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A figura do ciclope Polifemo é muitíssimo bem conhecida da Odisseia homérica, em que aprisiona Odisseu e os companheiros numa caverna. Porém, esse não é o único mito atribuído à figura; a presença das ovelhas, sob as quais Odisseu e seus companheiros acabam por fugir, dá-nos a supor uma outra ocupação por parte deste monstro, que tem alguma importância num outro mito:

 

Polífemo, enquanto trabalhava nos campos, conhece uma ninfa, chamada Galateia, que tenta seduzir com a sua música e alguns presentes campestres. Esta, no entanto, rejeita-o em favor de um mortal, Ácis. Quando vem a saber dessa relação, o ciclope, filho de Poseidon, nos seus cíumes acaba por matar Ácis com uma enorme pedra. Depois, infeliz, Galateia transforma o defunto num curso de água.

 

Este mito é muito mais recente que o episódio homérico, mas em termos de trama, só pode antecedê-lo (recorde-se que, para escapar da caverna, Odisseu cega Polifemo), e permite-nos compreender, de alguma forma, potencial relação pastoral que Polifemo tinha; como qualquer outro pastor da altura, também é provável que esta figura mitológica passasse o seu tempo nos campos a tocar flauta, a vigiar as ovelhas, a produzir queijos (entre outras tantas possibilidades), fazendo dele, mais do que um mero monstro (como o eram Tífon, Equidna, Cérbero, etc.), uma criatura civilizada, também ela propensa ao amor, ao cíume e à dor. Esses são aspectos a que aqui temos um acesso mais directo, mas em relação aos quais Homero apenas fazia algumas alusões, mais evidentes através da presença das ovelhas desta figura.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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