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Quando se ouve falar da "aegis" (ou, em Português e num nome que acho que pouco diz, "égide") é quase sempre no contexto da deusa Atena, e é vulgarmente visto como a cabeça da Medusa, cortada por Perseu e que, depois, dava protecção à deusa no seu escudo. É nesse sentido que aparece em muitos mitos e na arte grega, mas, aparentemente, não é a única versão da história.

 

Segundo, pelo menos, uma obra de Dionísio Escitobráquio, hoje perdida, a "aegis" seria, também, uma criatura mitológica nascida da Terra, que cospia fogo, e ia queimando as terras por onde passava. Eventualmente, essa criatura foi atacada e destruída por Atena, que passou a usar a sua pele como forma de protecção.

 

Se a fonte para esta versão do mito não é propriamente muito conhecida, nem a sua trama muito repetida, não posso deixar de frisar que faz algum sentido. Veja-se, por exemplo, esta imagem:

 

A aegis no peito de Atena

fonte

 

Aqui, a "aegis" está colocada no peito de Atena, e não num escudo. Em muitas outras imagens da deusa, esta até pode ser representada com a cabeça da Medusa no seu escudo (aí identificada pelo seu cabelo de serpentes), mas são raras as vezes em que não tem uma figura semelhante a esta ao peito. Ora, se a figura da Medusa já está colocada no escudo, seria um pouco absurdo identificar a constante neste amuleto também com essa mesma Medusa. Pode, evidentemente, ser identificado como um amuleto, esse elemento aqui colocado no peito da deusa, mas mais do que se tratar da Medusa, é possível que se trate de uma outra figura, mais obscura, como a deste mito, sendo até possível que os dois elementos, por terem funções muitíssimo semelhantes, tenham acabado por se confundir.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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