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Recentemente foi-nos pedido um mito sobre a avareza e a fortuna. Várias poderiam ter sido as hipóteses, mas optámos por um que, por muito estranho que pareça, nunca cá foi abordado directamente ao longo dos anos - a história de Creso. E chamamos-lhe "história" pelo facto de ter indiscutivelmente um fundo de verdade, mais ou menos pequeno de acordo com o estudioso que pretendam ouvir.

 

Creso foi um dos mais famosos monarcas da Antiguidade, sendo as riquíssimas ofertas que fez ao santuário de Delfos referidas por múltiplos autores. Um dia foi visitado por Sólon, um grande filósofo grego, a quem decidiu perguntar se existia alguém mais afortunado que ele. Sólon respondeu-lhe com as histórias de Telo e de dois irmãos (Cleóbis e Bíton), dizendo-os mais afortunados que o rei, antes de concluir com um enorme aviso, que ficou para a história - "Creso, não contes nenhum homem como afortunado até ao dia da sua morte", para grande desprazer do rei.

Algum tempo mais tarde Creso decidiu visitar o oráculo de Delfos, onde perguntou ao deus Apolo se deveria atacar a Pérsia. A resposta, também ela, ficou para a história - "Creso, se atacares um grande império será destruído".

Creso decidiu, com base nessa resposta divina, atacar a Pérsia. Foi derrotado e condenado por Ciro o Grande, rei da Pérsia, a morrer numa fogueira. Os pormenores restantes divergem entre as fontes, mas numa das versões mais famosas o rei gritou "Sólon! Sólon! Sólon!". Ciro mandou apagar a fogueira (ou esta foi apagada com a intervenção divina de Apolo) e pediu uma explicação para as estranhas palavras...

 

Só aqui apresentamos o cerne da história, que pode ser vista de forma mais detalhada nas Histórias de Heródoto, pelo facto de ser bastante relevante para o pedido que nos foi feito. Ilustra perfeitamente um grande problema em todas as sociedades, o facto das pessoas raramente pensarem no amanhã, como se a vida fosse estável e eterna. Sólon tentou avisar Creso que a sua fortuna não duraria para sempre, mas o rei nunca o quis ouvir. Também nós, demasiadas vezes, nos recusamos a ouvir o que nos dizem, focando-nos, como Creso, também só naquilo que confirma as nossas expectativas. O aviso de Sólon, por muito que nos seja repetido, poucas vezes é ouvido. E depois, como o rei, quando já é tarde demais, repetimos "Sólon!"...

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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