias do Cristianismo é a de como Maria, mãe de Jesus, se manteve perpetuamente virgem, ao ter concebido o mais famoso dos seus filhos sem qualquer espécie de pecado. Mas, assumindo a veracidade completa do texto bíblico, será que isso aconteceu mesmo?

 

A resposta é bem mais simples do que séculos de história e de pesquisa nos possam fazer crer. Quando Maria concebeu Jesus, era suposto que isso cumprisse uma profecia apresentada no Antigo Testamento relativa a uma עלמה, "almah". Essa profecia, apresentada em Isaías 7:14, dizia algo como "uma almah conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu filho Emanuel". Mas o que significa essa palavra? Não é, como se poderia pensar, uma virgem, mas tão e somente uma jovem capaz de conceber um filho. Mais tarde, quando o mesmo Antigo Testamento foi traduzido para Grego (e subsequentemente para Latim, etc), essa palavra foi traduzida como parthenos, que significa, efectivamente, "virgem".

 

Não sabemos porque terá ocorrido este erro, mas a verdade é que a palavra original nada inferia sobre as experiências sexuais da jovem Maria, o que nos transporta para três questões - primeiro, era Maria virgem aquando do nascimento de Jesus? Segundo, depois desse nascimento Maria teve alguma experiência sexual com José? Terceiro, e último, será que Jesus teve irmãos?

 

Sobre a primeira, nada de conclusivo sabemos. Se Jesus foi concebido "sem pecado" (ou seja, sem a existência de uma relação sexual) é meramente uma questão de fé. Difícil seria, no entanto, é que Jesus saísse do ventre de Maria sem romper o hímen da mesma. Claro que se poderia dizer, e bem, que a mera destruição de um hímen não implica a perda de virgindade, e daí a questão seguinte.

De um ponto de vista exclusivamente humano, faria todo o sentido que José, sendo casado com uma mulher e independentemente da idade de ambos, quisesse ter relações sexuais com ela - o Antigo Testamento parece em nada se opôr a isso, pelo menos entre os membros de um casal. Mas, se isso acabou por acontecer ou não, é algo que também não podemos saber.

O que nos leva ao terceiro ponto, sobre se Maria teve outros filhos após Jesus. E a mais pura verdade é que não sabemos! Se o texto até refere irmãos e irmãs de Jesus, nunca é muito claro sobre se se tratam de filhos de José (mas não de Maria, fazendo-os meio-irmãos de Cristo), se foram gerados por este casal, ou até se são apenas irmãos num sentido mais metafórico, da forma que tendemos a chamar "irmão" àqueles por quem temos uma grande afinidade. O que sabemos, sem qualquer dúvida, é que Maria nunca teve qualquer outro filho de Deus (ou do Espírito Santo) - Jesus era único!

 

Claro que estas respostas nos podem parecer muito pouco satisfatórias, mas também são as únicas respostas que podemos inferir através do próprio texto bíblico. Tudo o resto é especulação ou fruto de uma tradição que foi sendo desenvolvida ao longo dos séculos.

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São Valentim

Esta pequena brincadeira, que nos remete de volta para o dia de São Valentim da semana passada, deve lembrar-nos de uma forma, muitas vezes até irónica, como as religiões evoluem. Isidoro de Sevilha, um exemplo avassalador, é considerado o santo padroeiro dos estudantes (o que é aceitável e fácil de justificar), mas também da internet, numa altura em que nem sequer se imaginaria o que isso viria a ser. Como é então feita a associação de antigos santos a novas coisas? Não sabemos, mas há que admitir que o processo, em muitos casos, gera ligações tão estranhas como estas.

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Recentemente, alguém procurou neste espaço informação sobre uma possível "ninfa do fogo". Não existe nenhuma, que se saiba; as ninfas, no seu geral, estão associadas a determinados espaços naturais, como rios ou árvores, mas em relação ao fogo, em si, este é considerado como uma entidade totalmente distinta, que não era habitada por qualquer divindade. Até existem deuses associados ao fogo - Hefesto, por exemplo - mas nenhum deles é considerado como a própria representação do fogo, enquanto elemento natural.

 

Então, porque foi feita esta pergunta? Muitas poderão até ser as razões, mas uma das mais óbvias prende-se com o facto de diversos jogos de computador terem como personagens "ninfas do fogo", entre variadíssimas outras criaturas mitológicas. Porém, essas figuras não advêm dos mitos antigos, tratando-se de simples readaptações de figuras já conhecidas a novos contextos. Entre muitas outras, figuras como Cérbero, as Erínias, a Medusa, a Quimera, também tendem a surgir nesses jogos, em formas nem sempre consistentes com as dos antigos mitos.

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O mito de Acteon

17.02.17

Os elementos mais básicos do mito de Acteon são bastante variáveis, mas todos eles concluem com um elemento crucial - tratando-se de um caçador exímio, fez algo para ofender a deusa Artémis. Se se considerou melhor caçador que ela, se a viu nua no banho, ou se algo de diferente teve lugar depende de autor para autor. Sabemos é que em todas as versões Acteon é depois transformado em veado, acabando por ser atacado pelos próprios cães que antes usava no seu ofício.

 

fonte

 

É esse derradeiro momento do mito que mais caracteriza esta figura e que o tornou conhecido na arte ocidental. É, como na imagem acima, muitas vezes representado em pleno castigo, com a deusa da caça ainda visível, mas num momento em que a figura humana e a de um cervo já dificilmente se separam. É, como muitos outros heróis, um bom exemplo do que sucedia aos seres humanos quando ultrapassavam os seus limites, levando, como sempre, a um castigo divino.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.


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