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Esta obra de Plutarco, que faz parte da Moralia (essa obra tem mais de 50 textos sobre diferentes temas, e outro deles é este), não só explica como os adolescentes devem estudar poesia como diz, igualmente, o porquê de o deverem fazer. Claro que a obra se aplicava aos adolescentes de então, mais do que aos de hoje, até por se focar em aspectos muito específicos da poesia, que se foram alterando ao longo dos séculos que passaram desde então.

 

A referência, por cá, a este texto parte de muito do que o autor diz nessa obra, mais concretamente em relação à forma como a poesia, e os mitos gregos, deviam ser lidos e interpretados. Agora, se tivermos em conta que Plutarco escreveu por volta do século I d.C., é curiosa a forma como o conteúdo da obra contrasta com a forma como os autores cristãos, mais tardios, viam as mesmas obras. Se os segundos criticavam, por exemplo, a abominação das traições de Zeus, ou os muitos episódios horrendos de vários mitos, Plutarco insiste na importância de se saber interpretar esses mesmos episódios, através de algumas estratégias por ele dadas. O autor nunca diz que se devam seguir os exemplos das traições de Zeus, mas sim que essas são fantasias (literárias) dos poetas, e que portanto não devem ser seguidas, mas sim ser uma fonte de lições pela negativa, modelos do que não se deverá fazer. Não é essa a única estratégia que aponta, obviamente, mas no contexto deste espaço é de especial relevância essa menção, pelo facto de contrastar, de uma forma crucial, com a interpretação que, nos séculos seguintes, os autores cristãos viriam a dar aos mitos gregos e latinos.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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