Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
"Peri Apiston", de Palaefato

De entre os livros que por cá foram referidos ultimamente, este será provavelmente aquele que mais tem a ver com a mitologia grega. Palaefato apresenta-nos um vasto conjunto de figuras mitológicas, resume a história em que se incluem e, depois de um momento um tanto ou quanto interrogatório (e, diga-se, extremamente divertido), tenta explicar-nos o que se passou realmente, e que deu origem ao mito. Trata-se, então, de uma obra que tenta racionalizar os mitos gregos, propondo versões mais reais para a existência de criaturas como a Hidra, Pégaso, a Esfinge ou Cérbero, entre muitas outras.

 

Infelizmente, a versão que nos chega hoje está corrompida, e pelo menos dois dos 45 mitos tratados não estão completos. Outros não nos apresentam qualquer explicação (será que se perdeu?), e alguns têm até explicações que, para os leitores de hoje, não fazem muito sentido; prendem-se com o sentido das palavras, ou dos nomes e características, dadas a algumas figuras.

 

Agora, visto que esta não é uma obra propriamente fácil de encontrar, achei que seria interessante mencionar a explicação dada a alguns mitos, na mesma ordem em que aparecem na obra de Palaefato, e com o mesmo título. Por motivos de tempo e espaço, não irei apresentar o resumo de cada um dos mitos, mas eventualmente todos eles serão tratados por cá.

 

Centauros - jovens a cavalo que mataram um bando de touros enfurecidos, usando arco e flechas.

 

Pasiphae - mais do que amada por um touro, esta tinha um amante, que Minos depois enviou para as montanhas.

 

Acteon - amava a caça, ao ponto de negligenciar as tarefas domésticas, pelo que "foi devorado pelos cães", em sentido metafórico.

 

As éguas antropófagas de Diomedes - Diomedes gostava tanto das suas éguas, cuidava delas e alimentava-as tão bem, que acabou por "ser comido" (em sentido metafórico), levado à pobreza.

 

Os gigantes saídos da terra (criaturas resultantes dos dentes de dragão plantados por Cadmo) - Cadmo matou o rei de Tebas (de seu nome Dracon) e apoderou-se dos dentes de elefante que este possuía. Isto causou múltiplos ataques à cidade de Tebas, por parte dos filhos de Dracon, que pretendiam recuperar o que lhes pertencia.

 

Esfinge - Cadmo casou com uma amazona chamada Esfinge. Após a conquista da cidade de Tebas, casou também com uma irmã de Draco. Esfinge saiu da cidade, juntamente com vários homens, alguns tesouros da cidade e o cão de Cadmo, e foi viver numa montanha, antes de declarar guerra a Cadmo. Quando os cidadãos saíam da cidade, eram apanhados em embuscadas, até que Cadmo fixou uma recompensa para quem matasse Esfinge, o que foi finalmente feito por Édipo.

 

Raposa da Teuméssia - Alopex (raposa, em grego) foi expulso da cidade de Tebas, e passou a viver numa colina chamada Teuméssia. Por vezes, pilhava os habitantes, juntamente com mercenários, apenas para mais tarde voltar a essa mesma colina. Eventualmente, foram mortos por um ateniano chamado Céfalo.

 

Niobe - após a morte dos filhos, Niobe mandou fazer uma estátua com a sua figura, que foi colocada no mesmo local que os filhos.

 

Linceu - a sua visão apurada devia-se a uma torcha, que usava para ver o interior da mina onde trabalhava.

 

Ceneu - após ter participado em diversas batalhas, sem nunca ser ferido, foi encontrado morto, mas sem qualquer ferida. Assim, ganhou a reputação de ser invulnerável.

 

Cicno - visto nunca ter sido ferido, ganhou também a reputação de ser invulnerável.

 

Dédalo e Ícaro - escaparam de uma prisão e fugiram num barco. Depois, "voaram" utilizando a força do vento, que batia nas velas do barco. Surgiu uma tempestade, o barco virou-se, e Dédalo salvou-se, mas não o seu filho.

 

Hipomene e Atalanta - foram ambos devorados por leões.

 

Calisto - também ela foi devorada por um urso.

 

Europa - um homem chamada Taurus desposou esta princesa da Fenícia.

