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Qualquer pessoa que conheça as histórias do Antigo Testamento estará bem familiarizado com a sequência de eventos que liga um faraó do Egipto a Moisés, e a forma como através da influência do profecta o povo judaico foi libertado da sua grande escravidão (depois deambulando no deserto por 40 anos, mas isso já é aqui secundário). Porém, poucos parecem interrogar-se sobre a identidade do monarca, quase como se o considerassem uma figura puramente mítica. Mas será que o é?

 

Não existem provas indisputáveis seja para o afirmar ou negar, mas sabe-se que o Egipto teve, famosamente, um monarca monoteísta, Akhenaten. Sobre ele existem diversas opiniões na literatura - alguns afirmam que ele teria sido o próprio Moisés; outros, que a figura cristã podia ter sido o seu irmão Tutmose (o texto afirma que as duas figuras foram criadas "como irmãos"), que desapareceu dos registos; e até existem aquele que afirmam que Moisés poderá ter sido um sacerdote desse mesmo culto monoteísta que, posteriormente, foi expulso do Egipto. Não temos forma de saber se estas teorias vão além disso, de meras hipóteses, mas não deixa de ser curioso que o Antigo Egipto tenha tido um único faraó monoteísta, cujo culto quase que nasceu e morreu com ele. É invulgar, demasiado invulgar para se poder acreditar que isso aconteceu apenas "porque sim". Por isso, se a história de Moisés tem um fundo de verdade, faz todo o sentido que ela seja ligada ao culto (solar, relembre-se!) originado por Akhenaten.

 

Que opiniões têm sobre o tema?

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Este vídeo, apesar de interessante para aqueles que percebam menos sobre os deuses romanos, também nos leva a um grande problema com as divindades desse povo. De uma forma geral, as pessoas pensam neles como meras transposições dos deuses gregos, aos quais foram feitas uma ou outra alteração, mas... a religião romana era muito mais que isso! Marco Varrão, por exemplo, dizia que os romanos tinham mais de mil deuses, "do nascimento até à cova", e somente para o primeiro acto da vida humana, o de nascer, colocava no mesmo quarto com a mãe um conjunto de divinidades, cada qual com a sua função muito particular.

Então, porque pouco se fala sobre estes outros deuses, remetendo as referências à religião romana para - como o vídeo nos mostra - um conjunto muito limitado de figuras análogas às gregas? Infelizmente, isso tem lugar porque muitas das divindades puramente romanas - por exemplo, o deus do primeiro vagido da criança, ou o deus dos primeiros passos desta - são, para nós, meros nomes. Não lhes conhecemos quaisquer mitos, tornando-os de pouco interesse mesmo para os poucos leitores que com eles ainda se cruzem.

Fica então o aviso - se os deuses romanos também tinham algumas características derivadas dos gregos, não são exclusivamente deuses gregos com novos novos. São-lhes também dadas novas características e novas funções, além de pertencerem a um panteão muito mais alargado, em relação ao qual hoje pouco sabemos de uma forma completa.

 

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Uma das mais interessantes discussões a que já assistimos passa pela criação literária dos deuses gregos. Como será que alguém, um dado dia, pensou que existia no Olimpo um Zeus, uma Atena nascida da cabeça deste, um deus disforme que trabalhava no fogo, ou uma figura que usava um tridente para causar terramotos? Esse é, infelizmente, um debate que raramente dá frutos palpáveis, mas em tempos de "Pokémon Go" podemos mostrar como se cria uma mitologia. Vejam este fantástico exemplo, fruto da imaginação de algum anónimo:

Criação do Pokémon

fonte

 

Se alguém estiver curioso, devemos acrescentar que algumas destas figuras já são capturáveis no "Pokémon Go", mas seria o escritor desta história um novo Homero? Dificilmente, mas por uma qualquer razão tentou sintetizar um conjunto de mitos numa história contínua, como a que se atribui, famosamente, a Hesíodo.

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Já ouviu falar de Anaxífales de Pesto, um obscuro filósofo pré-socrático cuja visão da realidade assentava, essencialmente, na ideia de que o tempo e o movimento são um só? Foi ele que disse que o movimento dos céus era cíclico, como tudo o resto na nossa vida, e que, por isso, se um homem se conseguisse mover à mesma velocidade que o sol, não iria crescer nem sofrer qualquer tipo de alteração.

 

Por muito fascinante que esta visão nos possa parecer, Anaxífales não existiu. Confuso? Claro que podem ser encontradas algumas referências a ele na internet (ver esta página para uma dessas menções), mas todas elas originaram num artigo (falso) da Wikipedia. É esse o grande problema de recorrer a citações e fontes que não se conhecem na primeira pessoa; como já cá foi mencionado uma vez, isso é algo com que não podemos concordar, mas que, infelizmente, ainda continua a acontecer demasiadas vezes.

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Este Livro dos 24 Filósofos, talvez demasiado pequeno para a grande riqueza do seu conteúdo, tem o problema de ser de autoria e data desconhecida, informações que até nos poderiam levar a descobertas ainda maiores sobre toda a filosofia que contém, seja na sua versão mais simples ou naquelas em que existe um breve comentário ao seu texto principal.

Diz então a breve trama que prefacia esta obra que 24 filósofos se encontraram e lhes foi posta uma questão - o que é Deus? É uma questão extremamente interessante, e que parece ocupar a cabeça da humanidade desde o princípio dos tempos; por isso, caro leitor, antes de continuar a ler as linhas que se seguem fica a sugestão de que pense um pouco nesse mesmo tema.

 

Tornando depois ao conteúdo desta obra, as 24 respostas oferecidas à questão são, quase todas elas, tão sucintas quanto complexas. Não sabemos a identidade de nenhum dos seus autores, mas alguns deles dizem-nos que Deus é, por exemplo:

2- "... uma esfera infinita cujo centro está em todo o lado e cuja circunferência não está em lado nenhum";

3- "... inteiro no seu todo";

5- "... aquele além de quem ninguém melhor pode ser pensado";

7- "... princípio sem princípio, progresso sem mudança, fim sem fim";

10- "... aquele cujo poder não pode ser medido, cujo ser não pode ser limitado, cuja bondade não tem limites";

18- "... uma esfera que tem muitas circunferências como pontos";

19- "... imóvel em movimento";

21- "... a escuridão deixada na alma após toda a luz".

 

De um ponto de vista teológico, estas definições, apesar de muito breves (até porque aqui só se reproduziram as mais sucintas) são riquíssimas, e poderíamos até escrever centenas e centenas de páginas sobre cada uma delas, mas ficará ao leitor, se assim o desejar, fazê-lo. Fica o convite!

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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