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Esta expressão, mais comum em Inglês do que em Português, parece advir da tragédia esquiliana Agamémnon, num momento em que Clitemnestra, ao justificar ao coro o porquê dos seus actos, diz algo semelhante a "Acto por acto, ferida por ferida (...) trabalhaste com a espada e pela espada morres". Por isso, trata-se de uma expressão que nos remete à ideia de que quem faz uma dada acção tem, muitas vezes, um retorno semelhante.

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Esta expressão advém de um famoso mito grego. Segundo nos contavam, originalmente, os perdidos Poemas Cíprios, numa dada altura teve lugar o casamento de um mortal com uma deusa, Peleu com Tétis, que acabaria por gerar Aquiles. Todos os deuses foram convidados, com excepção da Discórdia (i.e. "Éris"); esta, para se vingar, fez entregar no local uma maçã de ouro na qual estava inscrito "Para a mais bela". Afrodite, Atena e Hera disputaram o invulgar fruto, o que levou depois ao Julgamento de Páris e à Guerra de Tróia, ambos temas que já cá foram tratados múltiplas vezes.

 

O "pomo da discórdia" é então esta invulgar maçã, um metafórico fruto ou elemento que gera algum tipo de incompatibilidade entre aqueles que o disputam, sejam eles as deusas do Olimpo ou simples mortais.

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Sobre esta expressão, aqui fica uma pequena tradução das linhas que Erasmo lhe dedica, nos seus Adágios:

 

"Antropos antropou lukos", o Homem é um lobo para o Homem. Quase o contrário da anterior [i.e. "Homo homini deus"] e aparentemente derivada da mesma, é uma frase de Plauto na Asinaria. Aqui somos avisados a não confiar numa pessoa desconhecida, mas a ter cuidado com ela como se de um lobo se tratasse. "O Homem é um lobo e não um homem", diz Plauto, "para aquele que nada sabe sobre o seu carácter".

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"A arte é longa, a vida breve", muitas vezes citada numa versão latina - "ars longa, vita brevis" - é uma ideia popularizada por Séneca, que a menciona no seu tratado Sobre a Brevidade da Vida sob a forma de "uitam breuem esse, longam artem". Porém, a sua origem também antecede esse autor em alguns séculos, com os Aforismos de Hipócrates a começarem com uma frase e ela muito semelhante:

A vida é breve,

A arte longa,

A ocasião passageira,

A experiência perigosa,

O julgamento difícil.

 

Trata-se então de uma ideia que nos remete, entre outras coisas, para a impossibilidade de se saber tudo, dado que o nosso tempo de vida para isso seria insuficiente.

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A expressão "Calcanhar de Aquiles" é ainda hoje usada para designar uma qualquer fraqueza particular em algo. Assim, ao dizer-se algo como "O calcanhar de Aquiles daquela equipa é a defesa", pretende-se dizer que o seu ponto fraco era a incapacidade para defender correctamente. Muito simples, até porque a expressão é sobejamente conhecida, mas de onde vem ela?

 

Descortinar essa história é muito menos simples do que nos poderia parecer. Na Ilíada não existe qualquer referência a uma especial vulnerabilidade que Aquiles possa ter tido, até porque este herói é aí ferido e sangra. Saltando alguns séculos mais à frente, é somente já no início da nossa era que um primeiro autor, Estácio, alude a uma pequena história na qual este herói, ainda muito jovem, tinha sido banhado pela mãe no rio Estige; isto deveria torná-lo invencível, mas como Tétis o segurou por um dos calcanhares, a figura teria sempre essa vulnerabilidade. Poderíamos então pensar que teria sido Estácio, na sua incompleta Aquileida, a originar a expressão, mas a verdade é que nos muitos séculos que separam os Poemas Homéricos desta criação latina existem múltiplos vasos que têm representados alguma sequência da morte de Aquiles, com o herói a ter, muito frequentemente, uma flecha a trespassar um dos pés.

 

Teria ele morrido dessa ferida? Estaria a flecha envenenada? Muitas poderiam ser as questões relativas ao episódio mitológico, mas seriam um pouco secundárias para o tema aqui em discussão. Nas fontes a que ainda temos acesso, a ideia de uma vulnerabilidade do herói só aparece, como já dito, no primeiro século da nossa era, vindo depois a ser popularizada não através de uma única obra - como poderíamos crer - mas de todo um conjunto de obras que, ao longo dos séculos, a foram repetindo. Esta é, portanto, uma ideia de um autor desconhecido, que a cultura popular foi disseminando com o decorrer do tempo.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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