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O mito de Ifigénia, a filha de Agamémnon que foi sacrificada para possibilitar toda a demanda contra Tróia, é-nos muito conhecida através da versão de Eurípides, em que a heroína, mais do que morrer no altar pelas mãos do próprio pai é, por obra dos deuses, substituída por um animal no derradeiro momento. Porém, essa não é a única versão do mito, com Hesíodo, no seu catálogo das mulheres, a dizer que, por desejo de Artémis, a jovem se teria depois tornado Hecáte.

 

Mas volte-se à versão de Eurípides, cuja trama geral foi muito bem descrita por Aristóteles, na sua Poética, em linhas que merecem ser recordadas. A tradução é em Português do Brasil:

 

Uma donzela, prestes a ser degolada durante um sacrifício, foi tirada dos sacrificadores, sem estes darem pelo fato; e transportada a outra região onde uma lei ordenava que os estrangeiros fossem imolados à deusa; e a donzela foi investida nesta função sacerdotal. Passado algum tempo, o irmão da sacerdotisa chega àquela região, e isto ocorre porque o oráculo do deus lhe prescrevera que se dirigisse àquele lugar, por motivo alheio à história e ao entrecho dramático da mesma. Chegando lá, ele é feito prisioneiro; mas quando ia ser sacrificado, deu-se a conhecer (quer como explica Eurípides, quer segundo a concepção de Polído, declarando naturalmente que não somente ele, mas também sua irmã devia ser oferecida em sacrifício) e com estas palavras se salvou.

fonte

 

Como o autor bem dá a entender, a história da morte e sacrifício de Ifigénia, que nos poderia parecer o término da sua vida, é aqui o início de algo mais complexo, de toda uma aventura a que somente Orestes, num último momento, tem acesso. Assim, esta figura, mais do que ser filha de Agamémnon, chega-nos como irmã de Orestes; dos eventos com a primeira figura masculina pouco mais se conhece que o sacrifício (o que faz algum sentido, tendo em mente a cultura da época), mas é o reconhecimento final de Ifigénia pelo irmão que bem nos chegou, e que mais nos caracteriza, hoje, esta figura.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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