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Por mais estranho que isto hoje nos possa parecer, "Puta" parece ter sido uma deusa romana que presidia à poda das árvores. Só é mencionada por Arnóbio, no seu Contra as Nações (já falado aqui), sendo provável que essa informação tenha vindo da famosa obra de Varrão. Nada mais nos é dito sobre esta figura mitológica, mas - sem qualquer apoio de informação real - alguns autores parecem considerar que as sacerdotisas desta deusa se prostituíam, o que supostamente teria levado ao seu uso pejorativo ao longo dos séculos.

 

Têm esses autores razão? A resposta é um ressonante "não!", não só pela falta de informação real que apoie essas linhas, mas também pelo próprio contexto da referência na obra de Arnóbio - surge numa sucinta referência a diversas divindades, como Peta (deusa das preces), Patelana e Patela (deusas das coisas reveladas e ainda por revelar) ou Noduterense (deus associado à separação do grão), entre outros. Nada mais nos é dito sobre cada uma dessas figuras divinas, sendo apenas dadas por mero exemplo - o autor continua o seu argumento apontando a estranheza que é ter divindades associadas a todas as coisas - "Osílago, que dá aos ossos a sua solidez, não teria nome [se não existissem ossos]? (...) Existem deuses encarregados de coisas que ainda não foram criadas?".

Em suma, tratando-se Arnóbio de um autor cristão, se à deusa Puta fosse associado um culto sexual, certamente que isso também seria mencionado na sua obra - e nunca o é.

 

Mas então, de onde virá a nossa palavra "puta"? Um dicionário consultado diz que esta palavra tem "origem controversa", e se não somos capazes de apontar essa origem - até porque etimologias não são a nossa especialidade - podemos é afirmar, sem quaisquer dúvidas, que não provém desta obscura deusa romana.

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Esta expressão, mais comum em Inglês do que em Português, parece advir da tragédia esquiliana Agamémnon, num momento em que Clitemnestra, ao justificar ao coro o porquê dos seus actos, diz algo semelhante a "Acto por acto, ferida por ferida (...) trabalhaste com a espada e pela espada morres". Por isso, trata-se de uma expressão que nos remete à ideia de que quem faz uma dada acção tem, muitas vezes, um retorno semelhante.

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Esta expressão advém de um famoso mito grego. Segundo nos contavam, originalmente, os perdidos Poemas Cíprios, numa dada altura teve lugar o casamento de um mortal com uma deusa, Peleu com Tétis, que acabaria por gerar Aquiles. Todos os deuses foram convidados, com excepção da Discórdia (i.e. "Éris"); esta, para se vingar, fez entregar no local uma maçã de ouro na qual estava inscrito "Para a mais bela". Afrodite, Atena e Hera disputaram o invulgar fruto, o que levou depois ao Julgamento de Páris e à Guerra de Tróia, ambos temas que já cá foram tratados múltiplas vezes.

 

O "pomo da discórdia" é então esta invulgar maçã, um metafórico fruto ou elemento que gera algum tipo de incompatibilidade entre aqueles que o disputam, sejam eles as deusas do Olimpo ou simples mortais.

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Sobre esta expressão, aqui fica uma pequena tradução das linhas que Erasmo lhe dedica, nos seus Adágios:

 

"Antropos antropou lukos", o Homem é um lobo para o Homem. Quase o contrário da anterior [i.e. "Homo homini deus"] e aparentemente derivada da mesma, é uma frase de Plauto na Asinaria. Aqui somos avisados a não confiar numa pessoa desconhecida, mas a ter cuidado com ela como se de um lobo se tratasse. "O Homem é um lobo e não um homem", diz Plauto, "para aquele que nada sabe sobre o seu carácter".

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"A arte é longa, a vida breve", muitas vezes citada numa versão latina - "ars longa, vita brevis" - é uma ideia popularizada por Séneca, que a menciona no seu tratado Sobre a Brevidade da Vida sob a forma de "uitam breuem esse, longam artem". Porém, a sua origem também antecede esse autor em alguns séculos, com os Aforismos de Hipócrates a começarem com uma frase e ela muito semelhante:

A vida é breve,

A arte longa,

A ocasião passageira,

A experiência perigosa,

O julgamento difícil.

 

Trata-se então de uma ideia que nos remete, entre outras coisas, para a impossibilidade de se saber tudo, dado que o nosso tempo de vida para isso seria insuficiente.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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