 

Cavalo de Tróia, e conquista da cidade - os gregos fizeram um cavalo de madeira tão grande que não poderia entrar na cidade de Tróia. Então, quando os troianos deitaram a sua muralha a baixo, de forma a possibilitar a entrada do singular presente, os gregos simplesmente invadiram a cidade.

 

Éolo - um astrónomo, de seu nome Éolo, é que ensinou a Ulisses a forma como usar os ventos para se dirigir onde desejasse.

 

Hespérides - Hesperus tinha duas filhas, e possuía também maçãs tão belas e fecundas que ganharam a reputação de serem "de ouro". Hércules viu ambas as irmãs na costa e raptou-as, juntamente que o homem que as guardava, Dracon.

 

Coto e Briareu - vivam ambos de uma aldeia denominada "das cem mãos".

 

Cila - mais do que uma mulher, tratava-se de uma embarcação que atacava os navios que por lá passavam.

 

Dédalo - ao ter feito estátuas com pés, pode-se dizer que estas "andavam".

 

Fineu - após ter perdido todos os filhos, estava a ser arruinado pelas suas filhas.

 

Mestra (filha de Erisictão) - vários homens, ao estarem apaixonados por Mestra, deram a seu pai todo o tipo de presentes. Desta forma, e num sentido metafório, Mestra transformava-se nessas prendas.

 

Glauco (filho de Sísifo) - tal como sucedeu com Diomedes, a sua paixão pelos cavalos acabou por levá-lo à ruína.

 

Glauco (filho de Minos) - após comer demasiado mel, este Glauco ficou num estado de letargia. Eventualmente, foi-lhe dada uma erva que curou esse estado, mais que o trazer de volta à vida.

 

Glauco (divindade marinha) - devido à sua habilidade para a pesca, foi considerado até como um ser do mar. Após ter desaparecido no mar, os habitantes da aldeia onde viva pensaram que se tinha tornado numa divindade marinha, mas há um interessante aspecto a ter em conta - o autor refere que este Glauco foi comido por um monstro marinho.

 

Belerofonte - possuía uma pequena embarcação, à qual deu o nome de Pégaso. Quanto à Quimera, tratava-se de um vulcão, em redor do qual viviam um leão e um dragão, ambos derrotados pelo herói.

 

Pélope - possuía uma embarcação na qual estavam representados cavalos alados.

 

As filhas de Fórcis - quando Fórcis morreu, deixou às três filhas uma estátua. Depois, esta foi partilhada entre três ilhas (uma de cada irmã), até que Perseu a capturou.

 

As Amazonas - mais do que mulheres, eram homens bárbaros, que usavam vestidos.

 

Orfeu - mais do que mover as coisas com a sua música, era seguido por pessoas que as transportavam.

 

Pandora - visto que se maquilhava demasiado, deixando algum pó fora do lugar, as pessoas pensavam que era feita de terra.

 

Ceto - rei ao qual era devido um imposto anual de bois, mulheres, etc.

 

Hidra - nome de um forte que pertencia ao rei Lerno, no qual existiam dois homens para cada vigia (quando um era derrotado, um outro entrava para o seu posto). Com algum auxílio, Hércules invadiu a sua torre, e conquistou-o.

 

Cérbero - nome dos dois cães (Cerbere e Oros, na versão original) que guardavam o gado de Gerion, e cuja aldeia à qual se dava o nome de "três cabeças". Após ter vencido Gerion e Oros, Hércules foi seguido por Cerbere; contudo, visto que um homem queria ter Cerbere, pelo que seguiu Hércules até uma caverna (onde, segundo o mito, o herói desceu até aos infernos), onde pôde recuperar o cão.

 

Zeto e Anfião - pelo prazer de os ouvirem tocar lira, as pessoas iam trabalhar nas muralhas da cidade.

 

Io - filha de um rei de Argos, que fora escolhida para sacerdotisa de Juno. Por não aceitar essa decisão, tentou fugir da cidade, mas foi capturada e amarrada a uma vaca enfurecida, que a levou até ao Egipto.

 

Medeia - inventora de diversas curas (entre elas uma erva que disfarçava os cabelos brancos), dos banhos quentes, etc.

 

Ônfale - mulher que, enamorada pelos feitos de Hércules, o decidiu procurar. Quando o encontrou, Hércules ficou tão apaixonado por ela que não tinha em mente mais que o prazer da sua amada, e uma tal servitude amorosa levou à ideia referida no mito.

