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Uma pequena curiosidade - quando, na cruz, Jesus gritou "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?", não estava tanto a admitir, de uma forma muito explícita, que o Pai o tinha abandonado de uma qualquer forma, mas a ecoar as palavras iniciais do 22º salmo provindo do Antigo Testamento. Isto acaba por ser de alguma importância já que permitiria identificá-lo como uma das características que, supostamente, um messias deveria vir a ter. O problema, no entanto, é que não existe - ao contrário do que se poderia pensar - qualquer espécie de lista das características de um messias no Antigo Testamento.

 

Pode até parecer uma ideia estranha para quem perceber menos do assunto, mas o que tende a suceder no Novo Testamento é que quando Jesus faz algo, isso é normalmente visto como uma espécie de alusão a algum elemento do Antigo Testamento. Não são sinais de um messias, pelo menos não de uma forma totalmente explícita, até porque nenhum autor dos primeiros séculos da nossa era listou as características que este deveria ter, limitando-se a dizer que Jesus, supostamente, as cumpriu a todas. É portanto natural que os Judeus não o tenham aceite como messias - se existisse um conjunto fixo de regras a cumprir, seria muito fácil dizer que Jesus as cumpriu (ou não), e portanto aceitá-lo (ou rejeitá-lo) nessas bases. Isso não aconteceu porque não era possível acontecer.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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