urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia Mitologia em Português alguém alguém 2018-01-22T10:06:00Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:206651 2018-01-22T10:06:00 O que nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? 2018-01-20T19:26:57Z 2018-01-20T19:26:57Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://montanhadesisifo.files.wordpress.com/2013/08/chicken-and-egg.jpg" alt="" width="260" height="260" /></p> <p>"O que nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?" - quem nunca se fez essa pergunta? É, de um ponto de vista filosófico, uma das questões que até hoje mais parece ter assolado a humanidade, mas um dos tratados de Censorino, referindo-se às opiniões de alguns filósofos, dá uma possível solução - diz-nos então que as coisas que existem nunca tiveram um princípio e jamais terão um término. Não nos é explicado, directamente, como isso iria influenciar a questão, mas é provável que estivessem a referir que nunca existiu um ovo de onde tenha nascido a primeira galinha, ou uma galinha que tenha posto um primeiro de todos os ovos.</p> <p> </p> <p>Portanto, permanece a questão - quem nasceu primeiro, afinal de contas? Fica, como sempre, o convite para que partilhem as vossas opiniões nos comentários!</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:199476 2018-01-18T08:57:00 "A verdade no vinho" 2017-11-02T19:37:08Z 2018-01-18T08:54:04Z <p>Como diziam os antigos, <em>in vino veritas</em>, ou seja, a verdade podia ser obtida através da influência do vinho.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="http://cdn.lemonandolives.com/wp-content/uploads/2015/05/Dionysos.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p> <p>A expressão leva-nos essencialmente à ideia, difícil de refutar, de que as pessoas que já beberam demasiado frequentemente revelam muito mais do que deveriam, chegando até ao ponto de dizer coisas que, mais cedo ou mais tarde, até acabarão por prejudicá-las. Essa é uma dualidade da bebida do famoso deus que bem pode ser apreciada nas mais diversas obras, entre elas a <em>Dionisíaca</em> de Nono.</p> <p>Mas qual a origem da expressão? Muitos são os autores da Antiguidade que a repetem, não só em letra como em espírito, sendo bastante provável que se tenha tratado de uma expressão muito popular já desde esses tempos. Bebamos, então, aos encantos trazidos pelo deus, mas sem excessos!</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:204104 2018-01-15T05:08:00 Como fazer um manuscrito? 2018-01-04T00:02:47Z 2018-01-04T00:02:47Z <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/nuNfdHNTv9o" width="600" height="338" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0f/68r.jpg/400px-68r.jpg" alt="" width="398" height="190" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:204406 2018-01-12T11:18:00 Porque é que os dragões guardam tesouros? 2018-01-05T20:51:50Z 2018-01-05T20:51:50Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="http://www.rayesdesign.com/themes/dragons/graphics/dg03.jpg" alt="" width="200" height="260" /></p> <p>Muitas são as aventuras, tanto literárias como cinematográficas, dos nossos dias em que os heróis procuram um grande tesouro, apenas para o encontrarem protegido por alguma criatura, tipicamente um dragão. Mas de onde vem essa invulgar ideia, e porque razão estaria uma tal criatura a guardar um tesouro - durante dias, meses, anos, séculos?</p> <p> </p> <p>Para quem estive curioso, a ideia vem de uma das fábulas de Fedro. Segundo este autor, num dado dia uma raposa escavou um buraco e encontrou-se no antro de um dragão. Rodeada pelos maiores tesouros, perguntou-lhe então sobre as circunstâncias da caricata situação, sobre o porquê de ele se encontrar num tal lugar. O dragão respondeu-lhe que Jove (i.e. Júpiter) a isso o destinou, antes da visitante o criticar por ter acesso a uma tão imensa fortuna mas nunca poder tomar proveito dela.</p> <p> </p> <p>A moral por detrás desta fábula é simples de descortinar, mas a sua trama parece ser uma das primeiras referências aos dragões guardarem tesouros, e à razão para tal - fazem-no por a isso estarem destinados, na natural ordem das coisas. Era, para Fedro e como o voltará a ser para autores posteriores, pura e simplesmente o seu destino, aquilo para que tinham sido criados, e se a sua forma física ainda não era a nossa (o <em>drakon</em> dos gregos e romanos era pouco mais do que uma forma de serpente), foi esta base que, a longo prazo, levou a episódios como os que hoje tanto vemos na nossa ficção.