Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Dizem-nos as histórias que num dado dia a viajante Sibila de Cumas se encontrou na corte de Tarquínio, o último rei de Roma. Dos nove livros que tinha em sua posse, ofereceu-os ao monarca por uma soma avultada (curiosamente, a história não nos preserva quão elevada seria...), mas este rejeitou comprá-los. Então, a Sibila atirou três deles para o fogo e propôs que Tarquínio comprasse os seis restantes ao mesmíssimo preço. Pela segunda vez o monarca rejeitou essa proposta, e pela segunda vez a viajante destruiu três dos volumes que tinha em sua posse. Finalmente, a desconhecida ofereceu os três últimos livros pelo preço original. Inesperadamente, Tarquínio acabaria então por comprá-los - são os Livros Sibilinos, famosos da cultura e religião romana - enquanto que essa Sibilia desapareceu misteriosamente, para nunca mais ser vista pelos homens.

 

Muito se poderia escrever relativamente a este pequeno mito, mas os seus mistérios são maiores do que a informação que ele nos revela. Está envolto na neblina dos tempos, surgindo numa espécie de vácuo histórico e mitológico cujos contornos estão aqui representados. Seja quem tiver sido essa Sibila, os livros que supostamente vendeu a Tarquínio acabaram por se tornar de extrema importância na religião romana, mas também foram perdidos nos primeiros séculos da nossa era, fruto de dois incêndios.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Já todos ouvimos falar das proverbiais "lágrimas de crocodilo", mas a que se deve essa expressão?

Segundo diversos autores da Antiguidade o crocodilo chorava por uma determinada razão. Alguns diziam que o fazia para atrair uma presa que depois atacava e devorava. Outros, mais particularmente os autores cristãos, diziam que o mesmo animal o fazia pelo arrependimento dos seus actos - mas tenha-se também em atenção que, como um falso arrependido, nunca mudava o seu comportamento. Qualquer que tenha sido a razão por detrás de esse suposto choro, os mais variados autores eram horizontais na ideia de que não era um choro sincero. E é precisamente daí que vem a expressão - as lágrimas do animal eram dissimuladas, sendo por isso ainda hoje símbolo de um falso arrependimento.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Muitas são as referências aos Ciclopes, enquanto figuras mitológicas, na literatura da Antiguidade, mas a mais famosa de todas elas é indubitavelmente aquela que ocorre na Odisseia de Homero. O episódio de como o herói Ulisses o cegou (momento que até pode ser visto na imagem acima) é sobejamente conhecido, bem como a forma brutal como Polifemo e os seus companheiros ciclopes conduziam a sua vida.

De onde vem então a expressão "à maneira dos Ciclopes"? Se esta expressão já não é utlizada nos nossos dias, remetia-nos para a ideia de uma vida desregrada, "bárbara" no sentido grego da palavra, contrária às regras da civilização, como aquela do ciclope de Homero, que comia seres humanos e bebia muitas vezes em excesso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Que a expressão "lana caprina" significa algo de pouca importância já muitos certamente saberão (não sabiam? Podem ver, por exemplo, este artigo), mas qual a origem do provérbio? Erasmo de Roterdão diz-nos que terá nascido de uma disputa entre duas pessoas que, acerrimamente, discutiam se uma cabra estava coberta de lã ou pêlo - um tema de pouca importância, como facilmente nos podemos aperceber. O autor, infelizmente, não nos diz que fonte utilizou para obter essa informação, mas a expressão já era motivo de alusão numa das epístolas de Horácio, sendo provável que fosse bem mais conhecida entre os estratos mais baixos da população da altura.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O "Corno da Abundância", também conhecido como cornucópia, está frequentemente associado ao deus-rio Aqueloo, que Hércules defrontou em combate. Como pode ser visto na parte inferior da imagem acima, o herói até partiu um dos cornos do deus quando este assumiu a forma de um bovino. Mas depois o mito torna-se um pouco invulgar - para obter o seu corno de volta, o deus trocou-o pelo Corno de Amalteia, símbolo da cabra/deusa que tinha amamentado um jovem Zeus. Em seguida, o herói entregou esse segundo corno ás Náiades, que o transformaram na chamada "cornucópia" (note-se que, etimologicamente, esta era uma "cópia do corno" da deusa). Desconhece-se o porquê da necessidade dessas trocas e cópias, mas é possível que se tenham devido a uma sintetização de diversos mitos antigos. Posteriormente, essa cornucópia acabou por ir parar ao mundo dos mortos, em que o deus Pluto a passou a carregar como o seu símbolo de abundância.

Mas porque usamos, então, a expressão "cornucópia"? Em Portugal ela parece ser utilizada para designar locais em que existe uma abundância de alguma coisa. Por exemplo, o bolo que partilha este nome costuma ter um interior repleto de alguma espécie de creme.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
Licença Creative Commons



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog