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Nesta obra, Boécio, muitas vezes considerado como o último dos autores da Antiguidade, passa por uma experiência interessante, na medida que, num momento de enorme dor, dá por si a interrogar-se sobre o sentido da existência humana. Surge-lhe, então, a Filosofia sob a forma de uma mulher, que o leva a compreender o porquê de determinados eventos ocorrerem de uma forma específica, que nem sempre nos pareceria a mais justa ou compreensível, aos olhos dos seres humanos.

 

Poderia, portanto, pensar-se que esta obra estaria pejada de referências aos antigos deuses, à ideia do Destino, mas esta é uma obra que, quase sempre, parece falar de uma figura divina, mais do que de um conjunto de expressões mais próprias de um politeísmo. Isso até nos poderia levar a concluir que Boécio já era um cristão, mas, ao mesmo tempo, também não aqui existe qualquer evidência palpável e indisputada disso mesmo. O autor parece, então, preso entre uma concepção do divino que, em dados momentos, o aproxima mais do Paganismo (em particular, através da Filosofia personificada, de referências às musas, etc.), e momentos em que se assemelha a um cristão, na sua ideia de um único deus.

 

Além disso, esta é uma obra que tem alguns momentos interessantíssimos, mas, também, outros momentos que se apresentam como complexos e de difícil compreensão, como quando o autor parece argumentar que algumas respostas estão vedadas às inteligências humanas. E, nesse contexto, também é um texto pouco gratificante, já que o autor pega num tema de grande importância e, infelizmente, nem sempre o concretiza da melhor forma.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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