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Como o próprio nome da obra dá a entender, este livro de Obsequente trata dos múltiplos prodígios que, ao longo dos anos, ocorreram no Império Romano. A obra está incompleta, razão pela qual é difícil saber o período que originalmente abrangia, mas na forma que hoje nos está disponível cobre datas compreendidas entre 190 a 10 a.C. . Para esse período de tempo específico, o autor menciona não só aspectos relacionados com guerras ("Viriato foi derrotado", "a luta contra Jugurta corre bem", ...), mas também prodígios da natureza ("choveu leite", "um boi falou", "uma grande estrela caiu dos céus"...), dos próprios seres humanos (nesse sentido, são muito referidos nascimentos de crianças com um número invulgar de membros ou hermafroditas) e até da civilização e religião romana ("uma estátua que tinha a cabeça coberta apareceu com ela descoberta", "as galinhas [sagradas?] escaparam para o bosque e ninguém as conseguiu encontrar", ...).

 

Porém, esta é uma daquelas obras que pouco interesse parece ter. Claro que se pode utilizá-la para tentar localizar com maior precisão este ou aquele evento, mas tendo por base o facto do autor só ter escrito sobre cada um dos eventos mais de 200 anos após terem tido lugar, é um pouco difícil conseguir argumentar sobre a fidelidade de cada um deles... e se, por um lado, alguns deles têm algum interesse, já outros parecem-me demasiado incompletos para terem algum interesse real. Costumo dizer, de uma forma jocosa, que se "um boi falou" teria sido interessante recordar o que ele disse, e infelizmente esta obra parece ficar sempre áquem desse elemento adicional, de qualquer tentativa de explicação ou justificação. Se, como diziam vários outros autores, a aparição de prodígios tinha alguma relação com o futuro, nada disso parece ter relevância nesta obra, sendo esta só e apenas um sucinto catálogo de prodígios através de um período de anos.

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1 comentário

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De Bruno Rodrigues a 06.04.2012 às 00:22

Pela descrição, parece-me tratar-se esta duma obra historiográfica. Quase diria ser um conjunto de anais! Já que o autor não é contemporâneo dos fenómenos que regista, a obra tem um franco interesse ao revelar aquilo que a memória colectiva preservou (ou a pesquisa do A. encontrou).

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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