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(Estas duas figuras estão tão intimamente ligadas que me pareceria aqui injusto separá-las)

 

Protesilau é famoso por ter sido o primeiro grego a sair dos navios, em Tróia, e como dizia uma profecia, foi também o primeiro a ser morto. A história poderia ter acabado por aqui, mas face ao grande amor que Laodâmia tinha por esse seu marido, pediu aos deuses que o deixassem ver uma última vez, por três horas, para se despedir dele. Os deuses permitiram-no, por razões desconhecidas, e com ajuda de Hermes Laodâmia pode ver Protesilau durante esse limitado tempo. Depois, passadas essas horas, suicidou-se, incapaz de viver sem o homem que tanto amava.

Higino, nas suas Fábulas, adiciona alguma informação ao mito, dizendo que Laodâmia viveu algum tempo com uma estátua do marido, após a morte deste, e que quando os familiares tentaram queimar a estátua, também a mulher se lançou às chamas, morrendo nesse seu derradeiro acto.

 

Este é, muito certamente, um dos mitos mais invulgares de que me consigo lembrar, por mostrar a figura de uma mulher e esposa tão fiel, tão ligada ao marido, que, como qualquer ser humano, anseia por ver um falecido uma última vez, desejar despedir-se dele. E, quando, por razões que nunca ficam muito claras, lhe é concedida essa oportunidade, compreende que esse último adeus não é suficiente, e acaba por morrer só para se poder juntar ao marido que tão profundamente amava.

 

Laodâmia é, nesse ponto, cada um de nós, quando confrontados com a morte de alguém que amamos. O que não daríamos nós, se tal fosse possível, para ter só um último momento com essa pessoa? O que faríamos, só para fitar os olhos do falecido, para lhe ouvir a ténue voz, uma última vez? Mas, tal como nos ensina este mito, mesmo que essa fosse uma real possibilidade, seria tão cruel e insuficiente para nós como o foi para a mulher do falecido Protesilau.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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