 

Corno de Amalteia - este era um corno em que Amalteia (uma simples mulher) guardava as suas riquezas, e que foi roubado por Hércules.

 

 

 

Note-se que estes resumos simplistas não fazem juz à beleza, ou carácter quase infantil, de toda a obra. Por exemplo, aquando de uma referência à troca do velo de ouro por uma princesa, o autor comenta, de forma jocosa, o antigo valor da lã, e compara-o com o valor da princesa, dizendo algo como "das duas uma, ou a lã era muito rara naquela altura, ou então o rei não tinha muito apreço pela filha".

Para referir um outro exemplo, o autor relega Ceto (um monstro marinho) para simples figura de um rei a quem eram pagos impostos anuais, mas refere que Glauco foi comido por um outro monstro marinho. Esta é uma oposição de ideias que nos leva a repensar parte da obra, e a tentar compreender se, afinal, todos os monstros da mitologia grega eram meras figuras ficcionais, usadas somente por poetas, ou se também eram consideradas como reais, em dadas condições. Uma questão interessante,

 

Esta obra, apesar de pequena, é bastante interessante, e ao tratar a mitologia grega de uma forma menos frequente (se bem que similar à ao tratamento dado neste mesmo blog), também acaba por ser interessante para o público em geral, bem como para todos aqueles que pretendem aprofundar o seu conhecimento dos mitos gregos, vistos aqui de um prisma um pouco diferente.




Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
"Metamorphoses", de Ovídio

Muitas obras de Ovídio já por cá foram referidas (veja-se o seguinte link), mas desta vez escrevo sobre aquela que é provavelmente uma das mais importantes obras deste autor (eu não concordo totalmente, mas visto que são muitos os autores que tecem essa consideração, terei de o aceitar), as "Metamorphoses". Quem não conhecer a obra, e como já foi referido anteriormente, pode lê-la, gratuitamente e em inglês, neste link.

 

Como o nome da obra deixa antever, o principal tema por aqui tratado são as metamorfoses, transformações estas que são relativamente frequentes na mitologia grega. Sobre esse tema, já por cá foi falado de forma básica (veja-se este link), mas uma abordagem assim tão simplista não consegue capturar a real beleza da obra. Mais do que se cingir a um simples compêndio de mitos - algo tão popular nos dias de hoje - os XV livros desta obra apresentam-nos os mais diversos mitos de uma forma sequencial, quase narrativa, que apesar de ser por vezes difícil de seguir, é também extremamente interessante.

 

Veja-se então um exemplo: no livro V passa-se um pequeno concurso de poesia, como que uma querela poética entre as Pierides e as Musas. Este concurso serve de pano de fundo para o autor nos contar parte da batalha contra Tífon, nos relatar o rapto de Perséfone, entre outros eventos. Mais tarde, no livro X, o próprio Orfeu conta-nos muitos outros mitos, como o de Pigmalião e de Adónis.

 

Estas transições de mito para mito são quase imperceptíveis, ao ponto de alguns mitos se chegarem a confundir com outros, e não ser que se conheçam todas as histórias, por vezes chega até a ser difícil compreender o que faz realmente parte do mito e o que é não mais que um artifício poético, usado de forma a conectar relatos totalmente distintos.

 

São mais de 50 os mitos referidos nesta obra, seja de forma parcial (como é feita a menção aos trabalhos de Hércules) ou no seu todo, o que a torna interessante para quem estiver interessado em mitologia, mas convém ter algum cuidado a escolher uma cópia da obra. A versão a que tive acesso, uma tradução em rima, é inegavelmente bela, mas também dificulta bastante a leitura, e seria um pesado fardo para todos aqueles que pretendem somente ler a obra pelo saber que contém. Assim, é realmente importante ter em conta, das múltiplas edições que existem no mercado, qual delas melhor se adapta ao uso que se pretende fazer desta obra.

 

Para terminar, importa ainda fazer uma menção aos momentos finais desta obra. No último livro, o autor refere algumas ideias de Pitágoras, como que a tentar justificar a possibilidade real de todas as transformações, e refere até algumas razões pelas quais não se deveriam comer animais. Neste contexto, o filósofo grego poderia então ser considerado como um ser quase etéreo, suspenso no tempo e cujos ensinamentos são quase divinos, mas... a meu ver, esse momento de monólogo tende a destoar do resto da obra, mais do que os episódios relativos a Esculápio (ou as menções ao poder e glória de César) que se lhe seguem. É, ainda assim, uma obra importante no estudo dos mitos gregos, quanto mais não seja para que se possam aprofundar estudos entre as diversas versões de dados mitos.



