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Reli, há uns dias, o Épico de Gilgamesh, e o ponto que me parece mais importante nesta obra é o facto de ser um dos mais antigos épicos que nos chegaram até aos dias de hoje. É nesse sentido que até se compreende que toda a obra seja bastante fragmentária, e muitos dos episódios sejam difíceis de discernir no texto que nos chegou, algo que dificulta a completa apreensão de muitas partes da obra.

 

De uma forma muito geral, posso dizer que esta é uma obra que nos reconta as aventuras de Gilgamesh, figura aqui mais mítica do que potencialmente real. Cedo conhece Enkidu, juntos derrotam dois monstros (Humbaba, e o touro que está colocado no zodíaco), mas Enkidu acaba por morrer. A parte final do texto, aquela que está melhor preservada, reconta toda a aventura que leva Gilgamesh a tentar obter a imortalidade, e é nessa derradeira tábua 11 que também é relatado o famoso dilúvio, em virtude do qual este épico é várias vezes mencionado).

 

Se já aqui se encontram várias características estilísticas que também irão ser usadas em épicos posteriores (a mais evidente delas sendo a repetição de fórmulas), parece-me que este é um texto que merece ser conhecido em virtude da sua muita idade, que o torna provavelmente o mais antigo texto literário a que ainda temos acesso. Não é uma obra propriamente interessante, devido às muitas falhas no texto, mas mesmo assim merece ser conhecido pelo menos numa leitura superficial.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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