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Esta peça de Eurípides baseia-se numa curiosa premissa, a possibilidade de Helena (a esposa de Menelau) nunca ter ido para Tróia. Através da influência divina de Hera foi criada uma segunda "Helena", um espectro da original, e teria sido essa a levada por Páris, enquanto que a verdadeira estava a viver no Egipto. É nesse local que, após o final da Guerra de Tróia, Menelau viria a reencontrá-la, e é desse reencontro que fala este texto. Também fala de muito mais, numa trama que me recorda da Ifigénia na Táurida, mas a razão para estas linhas é mesmo essa ideia-base da Helena que estava em Tróia não ser a esposa de Menelau.

 

De um ponto de vista da trama da Guerra de Tróia, o facto de Helena estar na cidade é sempre um ponto fulcral - é o rapto de Helena que leva ao confronto, é esta Helena que tem a repetida possibilidade de se entregar aos Aqueus e que, eventualmante, até passa a ser odiada pela população, por todo o sofrimento que causa. Portanto, se existe alguém a culpar pela guerra, esse alguém seria obviamente Helena. Porém, se como Eurípides supõe, essa não era, realmente, a esposa de Menelau, Helena perde então toda a culpa que poderia ter no início e desenrolar da guerra...

 

Contudo, é curioso constatar que estão visão, mencionada por Eurípides, era extremamente infrequente já na Antiguidade. Com excepção de Heródoto e deste autor mais ninguém refere essa possibilidade, e mesmo autores mais tardios ignoram-na quase totalmente...

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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