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:201760 2018-01-11T07:48:00 "Morrer a rir" 2017-11-17T08:19:04Z 2017-11-19T10:06:45Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://blogs.warwick.ac.uk/images/jackcole/2004/10/29/greek_willy.bmp" alt="" width="260" height="191" /></p> <p>A fama desta expressão pode levar-nos a uma questão invulgar - será que já alguém morreu a rir? Que verdade existe por detrás da ideia? Infelizmente, se autores como Homero, no livro 18 da <em>Odisseia</em>, ou Terêncio até usam expressões a ela muito semelhantes, parecem fazê-lo de uma forma que é exclusivamente metafórica, um puro exagero com o objectivo de indicar que alguém se riu bastante.</p> <p>Nas obras que investigámos parecem ter existido pelo menos duas figuras da Antiguidade que morreram a rir - o pintor Zeuxis, depois de uma velhota lhe ter pedido para ser o modelo por detrás de um retrato de Afrodite, e o filósofo estóico Crísipo, após ver um burro a comer figos (acção que até pontuou com uma piada, "agora dêem-lhe também algum vinho"). Por isso, se até pode existir um caso bem real por detrás de toda a expressão, esta parece ter tido, como ainda hoje, uma essência figurada.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:203656 2018-01-08T09:22:00 Conímbriga de outros tempos 2017-12-26T01:15:04Z 2018-01-08T17:57:24Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="http://www.movenoticias.com/wp-content/uploads/2016/07/conimbriga-a-antiga-cidada-romana-192141.jpg" alt="" width="500" height="219" /></p> <p>Um dos mais belos locais romanos para visitar em Portugal é Conímbriga, perto da moderna Coimbra e a cerca de 2Km de Condeixa-a-Nova. Já cá falámos anteriormente deste local, mas podem agora ser encontrados alguns factos adicionais, bem como interessantíssimas reconstruções 3D de alguns locais da cidade, <a href="https://www.vortexmag.net/viagem-ao-passado-7-videos-que-mostram-a-cidade-romana-de-conimbriga-em-3d/" target="_blank">neste link</a>.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:203982 2018-01-05T09:59:00 A origem das fadas 2018-01-03T20:11:56Z 2018-01-03T20:13:55Z <p>Muitas das histórias de fantasia dos nossos dias tomam partido das figuras das "fadas". E de facto, quando ouvimos essa palavras ficamos, automaticamente, com um conjunto muito específico de características em mente - criaturas pequenas, com asas, mágicas, que vivem nos bosques, etc. Mas de onde vem essa ideia?</p> <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_95TYgMhtU3Y/Si_t__99sII/AAAAAAAAAH8/48BDq1ZV63M/s320/cottingley_4.jpg" alt="" width="320" height="274" /></p> <p>Por estranho que nos pareça, as fadas não têm uma origem na literatura da Antiguidade. De facto, de todas as obras que nos chegaram, apenas as <em>Núpcias de Mercúrio e Filologia</em> parecem fazer uma breve referência a elas, quando identificam como "<em>longaevi</em>" (i.e. "com muita idade") os seres que viviam nas florestas, entre os quais se contavam os faunos, ninfas, e outras criaturas semelhantes. Mas o autor nunca diz que aí existiam, especificamente, seres que se chamassem "fadas", e recordando que Marciano Capela foi um autor do século V da nossa era - um dos últimos da grande Roma - o seu silêncio em relação ao tema é muito esclarecedor.</p> <p> </p> <p>Nos séculos seguintes as figuras das fadas parecem nascer e crescer progressivamente, mas sem que se saiba especificamente o que aconteceu. As suas características específicas vão sendo apresentadas e assimiladas por diversos autores - o facto destas criaturas serem "<em>longaevi</em>", de terem uma estatura indefinida mas indisputavelmente mais pequena que a dos humanos, etc - mas sem que alguma vez possamos apontar um momento totalmente preciso para a primeira referência concreta a uma fada composta pelas mesmas características que lhes damos hoje.</p> <p> </p> <p>Quererá isto dizer que as fadas simplesmente apareceram na literatura da Idade Média "porque sim", sem que saibamos realmente como isso aconteceu? Mais ou menos... existem algumas teorias interessantes sobre o tema. Apenas para dar um breve exemplo, C. S. Lewis, na sua obra <em>The Discarded Image</em>, refere quatro possibilidades:</p> <p> </p> <p>- As fadas são uma espécie racional de um terceiro tipo, diferente dos anjos e dos homens;</p> <p>- As fadas são "anjos caídos", mas pertencentes a um grupo diferente do comandado por Lúcifer;</p> <p>- As fadas são uma classe muito particular de mortos;</p> <p>- As fadas são demónios.