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No seu geral, este é um diálogo sobre a retórica. Sobre isso pouco mais haveria a dizer neste espaço; porém, perto do seu final, o autor conta-nos, através da boca de Sócrates, um importante mito:

 

No tempo de Crono os mortos tinham dois possíveis destinos: quem tivesse vivido de forma justa e honesta ia para as Ilhas Afortunadas, enquanto que quem fosse injusto e impiedoso seria punido no Tártaro. Porém, este julgamento era feito por juízes vivos, e as pessoas eram julgadas ainda em vida, o que levava a que algumas almas acabassem nos lugares errados. Plutão [outro nome de Hades] confrontou Zeus com este problema, e este segundo disse-lhe que o problema advinha dos julgados ainda estarem vivos e, portanto, terem as suas roupas, os seus estatutos, e até quem por eles testemunhasse. Então, decidiu deprivar o Homem do seu pré-conhecimento da morte, devendo este apresentar-se a julgamento nu (estando o juíz também ele nu de vida e vestes). Também, os homens vindos da Ásia seriam julgados por Radamanto e os da Europa por Éaco, sendo Minos o decisor em casos de dúvida dos anteriores.

 

Este mito parece-me demonstrar uma interessante oposição entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Se, no mundo em que agora vivemos, existem um sem número de formas de formas de diferenciar os homens - seja a riqueza, as vestes, a quantidade de amigos, o emprego que têm, etc. - já no mundo dos mortos todos estaremos em pé de igualdade, e seremos julgados de uma forma imparcial. Esta ideia, depois tão popular na Idade Média e que me recorda os "Versos da Morte", é uma interessante herança que nos chegou até aos dias de hoje, já que também muitas das religiões modernas (se todas, já não sei...) referem um julgamento dos mortos com base no que foram em vida - bons ou maus, entenda-se - e não em quem foram em vida. Seja ou não verdade, também nada perdemos em ser bons, justos e honestos...

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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