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Um dos mais belos locais romanos para visitar em Portugal é Conímbriga, perto da moderna Coimbra e a cerca de 2Km de Condeixa-a-Nova. Já cá falámos anteriormente deste local, mas podem agora ser encontrados alguns factos adicionais, bem como interessantíssimas reconstruções 3D de alguns locais da cidade, neste link.

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Muitas das histórias de fantasia dos nossos dias tomam partido das figuras das "fadas". E de facto, quando ouvimos essa palavras ficamos, automaticamente, com um conjunto muito específico de características em mente - criaturas pequenas, com asas, mágicas, que vivem nos bosques, etc. Mas de onde vem essa ideia?

 

Por estranho que nos pareça, as fadas não têm uma origem na literatura da Antiguidade. De facto, de todas as obras que nos chegaram, apenas as Núpcias de Mercúrio e Filologia parecem fazer uma breve referência a elas, quando identificam como "longaevi" (i.e. "com muita idade") os seres que viviam nas florestas, entre os quais se contavam os faunos, ninfas, e outras criaturas semelhantes. Mas o autor nunca diz que aí existiam, especificamente, seres que se chamassem "fadas", e recordando que Marciano Capela foi um autor do século V da nossa era - um dos últimos da grande Roma - o seu silêncio em relação ao tema é muito esclarecedor.

 

Nos séculos seguintes as figuras das fadas parecem nascer e crescer progressivamente, mas sem que se saiba especificamente o que aconteceu. As suas características específicas vão sendo apresentadas e assimiladas por diversos autores - o facto destas criaturas serem "longaevi", de terem uma estatura indefinida mas indisputavelmente mais pequena que a dos humanos, etc - mas sem que alguma vez possamos apontar um momento totalmente preciso para a primeira referência concreta a uma fada composta pelas mesmas características que lhes damos hoje.

 

Quererá isto dizer que as fadas simplesmente apareceram na literatura da Idade Média "porque sim", sem que saibamos realmente como isso aconteceu? Mais ou menos... existem algumas teorias interessantes sobre o tema. Apenas para dar um breve exemplo, C. S. Lewis, na sua obra The Discarded Image, refere quatro possibilidades:

 

- As fadas são uma espécie racional de um terceiro tipo, diferente dos anjos e dos homens;

- As fadas são "anjos caídos", mas pertencentes a um grupo diferente do comandado por Lúcifer;

- As fadas são uma classe muito particular de mortos;

- As fadas são demónios.

 

Cada uma destas teorias tem muito que se lhe diga, mas todas elas assentam na ideia de que as fadas não apareceram, pura e simplesmente, na nossa cultura como brotantes de um vazio. A sua ideia-base, bem como a forma como as suas características se foram desenvolvendo, assenta num conjunto de crenças que até podemos associar a outras figuras anteriores, desde os deuses gregos e romanos até a figuras místicas e eventos mais associadas ao Cristianismo.

 

Em termos de conclusão, não temos a certeza absoluta de como a ideia das "fadas" surgiu na mente popular. Sabemos, porém, é que essas figuras nasceram algures na Idade Média e foram tendo as suas características apuradas ao longo dos séculos, até chegarem aos nossos dias numa forma que nem sempre tem a ver com as suas características originais.

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Estas duas expressões têm significados quase opostos, sendo aqui associadas por essa razão.

"A primeira andorinha" apresenta-nos este animal como o símbolo da primavera, na medida em que, ainda hoje, quando começamos a ver as primeiras andorinhas nos céus, mais facilmente nos apercebemos da chegada dessa estação do ano. A sua mais antiga referência que temos pode vir dos Cavaleiros de Aristófanes, em que é dito que um dado evento tomou lugar "antes da chegada das andorinhas", ou seja, como prévio a essa altura do ano.

A segunda expressão, em latim "hirundo non facit ver", transporta-nos a uma ideia quase inversa, na medida de que a presença de uma só andorinha não pode significar, por si só, a chegada da primavera - é precisamente isso que já Aristóteles nos dizia, na sua Ética a Nicómaco, quando afirmava que essa presença, "como a de um único dia de sol", não era um símbolo fidedigno da chegada de toda essa nova estação.

 

Se bem que de formas opostas, estas duas expressões levam-nos à importância de não tomar o todo somente por uma das suas partes. São ambas de uma beleza e simplicidade singular, sendo provável que essa se tenha tratado de uma das razões para terem chegado aos nossos dias.

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Apesar de pequeno, este vídeo é certamente interessante para os mais novos!

 

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Erasmo de Roterdão diz-nos que "falar às paredes" (ou aos muros) é algo que os amantes muito tendiam a fazer, e sabemos que esse acto até é uma parte importante da trama do mito de Píramo e Tisbe (ver aqui), mas o autor não nos dá qualquer fonte explícita para a sua informação, frisando apenas que a expressão já ocorria numa das peças de Plauto. O seu significado é simples - "falar às paredes" é o mesmo que fazer algo de muito absurdo, sem qualquer sentido real.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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