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Por mais estranho que isto hoje nos possa parecer, "Puta" parece ter sido uma deusa romana que presidia à poda das árvores. Só é mencionada por Arnóbio, no seu Contra as Nações (já falado aqui), sendo provável que essa informação tenha vindo da famosa obra de Varrão. Nada mais nos é dito sobre esta figura mitológica, mas - sem qualquer apoio de informação real - alguns autores parecem considerar que as sacerdotisas desta deusa se prostituíam, o que supostamente teria levado ao seu uso pejorativo ao longo dos séculos.

 

Têm esses autores razão? A resposta é um ressonante "não!", não só pela falta de informação real que apoie essas linhas, mas também pelo próprio contexto da referência na obra de Arnóbio - surge numa sucinta referência a diversas divindades, como Peta (deusa das preces), Patelana e Patela (deusas das coisas reveladas e ainda por revelar) ou Noduterense (deus associado à separação do grão), entre outros. Nada mais nos é dito sobre cada uma dessas figuras divinas, sendo apenas dadas por mero exemplo - o autor continua o seu argumento apontando a estranheza que é ter divindades associadas a todas as coisas - "Osílago, que dá aos ossos a sua solidez, não teria nome [se não existissem ossos]? (...) Existem deuses encarregados de coisas que ainda não foram criadas?".

Em suma, tratando-se Arnóbio de um autor cristão, se à deusa Puta fosse associado um culto sexual, certamente que isso também seria mencionado na sua obra - e nunca o é.

 

Mas então, de onde virá a nossa palavra "puta"? Um dicionário consultado diz que esta palavra tem "origem controversa", e se não somos capazes de apontar essa origem - até porque etimologias não são a nossa especialidade - podemos é afirmar, sem quaisquer dúvidas, que não provém desta obscura deusa romana.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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