Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Qualquer pessoa que conheça as histórias do Antigo Testamento estará bem familiarizado com a sequência de eventos que liga um faraó do Egipto a Moisés, e a forma como através da influência do profecta o povo judaico foi libertado da sua grande escravidão (depois deambulando no deserto por 40 anos, mas isso já é aqui secundário). Porém, poucos parecem interrogar-se sobre a identidade do monarca, quase como se o considerassem uma figura puramente mítica. Mas será que o é?

 

Não existem provas indisputáveis seja para o afirmar ou negar, mas sabe-se que o Egipto teve, famosamente, um monarca monoteísta, Akhenaten. Sobre ele existem diversas opiniões na literatura - alguns afirmam que ele teria sido o próprio Moisés; outros, que a figura cristã podia ter sido o seu irmão Tutmose (o texto afirma que as duas figuras foram criadas "como irmãos"), que desapareceu dos registos; e até existem aquele que afirmam que Moisés poderá ter sido um sacerdote desse mesmo culto monoteísta que, posteriormente, foi expulso do Egipto. Não temos forma de saber se estas teorias vão além disso, de meras hipóteses, mas não deixa de ser curioso que o Antigo Egipto tenha tido um único faraó monoteísta, cujo culto quase que nasceu e morreu com ele. É invulgar, demasiado invulgar para se poder acreditar que isso aconteceu apenas "porque sim". Por isso, se a história de Moisés tem um fundo de verdade, faz todo o sentido que ela seja ligada ao culto (solar, relembre-se!) originado por Akhenaten.

 

Que opiniões têm sobre o tema?

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

A corrida entre uma lebre e uma tartaruga, extremamente famosa das fábulas de Esopo, é ainda hoje conhecida por todo o mundo. Por isso, quem nunca se interrogou sobre a verosimilhança desse mítico confronto? Quem nunca se interrogou se é mesmo possível uma veloz lebre ser derrotada por uma lenta tartaruga? Hoje, mostramos a resposta, porque, como diz a sabedoria popular, "uma imagem [ou, neste caso, um vídeo] vale mil palavras".

 

 

Porém, fica também uma pequena questão - o que terá acontecido à tartaruga? Terão existido outras corridas após esta famosa vitória?

 

 Fontes

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

O mito de Ifis

01.09.17

São poucos os mitos gregos que abordam o tema de uma possível transexualidade, e o de Ifis é provavelmente o menos conhecido.

 

Conta-nos Ovídio que Ligdo não queria ter um filho, pelo que quando a sua esposa engravidou este lhe ordenou que caso desse à luz uma menina deveria matá-la. Como qualquer mulher Teletusa ficou em pleno desespero, mas alguns deuses egípcios surgiram-lhe num sonho e pediram-lhe que criasse a criança, já que eles fariam com que tudo corresse bem.É evidente que esta futura mãe seguiu as indicações divinas.

Vários anos mais tarde, quando a jovem Ifis [atente-se no nome masculino] se preparava para casar, também o seu estado de desespero a levou a dirigir-se aos deuses, num lamento curiosíssimo reproduzido pelo poeta latino. Foi Isis que a transformou num homem, permitindo o casamento, mas o mito pouco mais nos diz sobre a vida desta figura.

 

A presença de diversas divindades egípcias tornam este um mito curioso. É provável que o poeta só o conhecesse em segunda mão, até pelo facto de muitas perguntas ficarem por responder, dando uma sensação de se tratar de uma rescrita. Nenhum outro autor menciona este mito, nem sabemos se Ifis estava totalmente de acordo com esta metamorfose (amaria ela a sua futura esposa? Não é totalmente claro), mas existem várias outros mitos em que mulheres eram transformadas em homens, de que o caso de Ceneia/Ceneu é o mais famoso.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quando, nos primeiros séculos da nossa era, os autores cristãos se insurgiram contra as crenças das religiões pagãs, apontavam essencialmente uma grande falha nesses antigos cultos - os deuses (de Zeus e Hércules, passando por Baco, Mitras e incontáveis outros) nada tinham de divinos, eram apenas meros mortais que, após a morte e em virtude das suas boas acções em vida, tinham ficado imortalizados na memória dos homens. O tema já aqui for abordado diversas vezes, mas... inesperadamente, nessa sua refutação os mesmos autores também estavam a perpetuar uma outra ideia, a do herói enquando figura civilizadora, na medida em que estes trouxeram uma simbólica luz ás trevas da humanidade.

 

 

Recentemente, essa ideia pôde ser vista no filme Moana da Disney (parcialmente reproduzido acima), em que o semi-deus polinésio Maui relata os vários benefícios que trouxe à humanidade. É um momento curiosamente inesperado, mas num contexto dos mitos provindos da (nossa?) Antiguidade devemos apontar que o mesmo também se pensava em relação a figuras como Hércules, Apolo ou Thoth. Todos eles tinham trazido "algo" de bom, desde a destruição de monstros que habitavam em lugares obscuros à criação das letras. Os autores cristãos nunca negam isso, mas dizem que venerar essas figuras nada tinha de positivo, na medida em que elas agora já nada podiam fazer para ajudar a humanidade. Mais do que pretender o esquecimento total dessas figuras, queriam era remover a sua função religiosa, tornar a fazer dessas figuras meros homens. E, de alguma forma, conseguiram-no - os Ulisses de Dante ou de James Joyce já não são as mesmas figuras que entravam nos versos de Homero e de Ovídio, mas uma mera sombra do seu papel original.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um dos elementos mais invulgares do mito que une Perseu a Medusa é o facto de nos ser dito, repetidamente, que apesar de esta figura feminina ter outras duas irmãs, apenas ela era mortal. A que se deverá essa distinção? Podíamos pensar que, como numa versão de Ovídio, esta figura foi originalmente uma mulher que em virtude do orgulho excessivo nos seus cabelos acabou transformada no monstro, mas isso não explicaria a existência de irmãs.

 

Esta é uma questão tudo menos fácil. As duas outras górgones, Esteno e Euríale, não são mencionadas em qualquer outro mito, e a sua relação com Perseu prende-se somente com o facto de terem perseguido o herói quando este atacou Medusa. Nunca mais são referidas, se tivermos em conta que já eram conhecidas nos tempos da poesia de Hesíodo, é possível que tivessem tido outros papéis em mitos/religiões mais antigos. Qual era esse papel já não fazemos qualquer ideia, e nenhuma prova nos chegou da Antiguidade que nos permita discortinar esta questão.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)


Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog