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Tal como a obra "Sofista", que lhe é obviamente anterior, esta tenta definir o que é um político, o que faz um bom político, e aí por diante. Contudo, para este espaço tem certamente mais interesse um mito que é contado pelo misterioso visitante de Eleia.

 

Este começa por fazer uma alusão à querela entre Atreu e Tiestes. O jovem Sócrates pensa que este se referia ao nascimento do cordeiro de ouro, algo que o seu interlocutor nega, referindo-se a uma outra parte do mesmo mito, na qual Zeus fez o sol passar a mover-se ao contrário. Diz, então, que esta história, como mil outras, tinham uma origem comum, nomeadamente o facto de, por vezes, os deuses permitirem que o mundo girasse só (nas outras alturas seriam eles a movê-lo), altura em que este girava em sentido oposto. Numa dessas alturas passadas, é depois contado, o crescimento dos humanos e dos animais invertia-se por completo, fazendo-os crescer da velhice para a juventude. Como nasciam, então, os animais e os homens? Segundo a mesma personagem, estes eram então gerados pela própria terra, e os mortos voltavam até ao mundo dos vivos. E como se governavam os homens nestas alturas? Segundo esta mesma história, um deus (parece entender-se ser Chronos, mas não é totalmente claro) servia de governador, sendo todas as leis inatas. Quando esse deus se retirou, o mundo inverteu o seu sentido e sofreu um enorme terramoto; eventualmente, todos os males da época actual começaram a surgir de forma progressiva, até que esse deus voltou e nos deu alguma nova estabilidade.

 

Uma interpretação parcial deste mito é dada na própria obra, pelo que a deixarei aqui de parte, mas é muito curioso constatar a referência do autor a uma época em que se nascia com os cabelos cinzentos. Pode parecer uma informação secundária, mas Hesíodo também refere algo de semelhante (comprar com esta obra), dando-a como um dos sinais do fim do mundo. Agora, a este coincidência poderia ser dado um sem número de explicações, mas a mais óbvia é que ambos se baseavam numa mesma tradição comum, num mito que hoje estará parcialmente perdido, e cuja fonte que nos é mais conhecida acaba por ser a obra de Hesíodo.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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