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Hoje dei por mim a pensar nas infelicidades de que Édipo e Cassandra, duas figuras com pouca relação entre elas, vieram a sofrer.

Édipo, uma das mais famosas figuras da mitologia grega, teve o seu destino marcado, de forma involuntária, pelo facto de matar o pai e vir a casar com a própria mãe, actos que perpetrou sem qualquer conhecimento.
Cassandra, filha do rei Príamo de Tróia, era dotada do dom da profecia, se bem que as pessoas jamais acreditassem nos presságios que ela lançava, em virtude de uma maldição de Apolo.

Enquanto que Édipo estava ao corrente de que iria matar a pai e casar com a própria mãe, foi totalmente incapaz de evitar o destino, por mais que tentasse. Quanto a Cassandra, capaz de prever a conquista de Tróia e a sua própria morte, entre muitos outros eventos, sempre se apresentou como incapaz de evitar esses desfechos.

Durante a guerra de Tróia, Cassandra atingiu um ponto de quase loucura, incapaz de aceitar o seu destino. Também Édipo, na altura em que compreendeu que todo o seu destino se tinha cumprido, passou a deambular pela terra, seguido pelas Erínias, num estado em que preferiu optar pela cegueira, para não ver o triste destino que lhe estava reservado.

Enquanto que a famosa filha de Príamo originou, de certo modo, o seu triste fado, a vida de Édipo poderia ser resumida como a de um mero espectador, em que os eventos vão ocorrendo e o herói não tem qualquer poder sobre os mesmos.

Assim, apesar do final da profetisa de Tróia ser tremendamente triste, visto que ela sabia como, quando e onde iria morrer, grande parte da vida de Édipo é marcada pelo cumprimento inevitável de um destino cruel, demonstrando o seu sofrimento como inevitável e injustificado.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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