Publicado por MiA às 18:12
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
"Naturalis Historia", de Plínio o Velho

Finalmente, consegui adquirir uma cópia desta obra. É certamente mais séria que a obra de Cláudio Eliano anteriormente por cá mencionada, e posso dizer que, em termos gerais, não tem tanto interesse (ou piada) para o leitor comum como a anterior. Do ponto de vista cultural, isso sim, é uma obra bastante interessante, uma vasta enciclopédia que nos permite compreender vários aspectos da cultura antiga.

 

O autor, Plínio o o Velho (tio de Plínio o Jovem), começa por falar de características terrenas, prosseguindo para temas como geografia, biologia, metais, pedras preciosas, entre muitos outros. De notar que todos os temas se encontram organizados de uma forma lógica, quase como uma narrativa, em que cada capítulo tende a entrelaçar-se no seguinte através da relação entre os temas. Para mencionar, por exemplo, o início do VIII livro, o autor começa por falar dos animais da terra, dos quais destaca o elefante; depois, nos capítulos seguintes, refere algumas informações relativas a este animal e suas características - quando foi visto pela primeira vez em Itália, como treiná-los, a importância do marfim, as diferentes especíes de elefantes, etc. Tudo bastante arrumado, de fácil pesquisa, quase como as enciclopédias a que temos acesso nos dias de hoje. Desta forma, é extremamente fácil pegar numa cópia da obra e encontrar, de forma rápida, exactamente aquilo que procuramos. Claro que encontrar o que procuramos nem sempre é assim tão directo como seria de supôr - relativamente ao elefante, as referências a este extendem-se por vários capítulos - mas pelo menos existe uma forma, se bem que rude e básica, de se encontrar mais facilmente o que procuramos.

 

Agora, em relação aos mitos, existem também aqui algum cepticismo. Veja-se, por exemplo, parte do capítulo  LXX do livro X:

O pássaro pégaso, com cabeça de cavalo, e o grifo com orelhas e o bico em forma de gancho (...) eu julgo servem fabulosos. (...) Também as sereias não merecem o nosso crédito (...) Quem acreditar neste género de coisa também não negará que as serpentes, ao lamberem  as orelhas de Melampo, lhe deram o poder de entender a língua dos pássaros.

 

Ainda assim, é importante mencionar que este cepticismo é somente aparente, e não absoluto. O autor também fala de criaturas como o basilisco, refere a transexualidade das hienas, volta ao tema dos pássaros que adoram tudo o que é grego, refere os amores de golfinhos por vários jovens, e outros temas que, para nós, poderão parecer mera fantasia, mas que naquela altura eram considerados como reais.

 

Para terminar, importa então mencionar que esta é uma obra imprescindível para todos aqueles que pretendam compreender melhor alguns elementos da cultura romana no século I d.C.. Contudo, posso também afirmar que é uma obra demasiado pesada para uma leitura meramente lúdica.



Publicado por MiA às 01:28
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Domingo, 9 de Agosto de 2009
"Corpus Hermeticum", de Hermes Trismegistus

Para se falar neste conjunto de textos importa começar com uma referência ao seu autor. Pelo próprio nome se entende que não se trata de um autor real (ironicamente, a Amazon Books parece pensar o contrário), mas sim de uma fusão entre figuras mitológicas - Hermes e Thoth - os quais tinham papéis similares na cultura Grega e Egípcia. De notar que a mitologia das duas figuras não tem qualquer papel nos textos, e mais do que histórias de deuses e mortais, os 17 livros compilados nesta obra são de carácter religioso e metafísico.

