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Esta obra merece aqui uma menção não tanto pelo conteúdo mitológico (que, diga-se, é praticamente inexistente) mas pelo seu conteúdo original - trata-se de uma compilação de piadas, com base na qual se pode constatar que o humor se manteve bastante similar ao longo dos séculos. Sobre os autores, ou possíveis compiladores, nada se sabe. Uma tradução de algumas piadas desta obra podem ser encontradas, em versão inglesa, neste link.

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4 comentários

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De Amélia Saavedra a 19.07.2010 às 23:02

Ao pesquisar sobre mitologia deparei-me com o seu blog e sendo assim aproveito para colocar a seguinte questão: nas minhas pesquisas sobre o deus Saturno, o tal que castrou o próprio pai (Úrano), tomei conhecimento de uma obra do autor Charles François Dupuis (séc. XVIII) onde desenvolve a tese de que é o culto ao SOL que está na origem de todos os cultos (e religiões), ou seja, no caso de Saturno, este representaria não mais que a posição do sol durante o solstício de inverno, onde o mesmo atinge a posição mais baixa ao nível do horizonte. Um fenómeno tão marcante que deu origem a várias festividades como as saturnálias e mais tarde ao Natal cristão. Tem conhecimento desta obra? Se sim, qual a sua opinião?

Só de pensar que quando vou a uma igreja rezar um Padre Nosso, estou afinal a rezar ao SOL, dá-me voltas e mais voltas à cabeça……
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De alguém a 20.07.2010 às 01:20

Cara Amélia,

A problemática da relação entre algumas religiões antigas e o Cristianismo já cá foi abordada anteriormente, e para encontrar esse artigo sucinto basta procurar, por exemplo, por 'Sol Invictus'.

Indo então à obra de Charles François Dupuis (e assumo que se esteja a referir a "Origine de tous les Cultes , ou la Réligion Universelle "), posso dizer que não a li mas julgando o que escreveu creio que talvez deva tentar fazer uma leitura mais crítica. A hipótese que mencionou é uma de muitas, e por muito que eu gostasse de lhe dizer, de uma forma sucinta, que é uma ideia certa ou errada é-me impossível fazê-lo, já que não tenho forma de concluir, com uma total certeza, sobre isso. O que lhe posso dizer, isso sim, é que na Antiguidade existiam diversos cultos com ênfase no sol - Mitraismo, Atonismo , et al. - e portanto é possível que, de uma ou outra forma, alguns deles tenham influenciado o Cristianismo, bem como muitas outras religiões (é provável que daí venha a fusão de Apolo com Hélios, por exemplo).

Agora, há um elemento que achei bastante curioso no que me escreveu: "quando vou a uma igreja rezar um Padre Nosso, estou afinal a rezar ao SOL"... até certo ponto, acaba por ter alguma razão. Não pretendo levá-la para longas deambulações teológicas mas o que escreveu acaba somente por depender da forma como vê a religião que, segundo me pareceu, pratica. Eu mentiria se lhe dissesse que Sol Invictus e Jesus (ou Deus), eram um e o mesmo, mas é inegável (e para constatar isso basta ver ícones da igreja ortodoxa) que, de uma ou outra forma, existiram múltiplas influências na Igreja Católica a que hoje temos acesso. Assim, nessa questão específica creio que tudo depende da sua opinião pessoal, e daquilo em que decide acreditar.
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De Amélia Saavedra a 23.07.2010 às 12:05

Grata pela resposta… e já que fala de uma tese em muitas, pode dar-me uma ideia do que são as muitas? Realmente quando deparei-me com esta tese fiquei deveras chocada, mas continuo a considerar-me cristã. O mais importante é a mensagem de Cristo, agora se Ele alguma vez existiu ou não cabe aos cientistas descobrir. Uma coisa é certa, temos um exemplo que como um povo vencedor adopta a cultura de outro: a dita mitologia greco-romana. Quem nos garante que não tenha acontecido no caso de outras mitologias e/ou religiões?
Visto que ainda não leu a dita tese, aqui vai o link (versão inglesa):

http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/pageviewer-idx?c=moa;cc=moa;rgn=full%20text;idno=AJF3298.0001.001;didno=AJF3298.0001.001;view=image;seq=00000005

Mais uma vez muito agradecida pela sua resposta.
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De alguém a 04.08.2010 às 02:26

Cara Amélia,

Além da hipótese que referiu, em que o sol está na origem de todos os cultos, existem muitas outras possibilidades. Uma listagem completa seria difícil, mas posso-lhe apresentar alguns exemplos:

- Robert Graves, em "Greek Myths", tenta dar razões históricas por detrás de diversos mitos, numa obra que não é de todo simples;

- Palaefato e Heraclito Paradoxógrafo explicam os mitos com variadas razões, desde nomes que são mal interpretados a metáforas obscuras;

- Segundo alguns autores dos primeiros séculos da nossa era, a semelhança entre cultos pagãos e o próprio Cristianismo devia-se a influências do Diabo;

- Este próprio blog também tenta interpretar alguns mitos, como é fácil constatar.

Em suma, a razão para a associação de Jesus ao sol deve-se normalmente ao facto do primeiro ser visto como a "luz do mundo", em que as pessoas se deveriam apoiar neste mundo repleto de diversas escuridões. Nesse sentido, Jesus pode até ser um sol, mas não creio (e como escrevi anteriormente) é que seja correcto dizer que o sol e Jesus são um e o mesmo...

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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