</p> <p> </p> <p>Cada uma destas teorias tem muito que se lhe diga, mas todas elas assentam na ideia de que as fadas não apareceram, pura e simplesmente, na nossa cultura como brotantes de um vazio. A sua ideia-base, bem como a forma como as suas características se foram desenvolvendo, assenta num conjunto de crenças que até podemos associar a outras figuras anteriores, desde os deuses gregos e romanos até a figuras místicas e eventos mais associadas ao Cristianismo.</p> <p> </p> <p>Em termos de conclusão, não temos a certeza absoluta de como a ideia das "fadas" surgiu na mente popular. Sabemos, porém, é que essas figuras nasceram algures na Idade Média e foram tendo as suas características apuradas ao longo dos séculos, até chegarem aos nossos dias numa forma que nem sempre tem a ver com as suas características originais.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:199346 2018-01-04T10:30:00 "A primeira andorinha" e "Uma andorinha não faz a primavera" 2017-11-02T19:27:04Z 2017-11-16T05:14:54Z <p>Estas duas expressões têm significados quase opostos, sendo aqui associadas por essa razão.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_kKQuRa_hsSk/ScUXWbOMwiI/AAAAAAAAAM8/ZiwXoBYVVaM/w1200-h630-p-k-no-nu/andorinhas_01.jpg" alt="" width="260" height="173" /></p> <p>"A primeira andorinha" apresenta-nos este animal como o símbolo da primavera, na medida em que, ainda hoje, quando começamos a ver as primeiras andorinhas nos céus, mais facilmente nos apercebemos da chegada dessa estação do ano. A sua mais antiga referência que temos pode vir dos <em>Cavaleiros</em> de Aristófanes, em que é dito que um dado evento tomou lugar "antes da chegada das andorinhas", ou seja, como prévio a essa altura do ano.</p> <p>A segunda expressão, em latim "<em>hirundo non facit ver</em>", transporta-nos a uma ideia quase inversa, na medida de que a presença de uma só andorinha não pode significar, por si só, a chegada da primavera - é precisamente isso que já Aristóteles nos dizia, na sua <em>Ética a Nicómaco</em>, quando afirmava que essa presença, "como a de um único dia de sol", não era um símbolo fidedigno da chegada de toda essa nova estação.</p> <p> </p> <p>Se bem que de formas opostas, estas duas expressões levam-nos à importância de não tomar o todo somente por uma das suas partes. São ambas de uma beleza e simplicidade singular, sendo provável que essa se tenha tratado de uma das razões para terem chegado aos nossos dias.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:203307 2018-01-01T05:40:00 Um desenho animado sobre Midas e o ouro 2017-12-22T23:43:32Z 2017-12-26T01:25:13Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://s3.amazonaws.com/intanibase/iad_screenshots/1935/220/4.jpg" alt="" width="500" height="364" /></p> <p>Apesar de pequeno, este vídeo é certamente interessante para os mais novos!</p> <p> </p> <p class="sapomedia videos" style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/PJ-z0Qsm8k8?list=WL" width="480" height="270" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:198457 2017-12-28T01:02:00 "Falar às paredes" 2017-11-01T01:16:34Z 2017-11-16T05:12:34Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://paulomirandabarreto.files.wordpress.com/2016/04/pipa10.jpg?w=350&amp;h=200&amp;crop=1" alt="" width="350" height="200" /></p> <p>Erasmo de Roterdão diz-nos que "falar às paredes" (ou aos muros) é algo que os amantes muito tendiam a fazer, e sabemos que esse acto até é uma parte importante da trama do mito de Píramo e Tisbe (ver <a href="http://mitologia.blogs.sapo.pt/12451.html" target="_blank">aqui</a>), mas o autor não nos dá qualquer fonte explícita para a sua informação, frisando apenas que a expressão já ocorria numa das peças de Plauto. O seu significado é simples - "falar às paredes" é o mesmo que fazer algo de muito absurdo, sem qualquer sentido real.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:202791 2017-12-22T09:41:00 "Quimera" 2017-11-19T09:59:37Z 2017-11-19T09:59:37Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b3/Chimera_Apulia_Louvre_K362.jpg" alt="" width="260" height="260" /></p> <p>Nos seus <em>Adágios</em> Erasmo dizia que "Quimera" era um epiteto que se poderia dar a um homem que é inconstante, instável, imprevisível. A mesma expressão também podia ser usada - como hoje - relativamente a obras literárias de conteúdo incoerente (i.e. um "texto quimérico"), mas quem era, final de contas, a figura mitológica por detrás deste conceito?</p> <p> </p> <p>Dizem-nos diversos autores que a quimera era um monstro mitológico composto por partes de diversos animais, frequentemente (e como pode ser visto na imagem acima) um leão, uma cabra e uma serpente. Era também filha dos monstruosos Tífon e Equidna, mas o mito mais famoso que temos em relação a ela passa pelo seu combate com o herói Belerofonte, que acabour por a destruir com o auxílio de Pégaso (ver <a href="http://mitologia.blogs.sapo.pt/o-mito-de-pegaso-185480" target="_blank">aqui</a>). Os contornos dessa batalha nem sempre estão bem fixos, mas o seu final é conhecido - este monstro foi, como já referimos, destruído pelo herói.