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O mito grego de Pirra e Deucalião é particularmente famoso por conter a referência a um dilúvio semelhante aos de histórias como as de Gilgamesh e Noé. No seu cerne conta-nos que Zeus, cansado dos constantes erros da humanidade, decidiu destruir tudo o que existia por meio de uma enorme cheia, poupando exclusivamente o casal constituído por Deucalião e Pirra em virtude da sua devoção religiosa. Depois dessa destruição os animais foram (magicamente?) recriados da própria terra, enquanto que os seres humanos tornaram a nascer de pedras lançadas pelo casal - as atiradas por Deucalião criaram novos homens, enquanto que as atiradas por Pirra geraram novas mulheres.

 

Estes são os elementos básicos do mito, mas é curioso que as fontes que o recontam adicionam, aqui e ali, outras informações, como a possibilidade do casal também ter levado alguns animais consigo, ou ter escapado num enorme barco, fazendo com que a história se assemelhe ainda mais ao nosso famoso dilúvio de Noé.

 

Face às semelhanças dessas diversas histórias, somos sempre levados a perguntar se teriam alguma fonte comum. Será que existiu, em tempos muito antigos, um dilúvio de proporções quase inimagináveis, depois preservado pelas diversas culturas nas suas histórias particulares? Muitas são as evidências de que isso até possa ter acontecido, mas não podemos ter a certeza absoluta. Pelo sim, pelo não, mais vale termos algum cuidado com os efeitos do aquecimento global...

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As muitas seduções de Zeus são provavelmente um dos aspectos mais conhecidos dos mitos gregos. Porém, este deus raramente encantava as mulheres na sua forma real - de facto, quando Sémele pediu para o ver em toda a sua glória olímpica acabou destruída. Mas então, que formas adoptou Zeus? Ovídio, nas suas Metamorfoses, faz uma pequena lista:

- Um touro, para Europa;

- Uma águia, para Astéria (esta forma do mito não nos chegou);

- Um cisne, para Leda;

- Um sátiro, para Antíope;

- Anfitrião, para Alcmena;

- Uma chuva de ouro, para Dánae;

- Uma chama, para Égina (esta forma do mito não nos chegou);

- Um pastor, para Mnémosine (esta forma do mito não nos chegou);

- Uma cobra, para Proserpina (esta forma do mito não nos chegou).

 

Pouco sabemos sobre quatro destes mitos, mas a forma como o poeta os entrelaça nos restantes leva-nos a acreditar que se teriam tratado de histórias famosas na sua época, bem conhecidas dos seus conterrâneos.

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Licáon, também conhecido como Licaão ou Licaonte, foi o primeiro rei da Arcádia (no Peleponeso). O mais famoso de todos os seus mitos conta-nos como esta figura, numa altura em que os deuses e os seres humanos ainda coexistiam num mesmo plano, matou o próprio filho e serviu-o num banquete a Zeus, tentando testar os poderes deste deus. Como é natural, a figura divina rapidamente se apercebeu do que se passava, transformando o rei num lobo e trazendo de volta à vida o falecido.

 

Se a identidade do jovem até varia entre versões do mito, existe quase sempre uma relação directa entre o rei e o sacrificado, sendo até possível que a história tenha um fundo de verdade, preservando vestígios de um tempo em que os seres humanos ainda eram sacrificados aos deuses (ver, por exemplo, isto).

 

Outro aspecto curioso deste mito é o facto de se dizer que este monarca tinha 50 filhos - a Biblioteca de Apolodoro lista os seus nomes, mas não reconta as aventuras de cada um deles, sendo possível que tenham estado mais associados a mitos etiológicos.

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Por mais estranho que isto hoje nos possa parecer, "Puta" parece ter sido uma deusa romana que presidia à poda das árvores. Só é mencionada por Arnóbio, no seu Contra as Nações (já falado aqui), sendo provável que essa informação tenha vindo da famosa obra de Varrão. Nada mais nos é dito sobre esta figura mitológica, mas - sem qualquer apoio de informação real - alguns autores parecem considerar que as sacerdotisas desta deusa se prostituíam, o que supostamente teria levado ao seu uso pejorativo ao longo dos séculos.

 

Têm esses autores razão? A resposta é um ressonante "não!", não só pela falta de informação real que apoie essas linhas, mas também pelo próprio contexto da referência na obra de Arnóbio - surge numa sucinta referência a diversas divindades, como Peta (deusa das preces), Patelana e Patela (deusas das coisas reveladas e ainda por revelar) ou Noduterense (deus associado à separação do grão), entre outros. Nada mais nos é dito sobre cada uma dessas figuras divinas, sendo apenas dadas por mero exemplo - o autor continua o seu argumento apontando a estranheza que é ter divindades associadas a todas as coisas - "Osílago, que dá aos ossos a sua solidez, não teria nome [se não existissem ossos]? (...) Existem deuses encarregados de coisas que ainda não foram criadas?".

Em suma, tratando-se Arnóbio de um autor cristão, se à deusa Puta fosse associado um culto sexual, certamente que isso também seria mencionado na sua obra - e nunca o é.

 

Mas então, de onde virá a nossa palavra "puta"? Um dicionário consultado diz que esta palavra tem "origem controversa", e se não somos capazes de apontar essa origem - até porque etimologias não são a nossa especialidade - podemos é afirmar, sem quaisquer dúvidas, que não provém desta obscura deusa romana.

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Íbico foi um famoso poeta da Antiguidade, mas uma pequena história (provavelmente fictícia) conta-nos as condições em que teve lugar a sua morte.

 

Quando Íbico ia numa estrada foi atacado por ladrões e deixado a morrer. Olhando os céus, o poeta viu alguns grous e pediu-lhes que vingassem a sua morte. Alguns dias depois, num teatro a céu aberto, surgiram alguns grous, levando um homem, naturalmente muito preocupado, a gritar "Os vingadores de Íbico estão aqui!". Claro que foi rapidamente capturado, confessando o seu crime e divulgando a identidade dos seus companheiros, fazendo com que todos os perpetradores pagassem pelo seu crime com a morte.

 

Terá Íbico realmente sido vingado pelos seus amigos alados? É uma questão que fica - não temos quaisquer provas a favor ou contra esta versão dos acontecimentos.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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