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Se esta primeira expressão até é famosa nos nossos dias, tinha uma forma ligeiramente diferente na Antiguidade, referindo-se exclusivamente a uma "história sem cabeça", ou seja, uma que está incompleta, sendo a expressão derivada, segundo nos diz Plutarco, da existência de um antigo ritual em Creta no qual uma estátua sem cabeça era apresentada como o símbolo de um homem que, após ter violado uma ninfa, foi encontrado sem essa parte do corpo.

 

Já a expressão "o alfa e o omega" provém do bíblico Livro do Apocalipse, que a popularizou na nossa cultura. Platão dizia que a figura divina era "o princípio, o meio e o fim de todas as coisas", enquanto que Cícero se referiu à "proa e popa" de um assunto como se de um todo contínuo se tratasse; poderão estar ambas, no seu sentido geral, até relacionadas com a expressão cristã, mas isso não é totalmente certo.

 

A ligação entre as duas expressões até poderá nem nos parecer muito óbvia, mas passa pela referência a todos os elementos constitutivos de alguma coisa através dos seus limites (por exemplo, "alfa" e "omega" são, respectivamente,a primeira e última letras do alfabeto grego). Poderá ter sido por essa razão que foi adicionada a sequência "(...) pés nem (...)" à primeira das ideias, mas também devido ao facto de uma história sem os proverbiais "pés" não teria em que se apoiar, estando não só incompleta mas igualmente desprovida de apoio factual.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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