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"Nadar contra a corrente" é, como muitos já saberão, debater-nos - frequentemente com pouco ou nenhum sucesso - contra as adversidades que a vida nos vai apresentando. Mas esta curiosa expressão parece já ter quase mais de 2500 anos - aparece não só nos textos platónicos, mas também nos trabalhos de Ovídio, de Santo Agostinho e de São Gregório, o último dos quais até lhe dá o reconhecido estatuto de "provérbio".

 

Com esta outra expressão termina então a sequência que viemos a conduzir nas últimas semanas, relativa à origem de muitas expressões que ainda estão em uso nos nossos dias. Mais virão no futuro!

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Esta pode ser vista como uma frase um pouco problemática, na medida em que ainda é usada nos nossos dias mas não podemos ter, com maiores certezas, que efectivamente esse seu uso ainda venha da Antiguidade. A ideia provém da Antígona de Sófocles, em que a Creonte o próprio filho diz algo como "Se não fosses meu pai, dir-te-ia insensato". É, nesse sentido, uma espécie de admissão de que existem um conjunto de coisas que não devem ser ditas aos nossos pais, independentemente das acções e decisões que tomem.

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"Ave rara"

25.01.18

Esta expressão em particular já ocorria nas obras de Pérsio e Juvenal, em que nos era dito que - por exemplo - cisnes negros e corvos brancos eram as proverbiais "aves raras". Porém, a maior delas era certamente a fénix, pela sua raridade - recorde-se que, como já cá foi dito, ela somente podia ser vista na cidade de Heliópolis uma única vez a cada 500 anos.

O significado da expressão remete-nos, essencialmente, para a ideia de que algumas coisas são muito invulgares nas nossas vidas. Ainda assim, devemos ter em conta que a expressão original não tinha qualquer conotação negativa, contrariamente ao que acontece com a dos nossos dias.

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Como diziam os antigos, in vino veritas, ou seja, a verdade podia ser obtida através da influência do vinho.

A expressão leva-nos essencialmente à ideia, difícil de refutar, de que as pessoas que já beberam demasiado frequentemente revelam muito mais do que deveriam, chegando até ao ponto de dizer coisas que, mais cedo ou mais tarde, até acabarão por prejudicá-las. Essa é uma dualidade da bebida do famoso deus que bem pode ser apreciada nas mais diversas obras, entre elas a Dionisíaca de Nono.

Mas qual a origem da expressão? Muitos são os autores da Antiguidade que a repetem, não só em letra como em espírito, sendo bastante provável que se tenha tratado de uma expressão muito popular já desde esses tempos. Bebamos, então, aos encantos trazidos pelo deus, mas sem excessos!

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"Morrer a rir"

11.01.18

A fama desta expressão pode levar-nos a uma questão invulgar - será que já alguém morreu a rir? Que verdade existe por detrás da ideia? Infelizmente, se autores como Homero, no livro 18 da Odisseia, ou Terêncio até usam expressões a ela muito semelhantes, parecem fazê-lo de uma forma que é exclusivamente metafórica, um puro exagero com o objectivo de indicar que alguém se riu bastante.

Nas obras que investigámos parecem ter existido pelo menos duas figuras da Antiguidade que morreram a rir - o pintor Zeuxis, depois de uma velhota lhe ter pedido para ser o modelo por detrás de um retrato de Afrodite, e o filósofo estóico Crísipo, após ver um burro a comer figos (acção que até pontuou com uma piada, "agora dêem-lhe também algum vinho"). Por isso, se até pode existir um caso bem real por detrás de toda a expressão, esta parece ter tido, como ainda hoje, uma essência figurada.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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