Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Momo

06.03.10

Momo era, na mitologia grega, uma personificação do sarcasmo e da ironia. É provável que existam vários outros mitos relativos a esta mesma figura, mas aquele que aqui irei mencionar sempre me pareceu ser o mais popular e significativo.

 

Antes de abordar o mito propriamente dito, devo referir que tenho algumas dificuldades em classificá-lo justamente como tal. Por um lado, o episódio que vou contar aparece brevemente em autores como Luciano de Samósata (veja-se a alusão ao mesmo na obra Hermotimus), e em tudo se assemelha a um qualquer outro mito, mas também é uma fábula de Esopo - hoje referida como Babrius 59 ou Perry 100 - e é com essa designação que Aristóteles a menciona no terceiro livro de De Partibus Animalium. Tendo essa consideração em mente, passe-se então a uma versão simplista da trama:

 

Zeus, Poseídon e Atena estavam a fazer um concurso para ver qual deles conseguia fazer algo realmente bom, e Momo foi escolhido para juiz. Zeus criou um homem, Atena uma casa, e Poseídon um touro.

Em seguida, Momo criticou o homem por não ter uma janela para o coração (que permitiria ver o que este queria fazer), a casa por não ter rodas (o que impediria os proprietários de a moverem de um lado para o outro) e o touro por não ter olhos abaixo dos cornos (o que lhe permitiria atacar com uma melhor precisão).

 

A moral por detrás desta fábula é bastante simples: quem quer encontrar falhas acaba sempre por conseguir fazê-lo, mas isso não diminui a importância da própria criação.

Autoria e outros dados (tags, etc)



Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog