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Giges da Lídia

23.04.11

Aqui fica um curioso mito que nós é contado por diversos autores, entre eles Platão e Cícero:

 

Giges era inicialmente pastor na região da Lídia. Um dia, e na sequência de um terramoto, encontrou uma caverna, no interior da qual estava um anel de ouro, o qual tinha a capacidade de tornar o seu possuidor invisível. Com a ajuda desta capacidade mágica, Giges acabou por seduzir a rainha local, matar o rei e até tomar o lugar deste.

 

Tanto na República como em Os Ofícios (dos autores respectivamente mencionados acima), este pequeno mito tem um objectivo similar, o de demonstrar que os homens, sejam eles essencialmente bons ou maus, apenas reagem de forma correcta por estarem agrilhoados pela lei e pelo medo de punição. Assumindo, como na obra de Cícero, a existência real deste anel, a pessoa que o usasse ganharia um poder quase divino; ao não poder ser descoberta e, portanto, penalizada pelos seus actos, poderia fazer o que muito bem entendesse. Se Giges, um simples pastor, chegou até rei através deste desrespeito pela lei instituída, pela lei dos homens, quem ousaria defrontá-lo?

 

O mito parece-me, então, ilustrar uma situação em que é demasiado simples dizer "eu não faria o mesmo"; ainda assim, será que algum possuidor desse anel teria a capacidade moral para fazer o correcto? A resposta, essa, cabe a cada um dos leitores, mas o debate constante na obra de Platão leva-me a crer que não, que "o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente", fazendo minhas as palavras de um dado autor do século XIX. Se, por intervenção divina, também a cada um de nós fosse revelado tal poder, é muito provável que não tivéssemos a fibra moral necessária para não o usar, fosse para o bem ou para o mal, já que este nos elevaria bem acima das leis dos homens...

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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