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"[O debate de] Helena e Ganímedes" é um poema medieval em que as duas figuras discutem diferentes visões da homossexualidade e da heterossexualidade. Helena apoia, como nos parecerá fácil entender, o amor entre um homem e a uma mulher, enquanto que Ganímedes é aqui apresentado como um adepto do amor entre dois homens. Porquê essa segunda figura? Não é totalmente claro, mas é possível que se deva ao facto de Zeus/Júpiter o ter escolhido pela sua beleza particular, fazendo dele (provavelmente) um símbolo da beleza masculina em algumas concepções medievais.

Poucas são as menções mitológicas no poema - nenhum dos dois intervenientes refere episódios dos mitos em seu favor e apenas nos é dito que o debate tomou lugar numa assembleia dos deuses pagãos - sendo que estas figuras da Antiguidade servem apenas como pano de fundo para toda a discussão. Não valerá a pena estar aqui a referir os argumentos usados por cada um, mas não se pode deixar de referir que a heterossexualidade acaba por vencer o debate, com Ganímedes até a corar face a alguns dos seus actos particulares.

Contudo, uma referência adicional deve ser feita à forma como o poema termina - todo o debate parece ter tido lugar num sonho do seu autor, sendo que este termina as suas linhas com uma referência aos pecados de Sodoma e Gomorra (i.e. a sodomia), antes de proclamar que "Se um dia eu pecar assim, que Deus tenha misericórdia de mim", numa óbvia reprovação aos pecados advindos da relação sexual entre dois homens. Poderá, por isso, ser um importante recurso para o estudo da visão da sexualidade na Idade Média.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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