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 Apesar de estar em inglês, este pequeno desenho captura bem a ideia da história da religião até aos nossos dias.

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O mito de Io

18.08.17

Originalmente uma sacerdotisa de Hera, Io acabou por se tornar uma das mais famosas amantes de Zeus. Se, inicialmente e como tantas outras mulheres, parece ter rejeitado os avanços amorosos do deus, acabou por sucumbir ao amor deste. Todas as versões do mito apresentam estes elementos basilares, mas depois a trama do mito complica-se um pouco.

 

Por uma qualquer razão (seja pela intenção de Zeus em ocultar Io, ou de Hera em puni-la), esta figura foi transformada numa vaca, sendo posta sob a guarda de Argos. Posteriormente, o rei dos deuses do Olimpo enviou Hermes para libertar Io - a versão mais famosa do episódio, constante na obra de Ovídio, diz-nos que este deus adormeceu Argos contando-lhe histórias, cortando-lhe o pescoço após ter adormecido os seus muitos olhos. Após este episódio Hera enviou um moscardo que, noite e dia, incomodava a bovina Io; tentando escapar dele, a heroína passou da Grécia para o Egipto (nessa passagem dando o nome ao Bósforo) e acabou por voltar à forma humana, tendo filhos de Zeus e casando com um rei do Egipto.

 

Este mito é um bom exemplo das atribuladas vidas que tiveram as mortais que se envolveram amorosamente com os deuses gregos.Casos como os de Alcmena e Europa são disso um igualmente bom exemplo. Dados os justificáveis cíumes de Hera e a diferença de estatutos entre os amantes, estas eram relações que nunca poderiam correr bem.

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No segundo livro da sua obra Contra as Heresias, Santo Ireneu diz que Jesus só morreu após ter passado os 50 anos. É uma sequência um pouco invulgar, mas essencialmente o autor argumenta contra a ideia de que Jesus foi baptizado aos 30 anos e só pregou durante um máximo de 12 meses. Depois, diz o seguinte, aqui adaptado para português:

 

Jesus passou por todas as idades, sendo um bebé para os bebés, assim os santificando; uma criança para as crianças, assim santificando os que são dessa idade (...), um jovem para os jovens, tornando-se um exemplo para eles (...); um velho para para os velhos, para que Ele pudesse ser um Mestre perfeito para todos, não apenas ao apresentar a verdade, mas também em relação à idade, santificando ao mesmo tempo os idosos e sendo também para eles um exemplo.

(...) Agora, o primeiro estádio da vida é de trinta anos, e prolonga-se até ao quadragésimo ano, como todos admitem; mas do quadragésimo e do quinquagésimo ano um homem começa a declinar até à velhice, que o nosso Senhor possuía quando ainda ensinava, como o Evangelho e os mais velhos testemunham; aqueles que falaram na Ásia com João, o discípulo do Senhor, afirmaram que ele lhes deu essa informação. E ele ficou entre eles até aos tempos de Trajano. Além disso, alguns deles viram não só João mas também outros apóstolos, e ouviram a mesma história deles, e testemunham em relação a esta informação.

 

O que fazer destas linhas? Estaria Santo Ireneu enganado neste ponto particular, mas correcto em relação a muitos outros? Fica, como muitas outras vezes, a questão.

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Em diversos países europeus os nomes dos dias da semana remetem directamente para divindades pagãs locais. Isso não acontece em Portugal ("segunda-feira", ..., "sexta-feira", "sábado","domingo"), pelo que achámos que poderíamos explicar sucintamente o porquê.

 

No século VI da nossa era S. Martinho de Dume (também conhecido por Martinho de Braga) escreveu uma epístola Da Correcção dos Rústicos, em que instava os leitores a abandonarem os erros da cultura pagã. Segundo ele, se eram muitas as pessoas que já se tinham convertido ao Cristianismo, estas também continuavam ainda a aderir a diversos costumes pagãos, como celebrar os dias da semana associados aos vários deuses ou depositar pequenas pedras em altares a Mercúrio. O título da epístola vem, naturalmente, da necessidade cada vez maior em "corrigir" esses antigos costumes, que o autor insere num contexto religioso e descreve de forma breve.

 

Não sabemos que efeito real terão tido as palavras de S. Martinho, mas há que frisar que ele não propõe qualquer solução real para o problema, apenas dizendo que os dias deveriam ser dedicados a Deus. No entanto, certamente que poderá ter influenciado a busca por essa solução, já que menos de 100 anos após a escrita das suas linhas surge-nos a primeira referência a uma "segunda-feira", que ainda hoje pode ser vista na Igreja de S. Vicente, em Braga - a mesma cidade associada ao santo. Estaria essa nova designação já em uso no seu tempo? Até é possível que sim, mas não temos provas directas que o atestem com uma total certeza.

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O mito grego de Pirra e Deucalião é particularmente famoso por conter a referência a um dilúvio semelhante aos de histórias como as de Gilgamesh e Noé. No seu cerne conta-nos que Zeus, cansado dos constantes erros da humanidade, decidiu destruir tudo o que existia por meio de uma enorme cheia, poupando exclusivamente o casal constituído por Deucalião e Pirra em virtude da sua devoção religiosa. Depois dessa destruição os animais foram (magicamente?) recriados da própria terra, enquanto que os seres humanos tornaram a nascer de pedras lançadas pelo casal - as atiradas por Deucalião criaram novos homens, enquanto que as atiradas por Pirra geraram novas mulheres.

 

Estes são os elementos básicos do mito, mas é curioso que as fontes que o recontam adicionam, aqui e ali, outras informações, como a possibilidade do casal também ter levado alguns animais consigo, ou ter escapado num enorme barco, fazendo com que a história se assemelhe ainda mais ao nosso famoso dilúvio de Noé.

 

Face às semelhanças dessas diversas histórias, somos sempre levados a perguntar se teriam alguma fonte comum. Será que existiu, em tempos muito antigos, um dilúvio de proporções quase inimagináveis, depois preservado pelas diversas culturas nas suas histórias particulares? Muitas são as evidências de que isso até possa ter acontecido, mas não podemos ter a certeza absoluta. Pelo sim, pelo não, mais vale termos algum cuidado com os efeitos do aquecimento global...

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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