 

São muitas as semelhanças entre as ideias patentes nestes textos e no Gnosticismo, no Neoplatonismo e, de uma forma bastante ligeira, até no próprio Cristianismo. Existem várias referências a um só deus, criador de tudo e sinónimo de bondade, bem como complexos (e, diga-se, notáveis) diálogos sobre a criação da humanidade, sobre o que nos separa das bestas, e muitos outros temas de índole similar. Eventualmente, chega-se a ponto que eu acho extremamente importante - num dos diálogos, é dito que esse deus foi, também ele, o criador dos deuses, apesar de todos estes textos apresentarem uma total ausência de referências a quaisquer outros deuses, sejam eles Gregos ou Egípcios. Quererá isto dizer que esta "religião" poderia ser praticada juntamente com outras, mais precisamente com a principal religião do Império Romano, sendo que este deus (cujo nome nunca é mencionado, o que lhe dá um carácter ainda mais misterioso) deveria ser considerado como o pai de todos os outros? Penso que sim, mas também poderei estar enganado, visto que também existem vagas referências a um filho desse deus, sem que alguma vez lhe seja dado um carácter mais divino.

 

Um outro facto a notar destes textos é a existência de diversos advérbios de tempo. Poderá parecer um pequeno pormenor, quase irrelevante, mas visto que estes textos são maioritariamente compostos por diálogos, a existência de diversas referências a uma passado recente fazem-me crer que estes eram lidos, ou estudados, numa dada ordem cronológica. Uma tal teoria estaria de acordo com os procedimentos iniciáticos das antigas Religiões Misteriosas (e, ainda hoje, com os graus da Maçonaria, hoje em dia), bem como com o carácter evolutivo necessário para a total compreensão do conjunto de textos. Só teria lógica falar-se sobre a natureza dos homens depois de se compreenderem as bases da natureza divina, e é essa evolução que, nestes textos, tem um seguimento lógico e, até certo ponto, pode ser compreendida de uma forma relativamente fácil.

 

Ainda assim, creio que o maior interesse destes textos seja realmente a sua apresentação de uma religião monoteísta, numa altura em que esse fenómeno ainda não estava assim tão disseminado. Visto que também são diversas as suas similaridades com o próprio Cristianismo (por exemplo, a explicação para a criação do mal, já que o deus-criador era símbolo de bondade) o que nos poderá dar mais alguma informação sobre a forma como este evoluiu nos primeiros séculos da nossa era.

 

Para quem quiser ler os textos em questão, estes estão disponíveis, em versão inglesa, no seguinte link.



Publicado por MiA às 00:25
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Sábado, 25 de Julho de 2009
"Os Trabalhos e os Dias", de Hesíodo

Esta é uma obra de Hesíodo, em que o autor fala das razões pelas quais os homens têm de trabalhar, além de fazer referências aos dias e alturas do ano que são, por variadas razões, especiais ou notáveis, como as quatro estações, ou as épocas mais indicadas para colheitas, ou viagens.

 

As razões para os homens terem de trabalhar são explicadas, de forma geral, através do mito das idades, o qual já por cá foi explicado anteriormente. Em termos gerais, e para quem não quer mesmo ler a obra, posso referir que a ausência de trabalho, de esforço físico, era um privilégio dos homens da idade de ouro, e que isso seria um dos encantos a que os homens perderiam o acesso, através das acções de Pandora, um outro mito também já por cá referido.

 

Fica, então, por cá uma passagem da obra que considero interessante (toda a obra pode ser lida, em inglês e de forma gratuita, na fonte referida abaixo):

Zeus will destroy this race of mortal men also when they come to have grey hair on the temples at their birth. The father will not agree with his children, nor the children with their father, nor guest with his host, nor comrade with comrade; nor will brother be dear to brother as aforetime. Men will dishonour their parents as they grow quickly old, and will carp at them, chiding them with bitter words, hard-hearted they, not knowing the fear of the gods. They will not repay their aged parents the cost their nurture, for might shall be their right: and one man will sack another's city. There will be no favour for the man who keeps his oath or for the just or for the good; but rather men will praise the evil-doer and his violent dealing. Strength will be right and reverence will cease to be; and the wicked will hurt the worthy man, speaking false words against him, and will swear an oath upon them. Envy, foul-mouthed, delighting in evil, with scowling face, will go along with wretched men one and all.

Fonte

 

Deixando de parte as interpretações apocalípticas, esta passagem tem óbvias semelhanças com algumas das crises sociais que têm lugar nos dias de hoje, e deixa antever um novo futuro, mais negro e cruel, para toda a humanidade. Quanto a mais comentários, prefiro deixá-los para possíveis leitores.



Publicado por MiA às 03:30
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