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O Destino, a linha que rege a vida de todos os seres,  parece ser uma constante de todas as Mitologias.

Para os Gregos, este era gerido por um grupo de três irmãs, cada uma delas com uma tarefa muito específica em relação ao fio da vida. Também os Romanos acreditavam neste complexo conceito, e davam-lhe características similares.
São muitos os mitos que abordam esta temática, mas todos eles acabam por ter um ponto em comum, a impossibilidade humana em fugir aos desígnios divinos. Tal como sucedeu na triste história de Édipo, um mero mortal que acaba por ser um fantoche nas mãos divinas, também Aquiles teria a sua morte anunciada no momento que se juntou ao conflito de Tróia. Ambos tiveram, de certa forma, a possibilidade de fugir a esta ditadura, mas falharam, como pode ser visto nos seus mitos.

Na Mitologia Egípcia, a constante morte e renascimento de Rá um símbolo para a viagem diária do Sol, é um exemplo da inevitabilidade de algumas partes da vida humana. Contudo , visto que todos os mortais eram julgados após a morte, sendo penalizados pela sua conduta no reino dos vivos, é dada alguma margem de manobra. Subentende-se, assim, que todos os seres têm poder sobre os seus próprios actos, tendo a possibilidade de os realizar, ou não, de acordo com as suas vontades.

Para os antigos povos nórdicos, bem como para os deuses da sua mitologia, o prenúncio do Ragnarök era já encarado como uma certeza. Assim, tal como este conflito final tinha já uma linha simples e directa a tomar, é possível que o mesmo sucedesse com a vida de todos os seres humanos.

Certamente mais curiosas, e menos conhecidas, são as alusões ao Destino feitas pelo Cristianismo. São diversos os exemplos possíveis, mas um dos meus preferidos prende-se com as próprias palavras de Jesus Cristo. Quando este, numa parte final da sua vida, refere a um dos apóstolos que este o irá negar três vezes antes de um galo cantar, acaba por fazer uma interessante alusão à inevitabilidade das acções humanas.
Esta referência é curiosa, se tivermos em conta que Cristo pregava uma religião em que os seres humanos eram impelidos a arrependerem-se dos seus próprios pecados - se o Destino não for evitável, que culpa têm os seres dos actos que realizam? Nenhuma, como é fácil compreender.


Em termos mais terrenos, é-nos permitido compreender muito pouco do Destino através destas crenças. Contudo, é bastante curiosa, toda a esta alusão à inevitabilidade de alguns detalhes da vida humana. É claramente impossível provar a inexistência do Destino, mas também são poucos os argumentos que jogam a seu favor. Assim, tudo se resume a uma mera questão de fé, experiência própria e opinião pessoal.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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