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:197953 2017-12-21T23:07:00 "Confiar o cordeiro ao lobo" 2017-10-31T23:22:37Z 2017-11-16T05:11:13Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_aGZKtwDxoMU/R5YZfRyEdlI/AAAAAAAAAYQ/reHWIxcl1ZA/w1200-h630-p-k-no-nu/lobo1.jpg" alt="" width="200" height="205" /></p> <p>É famosa a fábula do cordeiro e do lobo, da autoria de La Fontaine, mas a expressão aqui apresentada nada tem a ver com ela, contrariamente ao que se poderia pensar. Já existiam alusões a esta ideia no canto 22 da <em>Ilíada</em>, e continuam a ocorrer em diversos autores da Antiguidade, mas a sua ideia essencial passa pelo absurdo que é deixar alguém entregue a quem até possa nem ter os seus melhores interesses em mente. Tal como um cordeiro facilmente seria devorado por um lobo, também há que ter cuidado com aqueles a quem confiamos os nossos tesouros pessoais.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:203065 2017-12-15T18:17:00 A Sibila de Cumas e Tarquínio 2017-11-23T18:38:52Z 2017-11-23T20:24:12Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="http://the-wanderling.com/sybil02.jpg" alt="" width="260" height="162" /></p> <p>Dizem-nos as histórias que num dado dia a viajante Sibila de Cumas se encontrou na corte de Tarquínio, o último rei de Roma. Dos nove livros que tinha em sua posse, ofereceu-os ao monarca por uma soma avultada (curiosamente, a história não nos preserva <em>quão elevada</em> seria...), mas este rejeitou comprá-los. Então, a Sibila atirou três deles para o fogo e propôs que Tarquínio comprasse os seis restantes ao mesmíssimo preço. Pela segunda vez o monarca rejeitou essa proposta, e pela segunda vez a viajante destruiu três dos volumes que tinha em sua posse. Finalmente, a desconhecida ofereceu os três últimos livros pelo preço original. Inesperadamente, Tarquínio acabaria então por comprá-los - são os <em>Livros Sibilinos</em>, famosos da cultura e religião romana - enquanto que essa Sibilia desapareceu misteriosamente, para nunca mais ser vista pelos homens.</p> <p> </p> <p>Muito se poderia escrever relativamente a este pequeno mito, mas os seus mistérios são maiores do que a informação que ele nos revela. Está envolto na neblina dos tempos, surgindo numa espécie de vácuo histórico e mitológico cujos contornos estão aqui representados. Seja quem tiver sido essa Sibila, os livros que supostamente vendeu a Tarquínio acabaram por se tornar de extrema importância na religião romana, mas também foram perdidos nos primeiros séculos da nossa era, fruto de dois incêndios.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:200231 2017-12-14T11:09:00 "Lágrimas de crocodilo" 2017-11-05T01:30:03Z 2017-11-16T05:10:16Z <p>Já todos ouvimos falar das proverbiais "lágrimas de crocodilo", mas a que se deve essa expressão?</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://stickershop.line-scdn.net/stickershop/v1/product/1451400/LINEStorePC/main@2x.png;compress=true" alt="" width="240" height="240" /></p> <p>Segundo diversos autores da Antiguidade o crocodilo chorava por uma determinada razão. Alguns diziam que o fazia para atrair uma presa que depois atacava e devorava. Outros, mais particularmente os autores cristãos, diziam que o mesmo animal o fazia pelo arrependimento dos seus actos - mas tenha-se também em atenção que, como um falso arrependido, nunca mudava o seu comportamento. Qualquer que tenha sido a razão por detrás de esse suposto choro, os mais variados autores eram horizontais na ideia de que não era um choro sincero. E é precisamente daí que vem a expressão - as lágrimas do animal eram dissimuladas, sendo por isso ainda hoje símbolo de um falso arrependimento.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:202739 2017-12-08T09:10:00 "À maneira dos Ciclopes" 2017-11-19T09:26:50Z 2017-11-19T09:26:50Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://i.pinimg.com/originals/cb/cf/ff/cbcfff33e9113fba1bedd93069f18e6f.jpg" alt="" width="260" height="188" /></p> <p>Muitas são as referências aos Ciclopes, enquanto figuras mitológicas, na literatura da Antiguidade, mas a mais famosa de todas elas é indubitavelmente aquela que ocorre na <em>Odisseia</em> de Homero. O episódio de como o herói Ulisses o cegou (momento que até pode ser visto na imagem acima) é sobejamente conhecido, bem como a forma brutal como Polifemo e os seus companheiros ciclopes conduziam a sua vida.