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A Lítica, ou Sobre as Gemas, é um pequeno poema, de menos de 1000 versos, em que um narrador anónimo, "por ordem dos deuses", ensina as propriedades e simbologia de várias gemas, justificando algumas das suas características com episódios de mitos. Por exemplo, em relação a uma pedra que curava as mordeduras de cobra, o autor dá o exemplo da cura de Filoctetes.

 

Esta obra, cujo objectivo e justificação aparece mencionado explicitamente numa primeira parte, é atribuída por Tzetzes ao mítico Orfeu, mas essa também é uma atribuição que dificilmente estará correcta. Se esta obra aparece muitas vezes associada à Argonáutica Órfica (de que já se falou aqui), enquanto que nesse outra texto o sujeito poético se identifica directamente como Orfeu, já nesta isso não sucede; mesmo falando na primeira pessoa, o sujeito poético nunca diz, ou dá a entender, quem seja, e tratando-se ele de Orfeu, mesmo que em mero espírito poético, ser-lhe-ia demasiado fácil e natural, mas um tanto ou quanto absurdo, mencionar isso quando refere o episódio do decepamento do famoso músico. Além disso, um dado verso pode dar a entender que o autor era originário da cidade de Tiro, mas a afirmação em que me baseio (a uma dada figura mitológica, relativamente obscura, é chamado "mãe") não é totalmente segura, podendo tratar-se de uma mera afirmação de índole poética.

 

Não posso deixar de dizer, contudo, que esta é uma obra que me pareceu bastante pobre. Tem uma ou outra afirmação que poderão parecer importantes para quem estudar as gemas na Antiguidade, mas essa é a mesma informação que outros autores, como Plínio o Velho, também mencionam, e eles fazem-no de uma forma bem mais directa.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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