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Esta é uma obra de Filóstrato que acaba por ser, para todos os efeitos, difícil de analisar (algo que, portanto, não pretendo fazer aqui). Digo-o não tanto pelo estilo literário mas pelo seu próprio conteúdo, já que apresenta sequência filosóficas e descrições de viagens com algum interesse, mas também outro tipo de momentos bastante menos importantes, talvez até enfadonhos para os leitores modernos. Não me atrevo a dizer que todos os elementos constantes na obra sejam efectivamente verdade, mas a filosofia pregada por Apolónio acaba por ser bem mais simples do que (e, ainda assim, talvez tão interessante como) a de autores anteriores.

 

Para mencionar um exemplo, quando confrontado com um vulcão, Apolónio descarta a antiga possibilidade de que exista um enorme monstro debaixo do mesmo, dizendo algo como "com tantos vulcões que existem, como poderemos associar uma criatura a cada um deles?". Este é um certo cepticismo perante a mitologia que é apresentado ao longo da obra, mas que nem sempre tem o mesmo resultado; se, numa visita à Índia, é dito a Apolónio que criaturas como a Manticora não existiam por lá, uma posição contrária é dada à existência dos Pigmeus e da Fénix, entre outros. Também, acaba por ser este próprio filósofo a referir que falou com um fantasma de Aquiles, apenas para mais tarde descartar outros episódios mitológicos como meras fantasias. Existe, então, aqui uma visão quase bipolar da mitologia (e da própria religião da época), já que alguns elementos são vistos como reais mas outros como invenções humanas; sobre Hércules e Dionísio, por exemplo, é dito que existiam vários, sendo a história que conhecemos, de uma ou de outra forma, fruto de fusões entre os relatos dos eventos passados com essas figuras.

 

Ainda assim, se ao longo da obra são declarados alguns milagres à figura de Apolónio, também importa dizer que esses têm sempre um carácter muito secundário. Para dar um exemplo, algures num dos livros o herói ressuscita uma noiva que estava para casar, mas esse evento parece ser considerado como menor, já que pouca ênfase lhe é dada. Porém, algumas deambulações filosóficas prolongam-se por várias páginas, e são muito correctamente inseridas no contexto da história.

 

Atenção, como já referido, não me atreveria a dizer algo sobre a verdade (ou falta dela) dos eventos que são referidos nesta obra, e nem sei até que ponto podem ser considerados como fiéis ao que realmente sucedeu, mas tenho de confessar que esta obra tem alguns momentos extremamente interessantes, mais focados para uma leitura por episódios específicos do que para uma leitura integral. Vale a pena ler pelo menos pelos episódios filosóficos, se por nada mais...

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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