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Fazendo hoje cem anos das aparições de Nossa Senhora na cidade portuguesa de Fátima achámos que poderíamos escrever um pouco sobre o tema. De uma forma muito simplificada, diz-nos a história (se verdadeira ou não, é uma questão de fé) que Nossa Senhora, a mãe de Jesus Cristo, apareceu a três pastorinhos. Não nos cabe a nós julgar a veracidade dessas aparições, mas é indisputável que Lúcia Santos, Jacinta e Francisco Marto creram ter visto a mãe de Cristo e acreditavam que esta, ao longo de alguns meses, lhes transmitiu algumas mensagens.

 

Porém, situações como essas nada têm de novo. Uma vez, quando Atenas ia ser atacada por um qualquer invasor, Artémis e Apolo apareceram e afugentaram os opositores. Cícero menciona que em algumas batalhas da sua época os dois gémeos divinos, Castor e Pólux, foram vistos a combater entre as fileiras romanas. Contam-nos também algumas crónicas que Apolónio de Tiana uma vez se transportou, magicamente, de um local em que estava para um navio em pleno mar. E se aparições de Jesus fora do Novo Testamento são pouco comuns, várias são as aparições de alguns santos, com o caso específico da Virgem Maria a ser particularmente frequente.

 

A que se devem todas estas aparições? Alguns autores até as atribuem a períodos de grande stress societal, mas... é tudo uma questão de fé.

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O seguinte emblema pode, hoje em dia, ser encontrado em muitos carros:

Claro que representa um pequeno peixe, mas qual o seu verdadeiro significado? Não temos a certeza se todos aqueles que o usam ainda o fazem pela mesma razão, mas originalmente este símbolo era usado para que os verdadeiros cristãos se reconhecessem uns aos outros. Diz a história que um dos crentes desenhava metade do peixe e se um outro fosse capaz de completar o desenho seria, também ele, um cristão oculto num tempo de perseguição.

 

Mas porquê um peixe e não uma âncora, uma cruz, ou um qualquer outro símbolo? A resposta não é óbvia, mas provém da palavra grega para peixe - ἰχθύς, ou ichtys. Tratava-se de um acróstico que, convenientemente, demonstrava a crença do verdadeiro verdadeiro cristão num Iesous Christos, Theou Yios, Soter (que é como quem diz "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador").

 

Assim se explica este curioso fenómeno cultural, mas deixamos uma pequena questão - se tiverem um emblema destes no vosso carro, porque razão o usam? Conheciam esta história, ou usam-no por uma razão totalmente distinta? Agradeçemos, como sempre, qualquer participação!

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Deste tempos da nossa meninice que pensamos no leão como rei dos animais. Já Esopo, nas suas famosas fábulas, lhe dava essa designação muito particular. Mas de onde vem ela? Porque é o leão o rei de todos os animais?

 

Bem, a verdade é que não temos uma história comum específica para esse facto, mas somente algumas tradições distintas. Uma delas considera-o como tal pelo facto de ele, numa fábula particular e em que esse epíteto ainda não lhe é aplicado, ter decidido reproduzir as acções dos monarcas humanos com os outros animais. Outra, provinda da Cinegética de Opiano, diz que os leões eram os Coribantes metamorfoseados, tornados reis como forma de agradecimento pelos serviços prestados ao jovem Zeus. Uma outra versão, de origem desconhecida, diz apenas que os outros animais tinham medo de defrontar os leões pelo trono, face à sua força natural. Mas qual a razão mais certa, ou a que levou à designação nos tempos antigos de Esopo, desconhecemos por completo.

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O Mito das Idades, que ainda nos é muito bem conhecido do relato de Hesíodo, já cá foi falado há quase 10 anos (ver aqui). Porém, esse mito também tem um outro aspecto menos conhecido. O autor fala-nos de cinco idades - as de Ouro, Prata, Bronze, dos Heróis, e de Ferro - mas poucos saberão que a sequência das quatro primeiras era abordada, de uma forma supostamente contínua, nos vários poemas do Ciclo Épico. Como sabemos do relato de Proclo, essa associação começava com a união de Urano e Gaia (ainda antes da Idade de Ouro) e terminava com a morte de Ulisses, um evento específico que marcava o término da Idade dos Heróis.

 

Era com a morte do grande herói da Odisseia homérica que terminava o período mitológico e começava o mundo em que todos os seres humanos então viviam. Seriam os próprios poemas de Hesíodo parte do antigo Ciclo Épico? Não sabemos, infelizmente, mas até faria sentido que assim o fosse.

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As seguintes linhas, tão actuais hoje como no tempo do próprio Aristóteles, provêm dos Económicos:

 

A esposa deve, por conseguinte, orar para que o marido não encontre a adversidade; no entanto, se algum mal o atingir, há-de ter em conta que é nessas ocasiões que a mulher virtuosa granjeia maior louvor, ao constatar que nem Alceste atrairia pobre si a glória nem Penélope mereceria tantos e tamanhos elogios, se tivessem passado a vida com esposos afortunados. Na verdade, foram as desgraças de Admeto e de Ulisses que lhes garantiram uma fama imortal, pois, no meio da adversidade, mantiveram-se fiéis e leais aos maridos, a ponto de os próprios deuses lhes prestarem honras nada imerecidas. De facto, é fácil encontrar quem deseje partilhar a prosperidade; associar-se, porém, à desgraça não o quer ninguém, a não ser a esposa excelente.

fonte

 

Perdoem-nos as feministas, é evidente que isto também se aplica aos maridos, mas é curioso constatar que mais de 2000 anos depois a humanidade continua a ter alguns dos mesmos problemas na sua vida diária.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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