Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Euquenor é uma pequena figura apenas mencionada no livro XIII da Ilíada. Nada teria de especial não fosse o facto do poeta dizer em relação a ele algo de muito singular - era, juntamente com o famoso Aquiles, um dos poucos heróis que tinha a opção de não morrer em Tróia, mas em casa (de doença, segundo algumas traduções). Escolheu ir para a guerra, acabado por morrer quando Páris o atingiu com uma flecha na zona do queixo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Mito das Idades, que ainda nos é muito bem conhecido do relato de Hesíodo, já cá foi falado há quase 10 anos (ver aqui). Porém, esse mito também tem um outro aspecto menos conhecido. O autor fala-nos de cinco idades - as de Ouro, Prata, Bronze, dos Heróis, e de Ferro - mas poucos saberão que a sequência das quatro primeiras era abordada, de uma forma supostamente contínua, nos vários poemas do Ciclo Épico. Como sabemos do relato de Proclo, essa associação começava com a união de Urano e Gaia (ainda antes da Idade de Ouro) e terminava com a morte de Ulisses, um evento específico que marcava o término da Idade dos Heróis.

 

Era com a morte do grande herói da Odisseia homérica que terminava o período mitológico e começava o mundo em que todos os seres humanos então viviam. Seriam os próprios poemas de Hesíodo parte do antigo Ciclo Épico? Não sabemos, infelizmente, mas até faria sentido que assim o fosse.

Autoria e outros dados (tags, etc)

As seguintes linhas, tão actuais hoje como no tempo do próprio Aristóteles, provêm dos Económicos:

 

A esposa deve, por conseguinte, orar para que o marido não encontre a adversidade; no entanto, se algum mal o atingir, há-de ter em conta que é nessas ocasiões que a mulher virtuosa granjeia maior louvor, ao constatar que nem Alceste atrairia pobre si a glória nem Penélope mereceria tantos e tamanhos elogios, se tivessem passado a vida com esposos afortunados. Na verdade, foram as desgraças de Admeto e de Ulisses que lhes garantiram uma fama imortal, pois, no meio da adversidade, mantiveram-se fiéis e leais aos maridos, a ponto de os próprios deuses lhes prestarem honras nada imerecidas. De facto, é fácil encontrar quem deseje partilhar a prosperidade; associar-se, porém, à desgraça não o quer ninguém, a não ser a esposa excelente.

fonte

 

Perdoem-nos as feministas, é evidente que isto também se aplica aos maridos, mas é curioso constatar que mais de 2000 anos depois a humanidade continua a ter alguns dos mesmos problemas na sua vida diária.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Abaixo pode ser visto La Caduta di Troia, um dos primeiros filmes sobre o conflito de Troianos com Gregos. Principia com o rapto de Helena e termina com a destruição da cidade, mas ao combate é dado uma ênfase muito pequena. Veja-se também que a própria trama é somente vagamente baseada nas fontes literárias que temos, com Páris a morrer aquando da queda da cidade. Esperamos que gostem de recordar este filme de outros tempos!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma pergunta que nos costuma ser feita regularmente prende-se com o significado dos sonhos, aqueles que costumamos ter durante a noite. E, por muito que até a queiramos deixar de parte, é também uma coisa sobre a qual todos nós nos interrogámos pelo menos uma vez na nossa vida. Infelizmente, seria difícil expor o significado de todos os sonhos já alguma vez tidos num punhado de linhas, mas podemos fazer uma breve introdução ao tema.

 

Essencialmente, os nossos sonhos podem ser divididos em duas categorias. A primeira delas destina-se a colmatar uma qualquer dificuldade presente na nossa vida. Se, para dar alguns exemplos, tivermos fome, poderemos ter um sonho em que comemos muito; se estamos a passar frio, poderemos ter um sonho em que nos aquecemos perto de uma lareira; se sentimos falta de uma pessoa em particular, iremos sonhar com ela; se sentimos falta de ter relações sexuais, poderemos ter um sonho em que as temas; e assim sucessivamente.

 

A segunda categoria prende-se com sonhos que têm outro tipo de significado. A eles, autores como Artemídoro chamavam oneiros, de onde provém o nome dado à arte da sua interpretação. Segundo eles, esse tipo de sonhos tem um qualquer significado (quase) místico. Se, por exemplo, sonharmos que alguém vai morrer, isso tende a significar que iremos ter uma alteração crucial na nossa vida, mas não necessariamente que alguém irá morrer. Curiosamente, o que acontece nesta categoria de sonhos, contrariamente ao que se passava com a anterior, nada tem de relação explícita com a sua interpretação directa - por exemplo, se sonharmos que estamos a ser atacados por santolas, dificilmente isso terá lugar na vida real; em alternativa, tanto esse ataque como as próprias santolas são uma espécie de metáfora para "algo".

 

Mas que "algo" é esse? Será que os sonhos, como diziam Aristóteles, Artemídoro ou Cícero, têm uma função de prever o futuro? Ou será que, como debatia Freud numa época bem mais recente, todo o tipo de sonhos se destinava a colmatar necessidades - muitas vezes psicológicas ou sexuais - que temos? A resposta não é simples. E por isso, fica um convite aos leitores - quando tiverem um sonho, escrevam-no num papel tão detalhadamente como possível. Depois, interpretem-no (poderemos tentar ajudar). Vejam em que medida é que o seu conteúdo se aplica, ou não, à vossa vida. Finalmente, tentem perceber porque terão tido esse sonho, e deixem algum feedback sobre os resultados finais da experiência.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.


Licença Creative Commons

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog