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O grande tema da Ilíada é, como se sabe, a cólera de Aquiles, que ocorre na sequência de uma querela deste herói com Agamémnon. É famoso esse episódio, mas a Odisseia, no seu livro VIII (vv.75-85?), também faz uma pequena referência a uma outra zanga do filho de Tétis, desta vez com Odisseu (ou Ulisses, ou o que lhe queiramos chamar). Não nos é contado o que se terá passado, excepto que o episódio tomou lugar durante um sacrifício, e que Agamémnon já antes tinha recebido um oráculo que predizia essa ocorrência.

 

Como é costume, estas linhas não estariam a ser escritas se não houvesse algo para acrescentar. Se o autor dos Poemas Homéricos nunca nos conta o que se passou, já um escólio presente nos textos dá-nos algum conteúdo adicional; de acordo com essa fonte menos conhecida, esta era uma zanga que tinha ocorrido aquando de uma discussão sobre a forma como Tróia devia ser tomada. Por um lado, Aquiles argumentava que a força seria suficiente, por outro Odisseu pôs-se em favor de uma conquista recorrendo a subterfúgios.

 

Não sabemos quem saiu vitorioso, ou sequer a fonte que continha este episódio, mas, pensado na trama de toda a guerra podemos constatar que, de alguma forma, este é um confronto cujas repercussões vão sendo vistas aqui e ali; pense-se até que, se a Ilíada é o poema de Aquiles e de Heitor, o que mais a popula são confrontos guerreiros, já a Odisseia é uma versificação dos muitos esquemas de Odisseu. E como correu a guerra para ambos? Se, na primeira destas obras, são as forças guerreiras que imperam, numa sequência que, muito provavelmente, terminava com a morte de Aquiles, é após esse momento que a figura do outro Aqueu se parece começar a tornar mais importante, e acaba até por ser um dos planos do marido de Penélope, a construção do cavalo de madeira, que leva à conquista da cidade de Príamo.

 

Poderia repetir, novamente, que desconhecemos quem saiu vitorioso, mas o que é certo é que, em termos práticos, foi a sugestão do opositor do Pelida que levou à conquista de Tróia. Qualquer que tenha sido o desenrolar do obscuro debate, o vencedor aquando do término da guerra foi, indubitavelmente, Odisseu.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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