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Esta história é-nos contada por Cláudio Eliano. Segundo ele, existiu em tempos uma cidade em que um tirano tinha imenso medo de conspirações e potenciais atentados à sua vida. Então, decidiu impor uma lei segundo a qual os habitantes não poderiam falar uns com os outros, fosse em público ou em privado.

Desconhecemos como o tirano poderá ter assegurado a segunda parte dessa sua lei, mas a população acabou por aceitá-la. Em alternativa, os cidadãos começaram então a comunicar através de gestos, resolvendo as suas necessidades diárias como se de charadas se tratassem. Mas, inesperadamente, este bloqueio de comunicação verbal ainda não era suficiente para o tirano - ele passou a pensar que, mesmo através de gestos, ainda seria possível aos cidadãos conspirarem contra si. E então, decidiu criar uma outra lei, esta que impedisse qualquer espécie de gestos corporais.

Visto que seria (quase) impossível aos cidadãos viverem desta forma, um deles, potencialmente deprimido, dirigiu-se para o mercado e começou a chorar. Um segundo juntou-se a ele. Um terceiro, e assim por diante. Logo que soube do que se passava, o tirano dirigiu-se ao mercado com alguns soldados, para tentar matar os culpados de um tão estranho evento. Contudo, os cidadãos revoltaram-se, agiram primeiro, e mataram o tirano, recuperando toda a sua liberdade original!

 

Esta história, que até poderá ter um pequeno fundo de verdade, atesta-nos a capacidade humana para se adaptar face às adversidades. Como comunicar, quando não é possível fazê-lo da forma que mais esperávamos? Fica essa breve questão em que se pensar.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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