</p> <p>De onde vem então a expressão "à maneira dos Ciclopes"? Se esta expressão já não é utlizada nos nossos dias, remetia-nos para a ideia de uma vida desregrada, "bárbara" no sentido grego da palavra, contrária às regras da civilização, como aquela do ciclope de Homero, que comia seres humanos e bebia muitas vezes em excesso.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:197409 2017-12-07T22:09:00 Significado e história da "lana caprina" 2017-10-31T22:32:12Z 2017-11-16T05:07:25Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://static5.depositphotos.com/1030629/534/i/950/depositphotos_5344901-stock-photo-funny-goat-puts-out-its.jpg" alt="" width="260" height="174" /></p> <p>Que a expressão "lana caprina" significa algo de pouca importância já muitos certamente saberão (não sabiam? Podem ver, por exemplo, <a href="https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/lana-caprina/3009" target="_blank">este artigo</a>), mas qual a origem do provérbio? Erasmo de Roterdão diz-nos que terá nascido de uma disputa entre duas pessoas que, acerrimamente, discutiam se uma cabra estava coberta de lã ou pêlo - um tema de pouca importância, como facilmente nos podemos aperceber. O autor, infelizmente, não nos diz que fonte utilizou para obter essa informação, mas a expressão já era motivo de alusão numa das epístolas de Horácio, sendo provável que fosse bem mais conhecida entre os estratos mais baixos da população da altura.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:199006 2017-12-01T09:12:00 O mito e a expressão do "Corno da Abundância" 2017-11-01T04:29:58Z 2017-11-17T09:01:31Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://assets.atlasobscura.com/article_images/20925/image.jpg" alt="" width="500" height="343" /></p> <p>O "Corno da Abundância", também conhecido como cornucópia, está frequentemente associado ao deus-rio Aqueloo, que Hércules defrontou em combate. Como pode ser visto na parte inferior da imagem acima, o herói até partiu um dos cornos do deus quando este assumiu a forma de um bovino. Mas depois o mito torna-se um pouco invulgar - para obter o seu corno de volta, o deus trocou-o pelo Corno de Amalteia, símbolo da cabra/deusa que tinha amamentado um jovem Zeus. Em seguida, o herói entregou esse segundo corno ás Náiades, que o transformaram na chamada "cornucópia" (note-se que, etimologicamente, esta era uma "cópia do corno" da deusa). Desconhece-se o porquê da necessidade dessas trocas e cópias, mas é possível que se tenham devido a uma sintetização de diversos mitos antigos. Posteriormente, essa cornucópia acabou por ir parar ao mundo dos mortos, em que o deus Pluto a passou a carregar como o seu símbolo de abundância.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://i.pinimg.com/originals/3e/99/b8/3e99b8bcc039a61d5019b5f8aebf1694.jpg" alt="" width="338" height="500" /></p> <p>Mas porque usamos, então, a expressão "cornucópia"? Em Portugal ela parece ser utilizada para designar locais em que existe uma abundância de alguma coisa. Por exemplo, o bolo que partilha este nome costuma ter um interior repleto de alguma espécie de creme.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="http://www.fabricoproprio.net/wp-content/uploads/2007/12/cornucopia.jpg" alt="" width="195" height="260" /></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:196127 2017-11-30T16:10:00 "História sem [pés nem] cabeça" e "O alfa e o omega" 2017-10-31T16:56:04Z 2017-11-16T05:05:51Z <p>Se esta primeira expressão até é famosa nos nossos dias, tinha uma forma ligeiramente diferente na Antiguidade, referindo-se exclusivamente a uma "história sem cabeça", ou seja, uma que está incompleta, sendo a expressão derivada, segundo nos diz Plutarco, da existência de um antigo ritual em Creta no qual uma estátua sem cabeça era apresentada como o símbolo de um homem que, após ter violado uma ninfa, foi encontrado sem essa parte do corpo.</p> <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://ihgomes.files.wordpress.com/2013/03/alfa-e-omega-grande.jpg" alt="" width="220" height="260" /></p> <p>Já a expressão "o alfa e o omega" provém do bíblico <em>Livro do Apocalipse</em>, que a popularizou na nossa cultura. Platão dizia que a figura divina era "o princípio, o meio e o fim de todas as coisas", enquanto que Cícero se referiu à "proa e popa" de um assunto como se de um todo contínuo se tratasse; poderão estar ambas, no seu sentido geral, até relacionadas com a expressão cristã, mas isso não é totalmente certo.