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Erisictão era um rei que mandou destruir um bosque consagrado a Deméter, deusa da agricultura. Então, esta castigou-o com um apetite infindável, que o rei nunca conseguia saciar. Eventualmente, esgotou todos os seus recursos, mas continuava sempre com fome. Então, decidiu vender a sua filha, Mestra, por diversas vezes, para poder comprar mais comida. Porém, esta filha sempre retornava a casa, transformando-se em diversos animais e escapando de quem a tinha adquirido, uma mágica capacidade que lhe tinha sido dado por Poseidon, rei dos mares e seu antigo amante. O mito termina com Erisictão, numa derradeira refeição, a devorar-se a si próprio.

 

Muitas poderiam ser as ilações a retirar deste mito, mas, num nível de leitura mais superficial, pode apontar-se a necessidade de respeito pelos deuses, e uma, sempre actual, necessidade de alguma contenção no aproveitamento dos recursos naturais. O mito fala-nos de um bosque, mas, associado à figura de Deméter, o local afectado também poderia tratar-se de um campo de cultivo, que, quando destruído, levava, de uma forma muito directa, à fome das populações, como levou à do próprio Erisictão. Claro que a fome desse rei era, no mito, sobrenatural e insaciável, mas algo parecido até poderá passar-se com cada um de nós, se decidirmos desrespeitar a natureza. Este é, portanto, um mito hoje tão actual como quando foi escrito, há já muitos séculos, e cuja lição subjacente jamais devemos esquecer.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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