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Hoje festeja-se por estes lados, mas indo ao que importa, uma obra de Pseudo-Calístenes sobre a história de Alexandre Magno. Tão interessante quanto estranha, esta obra conta toda a vida de Alexandre Magno de uma forma que une, constantemente, mito com realidade.

Começa com a fuga de um rei Netcanebo (presumivelmente será Nectanebo II, último faraó do Egipto) da sua terra natal; com recurso a magia, este finge ser Amon e engravida Olímpia, a esposa de Filipe da Macedónia, e é dessa relação que nascerá Alexandre. A obra continua, contando muitos dos famosos episódios da vida deste, mas tudo se começa a tornar mais estranho à medida que o herói se aproxima das terras da Índia, onde vai encontrando criaturas e locais cada vez mais estranhos. É morto um unicórnio, o exército luta até contra lagostas gigantes, são encontradas plantas e pássaros que profetizam com voz humana, e outros tantos episódios que, como parecerá óbvio, não tiveram lugar. A obra termina um pouco depois da morte deste filho de Filipe da Macedónia.

Do ponto da vista dos mitos gregos, há também um momento da obra que me parece ter especial relevância. Quando Alexandre ataca Tebas, em defesa desse local um nativo conta toda a história mitológica da cidade, e que deveria fazer dela um local importante para o próprio herói. Este rejeita essa argumentação e acaba por destruir a cidade, mas esse passo do texto permite-nos constatar, mesmo de uma forma potencialmente ficcionada, a riqueza mitológica de um local, até porque alguns dos mitos aí mencionados são, para nós, bastante mais obscuros do que se poderia pensar.

Este texto, ainda assim, merece é ser lido pela sua importância cultural, já que foi, através da sua tradução latina, uma das principais fontes de mitos de Alexandre Magno na Idade Média.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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