</p> <p> </p> <p>A ligação entre as duas expressões até poderá nem nos parecer muito óbvia, mas passa pela referência a todos os elementos constitutivos de alguma coisa através dos seus limites (por exemplo, "alfa" e "omega" são, respectivamente,a primeira e última letras do alfabeto grego). Poderá ter sido por essa razão que foi adicionada a sequência "(...) pés nem (...)" à primeira das ideias, mas também devido ao facto de uma história sem os proverbiais "pés" não teria em que se apoiar, estando não só incompleta mas igualmente desprovida de apoio factual.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:202491 2017-11-27T16:00:00 "Onde fores Caio, serei Caia" e o casamento dos romanos 2017-11-18T04:55:49Z 2017-11-18T04:58:09Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://i.pinimg.com/originals/56/8b/a6/568ba69f398182fbb508ec1ac9081bd5.jpg" alt="" width="260" height="142" /></p> <p>Não são muitas as fontes da Antiguidade que nos recontam os elementos específicos do ritual do casamento romano, mas existem dois que tendem a ser mencionados com alguma frequência:</p> <p> </p> <p>- Era frequente que os noivos, ou somente a noiva, mudassem de nome. As razões para tal prendem-se com uma crença segundo a qual quem soubesse o nome verdadeiro de alguém, ou de algum local, poderia ganhar poder sobre ele através da magia. É por essa razão que, por exemplo, o verdadeiro nome da cidade de Roma, hoje oculto entre tantos outros mistérios, raramente era mencionado. Isto poderá ter contribuído, mesmo que implicitamente, para que ao longo dos séculos e ainda nos nossos dias, tenha existido a tradição da adopção de um novo apelido nessas ocasiões.</p> <p> </p> <p>- Também, sabemos que o ritual incluía a frase que deveria ser repetida pelos noivos. Ele dizia "Onde fores Caia, serei Caio", ao que ela deveria responder "Onde fores Caio, serei Caia". Se o ritual original se referia a Caio e Caia ou Gaio e Gaia é incerto, dadas as alterações linguísticas que foram ocorrendo ao longo dos séculos, mas o que sabemos é que os dois nomes tinham um significado simbólico, podendo ter-se tratado de referências a duas figuras históricas conhecidas pela sua fidelidade, de uma referência a Gaia, deusa grega da terra (o que lhe daria um sentido semelhante a "onde tu fores, eu irei contigo"), entre várias outras teorias.</p> <p> </p> <p>Finalmente, aqui fica um pequeno vídeo para rir um pouco. A informação aí presente, relativa a São Valentim, é provavelmente falsa, já que pouco sabemos sobre esse santo do século III. Até poderá ser verdade, mas não temos qualquer fontes que o confirmem.</p> <p class="sapomedia videos" style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/e2gnJwj0vM0" width="480" height="270" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:200061 2017-11-24T11:06:00 "Mais mutável que Proteu" 2017-11-05T00:21:49Z 2017-11-16T05:02:44Z <p>O mito de Proteu já cá foi brevemente tratado antes (ver <a href="http://mitologia.blogs.sapo.pt/o-mito-de-proteu-112351" target="_blank">aqui</a>), mas esta expressão leva-nos novamente de volta ao seu tema.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1a/Proteus-Alciato.gif" alt="" width="220" height="232" /></p> <p>O elemento principal desta figura mitológica é, naturalmente, a capacidade de se metamorfosear. Por essa razão o deus tende a ser representado em plena transformação, como na gravura acima, proveniente dos <em>Emblemas</em> de Alciato. Visto que já aparecia na <em>Odisseia</em> homérica, a fama das metamorfoses do deus sempre foi grande (é mencionado também por Aristófanes, Horácio e Luciano, entre muitos outros), mas a que se deve a expressão aqui citada? Parece levar-nos não tanto à capacidade de mudar a sua forma real (algo que seria verdadeiramente incrível num ser humano), mas referir-se àquelas coisas que mudam frequentemente as suas "formas". Se, por exemplo, tivermos um amigo que está constantemente a mudar de opinião, poderíamos dizer-lhe que é "mais mutável que Proteu", mas também o poderíamos dizer do nosso contemporâneo preço dos combustíveis automóveis.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:196971 2017-11-23T19:23:00 "Canto do Cisne" 2017-10-31T19:34:50Z 2017-11-16T05:01:46Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/64/Gravure_door_Reinier_van_Persijn.jpg" alt="" width="214" height="260" /></p> <p>Dizem-nos as histórias que pouco antes de um cisne morrer ele canta da forma mais bela. No <em>Críton</em>, Sócrates até usa essa ideia como prova da existência de uma vida após a morte, dizendo-nos que o animal cantava assim porque sabia o que o esperava, tinha a certeza absoluta de que ia passar para uma existência muito melhor. São quase infindáveis os autores da Antiguidade, da Idade Média e até dos nossos dias que nos repetem esta mesma informação, mas... será ela verdade?