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Esta Carta a Aristeias, também conhecida por Carta a Filócrates, foi escrita por volta do século II a.C. , e vários são os aspectos que a tornam importante. É, por exemplo, nela que é feita a mais antiga das referências à Biblioteca de Alexandria, em relação à qual nos é dito que um tal Demétrio de Faleros foi incumbido da compilação de documentos para o espaço. Entre muitas outras obras ele necessitava dos textos sagrados judaicos, e é essa imprescindibilidade que tem o papel principal nesta epístola.

São aqui feitas algumas descrições de alguma importância, e é depois descrito o processo como 72 tradutores (seis elementos de cada uma das 12 tribos judaicas) são incumbidos de fazer a primeira tradução dos textos hebraicos para o grego, originando a edição a que, em memória dos seus tradutores, ainda hoje chamamos Septuaginta.

 

Se estas informação basilares são relativamente conhecidas, a segunda parte do mesmo texto nem tanto o é. O rei do Egipto, tendo então todos esses 72 sábios judaicos na sua corte, decide fazer-lhes algumas perguntas, às quais todos eles respondem demonstrando a sua sabedoria de Deus e do mundo. A um deles é perguntado o que é melhor na vida, ao que ele responde:

Saber que Deus é o Senhor do Universo, e que no melhor que fazemos não somos nós que atingimos o sucesso mas Deus, que pelo seu poder realiza todas as coisas e nos leva ao nosso objectivo.

 

A outro é perguntado qual a verdadeira marca da piedade:

Perceber que Deus trabalha constantemente no Universo e conhece todas as coisas, e que nenhum homem que aja injustamente e com maldade pode escapar à Sua atenção. Como Deus é o benfeitor de todo o mundo, também tu deves imitá-Lo e não cometer ofensas.

 

A um terceiro é perguntado em que circunstâncias devemos sentir mágoa:

Nos infortúnios que se abatem sobre os nossos amigos, quando vemos que são prolongados e irremediáveis. A razão não nos permite sentir mágoa por aqueles que estão mortos e livres do mal, mas todos os homens sentem mágoa em relação a eles porque pensam apenas em si próprios e no seu próprio proveito. É apenas pelo poder de Deus que podemos escapar a todo o mal.

 

Muitas outras questões desta natureza são postas neste texto, algumas mais interessantes que outras, mas certamente que nos levam a pensar na ideia de que, mesmo passados todos estes séculos, as preocupações da humanidade ainda se parecem manter muito semelhantes, com estas respostas judaicas a serem muito semelhantes às dos teólogos cristãos modernos. É, mais do que a breve história da criação da Septuaginta, talvez essa a grande lição a retirar deste texto.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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