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Num outro comentário foi-me pedido um artigo que relacionasse os chamados "mitos urbanos" com os mitos da Antiguidade Clássica.

Pois bem, a relação entre ambos é bem mais simples do que poderá parecer, existindo um exemplo em que se facilmente compreende essa relação. Segundo os Romanos, a extinção da chama sagrada, que adornava cada casa e cidade, seria a prenúncio de que algum desastre estava para acontecer. Então, após a extinção do fogo de Roma, por ordem do próprio imperador, o famoso Império viria a cair, o que demonstra que o mito poderia ter um fundo de verdade.

Assim, isto leva-nos a pensar nas diferenças que existem entre os mitos clássicos e os mitos urbanos, aqueles que podemos ouvir no nosso dia-a-dia. Bem, as semelhanças são óbvias, mas a principal diferença tem unicamente a ver com a época em que foram criados. Um mito é, na sua forma mais simples, uma tentativa do Homem explicar o que não compreende no mundo. Assim sendo, tal como o Homem Antigo não compreendia a existência dos terramotos ou das trovoadas, também o Homem Moderno teme e não compreende alguns dos detalhes da sua vida citadina.

Para cada aspecto da vida moderna, poderá existir um qualquer mito que lhe venha a ser associado, tendo em conta a psicologia humana. Por exemplo, o Homem sempre temeu a escuridão, e este medo leva-o a pensar nos perigos que esta pode esconder. Tal como os gregos temiam a Hecáte de um período mais tardio, também nós tendemos a temer a noite, cujos perigos tentamos não explorar.

Para os mais adeptos das tecnologias, são poucos os dias que passam sem se receber um e-mails que referem "faz isto ou o programa X é cancelado". Apelativos ao medo patente na mente humana, que teme tudo aquilo que não compreende, uma situação similar também sucedia na mitologia egípcia, em que os faraós eram incitados à sepultura juntamente com os seus bens, sob pena de renunciarem aos privilégios que poderia ter no outro mundo.

Apenas para dar mais um exemplo, alguns mitos urbanos falam de tesouros escondidos. Também os Gregos apresentavam mitos similares, com uma entrada para o reino de Hades (rei dos submundo, mas também senhor das riquezas subterrâneas) a ser localizada perto de um determinado lago.

Como é fácil constatar, qualquer espécie de mito assenta num simples pressuposto - a existência de factores que grande parte dos seres humano desconhecem e temem - adaptando apenas o contexto à época em que se vive, o que lhe dá um carácter actual independentemente do tempo e local onde vivemos.
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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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