</p> <p> </p> <p>No mundo de agora, em que temos acesso a incontáveis fontes de informação ao simples clique de um botão, é muito fácil verificar essa história. Inesperadamente, não só o cisne não canta, como também não quebra (magicamente) esse jejum para cantar antes da morte. Por irónico que nos pareça, a certeza do sábio Sócrates estava errada, mas a expressão tornou-se tão famosa ao longo dos séculos que ainda hoje é usada para designar uma derradeira obra de arte antes da morte.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:202149 2017-11-17T08:27:00 O casamento de Júpiter e Juno (ou o de Zeus com Hera) 2017-11-17T09:00:19Z 2017-11-17T09:00:19Z <p>Nos seus <em>Adágios</em> Erasmo apresenta uma expressão curiosa, ao revelar que de alguém com bastante conhecimento se podia dizer que até "Sabe como Júpiter desposou Juno". A própria ideia revela-nos de antemão que esta é uma história um pouco obscura, que somente um número muito restrito de pessoas conheceria. Se, nesse sentido, o casamento das duas figuras está intimamente ligado com os próprios mitos gregos e o casamento de Zeus e Hera, mesmo nessa cultura o mito em questão não é muito conhecido. Sabe-se que houve uma celebração, essa de grande fama, mas os eventos que levaram ao próprio desposo são pouco conhecidos.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d4/Carracci_-_Jupiter_et_Junon.jpeg/220px-Carracci_-_Jupiter_et_Junon.jpeg" alt="" width="220" height="241" /></p> <p>Felizmente, Erasmo também conta essa história, atribuindo-a a um escólio na obra do poeta grego Teócrito. Seguindo as suas linhas basilares, podemos revelar que Zeus se transformou num cuco, lançou uma tempestade e se foi colocar perto do regaço de Hera. Naturalmente que a deusa recolheu o pequeno pássaro, tendo a intenção de o proteger do mau tempo. Porém, nesse momento o deus voltou à sua forma original e tentou ter relações sexuais com essa sua irmã. Inicialmente esta recusou-o, mas com a intervenção de outros deuses, a que se juntou depois um pedido de casamento do próprio Zeus, essa paixão física acabou por ser consumada.</p> <p> </p> <p>Não podemos ter a certeza de que este mito nos preserva a versão original, mais antiga, do episódio que antecedia o casamento de Zeus com Hera, mas é uma história que, se for vista no contexto geral dos mitos gregos, faz todo o sentido. Permite-nos compreender que as múltiplas infidelidades do deus, em que este se transformava em diversas figuras não-humanas para seduzir as mulheres, tinha uma base no seu próprio casamento divino - seria, por essa razão, também possível que as mortais seduzidas pelo deus pensassem, conhecendo o caso particular de Hera, que a sedução do deus não fosse levar somente a uma relação casual. Por isso, esta parece-nos uma possibilidade credível para um potencial episódio, hoje perdido, que até possa ter antecedido o casamento de Zeus/Júpiter com Hera/Juno!</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:196767 2017-11-16T18:07:00 "A fortuna favorece os bravos" 2017-10-31T18:38:04Z 2017-11-16T04:57:55Z <p>Muitas são as formas deste provérbio que nos chegaram aos dias de hoje, desde a mencionada no título até expressões como "a sorte sorri aos audazes" ou "a sorte protege os audazes". Essa multiplicidade provém da própria tradução da expressão latina, "<em>fortes fortuna adjuvat</em>", que naturalmente pode ser traduzida das mais diversas formas, mas os pontos que aqui nos interessam são dois outros.</p> <p> </p> <p>Primeiro, de onde vem essa expressão? Duas das fontes mais antigas que temos parecem ser Cícero e Virgílio, mas o primeiro deles dá-nos uma pista importante quando, ao citar a expressão, a atribui a Quinto Énio. Por isso, dadas as muitas referências aos <em>Anais</em> de Énio no poema épico de Virgílio, parece-nos provável que ambos os autores a tenham conhecido através da mesma fonte comum. Mas isso não implica que esse tenha sido o seu autor original, sendo possível que a expressão já viesse dos gregos. Uma pesquisa online revela que alguns a atribuem a Alexandro Magno, sem qualquer fonte, mas é muitíssimo provável que se trate mais de uma atribuição tardia, quase em termos de "wishful thinking", do que algo com uma base real.