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Quando, há uns tempos, estava a reler Os Lusíadas, encontrei as seguintes linhas no canto VII:

 

Um na cabeça cornos esculpidos,
Qual Júpiter Amon em Líbia estava;
Outro num corpo rostos tinha unidos,
Bem como o antigo Jano se pintava;
Outro, com muitos braços divididos,
A Briareu parece que imitava;
Outro fronte canina tem de fora,
Qual Anúbis Menfítico se adora.

 

Linguagem poética aparte, achei esta uma interessante forma de se tentar identificar divindades desconhecidas através de características que neles se reconhecem, de forma semelhante ao que ocorria na interpretatio graeca. Claro que alguém familiarizado com essa outra religião não teria qualquer problema em identificar estes novos deuses (que ainda hoje sobrevivem no panteão hinduísta), mas note-se que cada uma das quatro divindades mencionadas é reduzida à sua característica essencial. Seria esta simplificação de características a razão pela qual criaturas como os Monópodes e Blémias apareceram, muitos séculos antes, na imaginação popular? É possível...

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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