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De acordo com o já conhecido mito, na antiga cidade de Delfos existia o famoso templo de Apolo, ao qual as pessoas se poderiam dirigir, a fim de pôr alguma questão ao já referido deus.

Segundo se pensa (e sem desenvolver muito desta tema, o qual será abordado num próximo artigo), a Pítia, uma jovem encarregada de cuidar do templo, entrava seguidamente numa câmara fechada, na qual, através de um complexo processo, contactava com Apolo,  recebendo informação que lhe permitisse responder à questão posta pelo visitante.

Hoje, diz-se que os alegados poderes provinham de um gás,  proveniente de uma falha geológica situada abaixo do templo, o qual faria a Pítia alucinar e, eventualmente, providenciar uma resposta, o que retira toda a mística ao local.

No entanto, isto faz pensar: o politeísmo, enquanto religião vigente na Grécia Clássica,  foi eventualmente adoptado pelos romanos e, mais tarde, decepado definitivamente pelo Cristianismo. Se, hoje, uma crença nos poderes do Oráculo de Delfos parece totalmente ridícula, é importante notar que as coisas não mudaram assim tanto.

O pilar principal do Cristianismo - a ressurreição de Jesus Cristo - não apresenta quaisquer provas visíveis, uma ausência partilhada por todas as outras religiões modernas. Assim, remetem-se todas as conclusões para uma mera questão de fé. Assim, tal como hoje se acredita em religiões pregadas pelos mais diversos profetas, também a religião da Grécia Clássica partilhava da sua principal base - a fé dos que nela acreditam.

Ainda assim, e voltando especificamente ao Oráculo, é importante analisar a principal característica do recinto - a capacidade de prever o futuro - algo que é, hoje em dia, considerado simplesmente ridículo. Pois bem, tudo se remete, mais uma vez, a uma questão de fé. Tal como a Pítia, ainda hoje existem pessoas que clamam a possibilidade de ver o futuro. Acreditar-se que é, ou não, possível prever o futuro é, também essa, uma pura e simples questão de fé.

Se pretendermos recorrer à racionalidade, o Oráculo, enquanto mecanismo de contacto com os deuses, seria não mais que um simples mito. No entanto, ao mesmo tempo, ter-se-ia também de pensar na impossibilidade (teórica) da ressurreição de Cristo, bem como muitos outros factos patentes nas diversas religiões.
Deste modo, compreende-se que a crença no Oráculo de Delfos depende apenas de nós próprios, e daquilo em que escolhemos acreditar.



(Uma nota extra: apesar de neste artigo eu ter optado pelo nome "Pítia", a designação "Pitonisa" também é, normalmente, usada para definir a sacerdotisa do templo de Apolo).

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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