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Esta é uma questão sobre a qual, indubitavelmente, todos aqueles que estudam áreas como a Linguística já se interrogaram. Se existe uma qualquer espécie de evolução na raça humana, terá existido uma altura em que todos os humanos falavam uma mesma língua, mas qual seria ela? Não é uma questão fácil, e não proponho resolvê-la aqui, mas na Antiguidade um faraó egípcio interrogou-se sobre este tema, e, como nos informa Heródoto no segundo livro das suas Histórias, tentou descobrir a resposta.

 

Para tal, pegou em dois recém-nascidos e fez com que fossem criados sem nunca ouvirem qualquer língua, sendo só visitados por uma mulher que, diariamente, os alimentava. Um dia, começaram a falar, dizendo "bekos". Sabendo disto, o faraó decidiu investigar a que palavra pertencia essa língua, e visto que "bekos" significava "pão" em Frígio, o monarca foi levado a pensar que, então, essa era a primeira de todas as línguas, aquela com que nascemos.

 

Mas estaria ele correcto? Se esta é a versão mais famosa de toda a história, e nos poderia levar a conclusões precipitadas, convém acrescentar que os autores posteriores revelam menos certezas. Segundo, pelo menos, um deles, a mulher que alimentavam os dois pequenos humanos tinha falado com eles, pelo que toda a experiência estava adulterada... mas mesmo que assim não o fosse, importa relembrar que este é um mito, podendo ter algum fundo de verdade, mas que não deve ser usado para acreditar que o Frígio era, mesmo, a primeira das línguas, algo que é, nos nossos dias de hoje, fácil de refutar recorrendo a casos como os das crianças-lobo.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e dois anónimos interessados nestes temas.


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