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Como prometido no post anterior, aqui fica um artigo, mais desenvolvido, sobre o mais famoso oráculo da Grécia Clássica.

Segundo a história, Zeus soltou duas águias, em diferentes direcções, e elas iriam cruzar-se acima da cidade, provando que esta era, efectivamente, o centro de todo o mundo. Sobre a sua fundação, pouco se sabe, mas o nome da Pítia (bem como o dos Jogos Píticos , realizados no mesmo local) provém de uma serpente, Píton , morta pelo deus Apolo.

Assim, a mais importante característica da cidade era a existência do templo consagrado a Apolo, no qual o deus, através da sua representação terrena, respondia a questões postas pelos visitantes. Foram certamente muitas as profecias atribuídas a este oráculo, tendo sido visitado por personalidades tão ilustres como Alexandre Magno, Nero ou mesmo o lendário Herácles .

Apesar de não estar totalmente confirmado, existe alguma informação que diz que os serviços do templo apenas estavam disponíveis nos meses quentes, com o culto a a Dioniso a tomar lugar durante o tempo restante. No entanto, mesmos nos meses frios, os visitantes podiam obter previsões simples (aquelas ás quais fosse possível responder com um "sim" ou "não"), ou auxílio relativo a sonhos que tenham tido.

Para pôr alguma questão ao deus, os visitantes tinham fazer algumas ofertas ao templo, entre elas um ramo da árvore consagrada ao deus e algum dinheiro. Quando, finalmente , lhes fosse permitido falar com a sacerdotisa, a mesma desceria para uma pequena câmara, a qual lhe era reservada, e na qual a Pítia teria, após um determinado ritual, uma resposta do deus, normalmente em forma poética.

Eventualmente, também essa bela forma foi abandonada, com o eventual declínio do politeísmo greco-romano, e as respostas passaram a ser em simples prosa. Assim, também o critério de selecção de uma futura Pítia foi alterado: primariamente virgens cultas e de boas famílias, as quais  tinham de abandonar tudo para seguir o seu serviço no templo, eventualmente foram escolhidas mulheres mais simples.

Sobre a pequena câmara no interior do templo, à qual apenas a sacerdotisa tinha acesso,  bem como o modo de interpretação das crípticas respostas de Apolo, pouco se sabe. A sala continha, essencialmente, uma grande cadeira com 3 pés, na qual essa encarregada da comunicação com Apolo se sentava, mas deviam certamente existir mais objectos relacionados com o culto.

Em suma, toda a antiga cidade de Delfos parece ter crescido em torno deste famoso templo, com a própria economia a dele depender. Poucos séculos após o seu apogeu, este local de culto seria abandonado, devido ao crescente interesse geral pelo religião cristã. Curiosamente, cerca de 400 anos após o nascimento de Cristo, o oráculo viria a prever o seu próprio final, ao declarar que "Apolo não tinha abrigo", "as fontes estavam agora silenciosas" e "está acabado" - interessantes provas da proveniência dos poderes da Pítia. Essa é, talvez, a mais clara prova escrita de que a euforia e loucura da sacerdotisa provinha de uma fonte gasosa, situada abaixo do templo, e que deve ter sido inutilizada por um terramoto.

Durante mais de 12 séculos, o Oráculo de Delfos foi responsável por conquistas, mudanças radicais no modo de vida de diversas cidade-estado gregas, bem como tornar meros mortais em semideuses . No entanto, viria a morrer, por volta de 400 depois de Cristo, vítima de uma das maiores religiões de hoje, a  religião católica.
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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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