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://kdfrases.com/frases-imagens/frase-a-sorte-favorece-os-audazes-alexandre-o-grande-119794.jpg" alt="" width="260" height="122" /></p> <p>E isto, como a própria referência a Alexandre, leva-nos ao uso e significado da expressão. Erasmo de Roterdão, quando a explica, dá-lhe uma metáfora particularmente curiosa, dizendo que não devemos ser como animais que se escondem no interior das suas carapaças. Isto porque as coisas boas, aquelas que a fortuna/sorte/destino nos possam vir a trazer, dependem frequentemente de nós próprios. Por isso, este adágio insta-nos a arriscar, a procurar aquilo que queremos, já que isso depende, primeiro e primordialmente, de nós próprios.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:201453 2017-11-13T12:53:00 Documentário "The Replacement Gods" 2017-11-11T06:22:04Z 2017-11-11T06:22:04Z <p>Este documentário é anunciado como uma comparação das histórias mitológicas e dos comics às histórias bíblicas, e essa é uma ideia que, à primeira vista, até parece interessante. No entanto, o seu conteúdo é de muito fraca qualidade, levando a que seja, pensamos nós, o primeiro conteúdo a cá ser mencionado pela sua notória falta de qualidade.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://i.vimeocdn.com/video/442389230_295x166.jpg" alt="" width="295" height="166" /></p> <p>De um modo geral, este documentário pode ser dividido em duas partes. Na primeira são mostradas algumas das crenças mitológicas e religiosas da Antiguidade e é estabelecido um paralelismo das mesmas com as histórias bíblicas. Isto nada teria de errado, não fosse o facto de os criadores se apoiarem na antiga ideia de que esses paralelismos tinham sido antecipadamente gerados pelo Diabo para fazer com que as pessoas acreditassem menos na mensagem de Jesus Cristo. Como se isso não fosse suficiente, está repleto de erros notórios.</p> <p>Na segunda parte o documentário socorre-se então de comics americanos e filmes baseados nos mesmos, com a intenção de apoiar a ideia de que todos eles, de uma ou de outra forma, promovem uma satirização da mensagem cristã. Dizem, por exemplo, que o Batman - o herói da história, recorde-se - é um demónio, mas que o Joker/Coringa é representado de forma muito positiva. Dizem que existem ideias demoníacas e mágicas por detrás de alguns criadores de comics, etc. Isto para, no fundo, argumentarem que o grande objectivo dos comics é fazer com que as pessoas descartem a mensagem de Jesus Cristo em favor dos encantos do Diabo. O documentário até termina dizendo algo como "só existe um herói que merece a nossa admiração, o nosso salvador Jesus Cristo", demostrando bem as intenções dos seus autores.</p> <p> </p> <p>Ainda estão a ler? Mesmo que alguém até queira apoiar essas ideias, por razões que não conseguimos compreender muito bem, existe uma falha absolutamente fatal em toda a sua argumentação, que passa por apresentar toda e qualquer informação de forma descontextualizada. Seria como ler <em>Os Lusíadas</em> em busca de uma única frase positiva sobre os deuses pagãos e depois apresentá-la assim, totalmente descontextualizada, para dizer que Luís de Camões era pagão - absolutamente ridículo!</p> <p> </p> <p>Uma busca pelos seus produtores revelou que também existe um <em>The Replacement Gods 2</em>, mas somente pela visualização do trailer já se compreende que defende a mesmíssima ideia, recorrendo novamente a todo o tipo de informações descontextualizadas. É, por isso, <strong>um documentário absurdo, a evitar a todo o custo</strong>, sob pena de se perderem alguns minutos da nossa vida com algo que nem diverte, nem é verdadeiramente informativo.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mitologia:198246 2017-11-10T19:54:00 "Chamas Hilas", e o mito desse herói 2017-11-01T00:39:13Z 2017-11-10T19:49:02Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" src="https://c1.staticflickr.com/8/7026/6410609185_aa41a71d29_b.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p> <p>O mito de Hilas (e Hércules) é indissociável da trama dos Argonautas. Conta-nos que quando estes heróis empreenderam a sua demanda, numa dada altura pararam numa ilha. Hilas afastou-se, acabando por ser raptado por umas ninfas de um curso de água próximo. Hércules, que o amava, recusou-se a partir sem o encontrar, abandonando a expedição principal para partir em busca do desaparecido. Enquanto caminhava, gritou repetidamente por Hilas, mas diz a história que nunca mais o encontrou, supondo-se que, eventualmente, tenha abandonado a busca.</p> <p> </p> <p>Este mito é mencionado pelos mais diversos autores, sendo difícil saber qual a sua fonte mais antiga, mas é particularmente famoso do poema de Apolónio de Rodes. "Chamar Hilas" é portanto uma tarefa impossível, na qual qualquer espécie de progresso é impossível.</p>