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O Juramento de Hipócrates original, cujo texto pode ser facilmente encontrado nos mais diversos sites (por exemplo, aqui), representa um conjunto de promessas a que um praticante da medicina deveria aderir antes de praticar a sua profissão. Existem várias cópias diferentes desse juramento (o link acima apresenta duas delas), mas, no contexto deste espaço, tem especial importância um dos momentos iniciais do próprio juramento, em que Hipócrates, ou um dos seus estudantes, escreveu o seguinte:

 

Juro por Apolo Médico, por Esculápio, por Higía, por Panaceia, e por todos os Deuses e Deusas que acato este juramento e que o procurarei cumprir com todas as minhas forças físicas e intelectuais.

 

Recorde-se que Higía era deusa da saúde, e Panaceia a deusa das curas, sendo ambas consideradas filhas de Esculápio (deus da medicina), e este era filho de Apolo (também associado à medicina, entre outros campos). Trata-se de toda uma linhagem relacionada com as profissões da medicina, pelo que esta é uma inicial invocação que faz todo o sentido, mas que também nos pode recordar de textos mágicos, que muitas vezes também seguem esta mesma fórmula. De facto, todo o juramento até termina com as seguintes palavras:

 

Se eu respeitar este juramento e não o violar, serei digno de gozar de reputação entre os homens em todos os tempos; se o transgredir ou violar que me aconteça o contrário.

 

Mais uma vez, estas são afirmações que nos remetem directamente para os textos mágicos, sendo como que uma promessa aos/dos deuses, em que o cumprimento de um conjunto de regras muito específicas asseguraria a um dado aderente uma boa vida.

 

Porém, este também é um texto que permite constatar a curiosa fusão entre ciência e religião que tinha lugar na Antiguidade. Isto também é claro em textos como o de Élio Aristides, e em muitos mitos, mas mesmo os "cientistas" da altura (se é correcto aplicar-lhes, retroativamente, esse nome) nunca parecem deixar de lado o elemento divino de parte da sua arte, e isso contrasta bastante com a situação que temos nos dias de hoje, em que religião e ciência se opõem de uma forma quase total.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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