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Esta obra, de autoria desconhecida, diverge de uma mais famosa, a de Apolónio de Rodes (já cá tratada anteriormente), pelo facto de terem ênfase em pontos bastante diferentes. Claro que ambas as obras tratam o mesmo mito, o de Jasão e os Argonautas, mas se o texto de Apolónio parece contar toda a história, de uma forma geral, já esta pequena obra conta-a do ponto de vista, e através da voz, de Orfeu. Após uma pequena introdução, "Orfeu" começa então a contar a sua história a Museu, que parte do momento em que é convidado para se juntar aos Argonautas, e segue a trama até ao seu regresso a casa. Ainda assim, a história aqui constante não é, precisamente, a de Apolónio, e existem pelo menos dois momentos em que as duas obras se afastam.

 

O primeiro desses momentos toma lugar pouco depois de Orfeu se juntar aos Argonautas. Juntos, vão visitar Quíron, e ocorre um pequeno concurso de música, em que o centauro canta a batalha contra os Lápitas, e Orfeu responde cantando (caso estejam curiosos, em ambos os casos é apenas feita uma alusão ao canto, e este não é recontado) a origem do mundo, dos deuses e dos humanos, e das várias raças dos homens, canto esse que enfeitiça não só os vários animais da região como, parece, o próprio Quíron. A esse concurso segue-se um pequeno encontro do jovem Aquiles com o próprio pai.

 

O segundo momento é o de quando Orfeu e Medeia enfeitiçam o dragão que guarda o velo de ouro. Se, na versão de de Apolónio, este evento é simples, já aqui prolonga-se por várias páginas, sendo o ritual de Medeia e de Orfeu descrito de uma forma quase real.

 

Com base nestes momentos, parece-me justo considerar que o autor, fosse ele quem fosse, essencialmente pegou no mito de Jasão e os Argonautas e expandiu alguns dos momentos mais associados a Orfeu, além de adicionar alguns novos episódios à história. Porém, ele também não fez só isso, já que episódios fulcrais em toda a trama - por exemplo, o desaparecimento de Hércules, os desafios feitos a Jasão em Colchis, ou o casamento do herói com Medeia - são quase postos de parte, e resumidos em pouco menos de uma ou duas linhas.

No geral, esta é uma obra interessante, mais rápida que a de Apolónio, e que até pode ser lida em uma ou duas horas.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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