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Em diversos países europeus os nomes dos dias da semana remetem directamente para divindades pagãs locais. Isso não acontece em Portugal ("segunda-feira", ..., "sexta-feira", "sábado","domingo"), pelo que achámos que poderíamos explicar sucintamente o porquê.

 

No século VI da nossa era S. Martinho de Dume (também conhecido por Martinho de Braga) escreveu uma epístola Da Correcção dos Rústicos, em que instava os leitores a abandonarem os erros da cultura pagã. Segundo ele, se eram muitas as pessoas que já se tinham convertido ao Cristianismo, estas também continuavam ainda a aderir a diversos costumes pagãos, como celebrar os dias da semana associados aos vários deuses ou depositar pequenas pedras em altares a Mercúrio. O título da epístola vem, naturalmente, da necessidade cada vez maior em "corrigir" esses antigos costumes, que o autor insere num contexto religioso e descreve de forma breve.

 

Não sabemos que efeito real terão tido as palavras de S. Martinho, mas há que frisar que ele não propõe qualquer solução real para o problema, apenas dizendo que os dias deveriam ser dedicados a Deus. No entanto, certamente que poderá ter influenciado a busca por essa solução, já que menos de 100 anos após a escrita das suas linhas surge-nos a primeira referência a uma "segunda-feira", que ainda hoje pode ser vista na Igreja de S. Vicente, em Braga - a mesma cidade associada ao santo. Estaria essa nova designação já em uso no seu tempo? Até é possível que sim, mas não temos provas directas que o atestem com uma total certeza.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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