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Conta-nos uma das histórias medievais do Rei Artur que, numa dada altura, Perceval foi o primeiro dos cavaleiros a ver o Santo Graal. Porém, pela sua juventude, ou quiçá pela sua falta de experiência, acabou por não conseguir atingir esse seu objectivo. Disseram-lhe, posteriormente, que para salvar o rei e obter o Graal ele deveria ter feito "(um)a pergunta". Mas que pergunta era essa? O texto nunca é muito claro nesse ponto, até porque o autor original, Chrétien de Troyes, parece ter falecido antes de completar a sua história, mas a nossa pesquisa revelou uma potencial resposta - Perceval deveria ter inquirido sobre a natureza e a proveniência do estranho prato/cálice. A curiosidade do cavaleiro face à estranha procissão seria, nesse ponto, a do próprio leitor; sem a sua pergunta, também a nossa ficaria sem resposta - e ficou, recorde-se, no texto de Perceval, ou o Conto do Graal, como já cá discutimos há uns anos.

 

P.S.- Para quem não estiver familiarizado com estas histórias, mas até quiser saber mais sobre elas, pode ver este pequeno vídeo (em Inglês). Também podemos falar mais sobre esses temas no futuro, caso hajam vários interessados.

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Apesar de pequeno, este vídeo é certamente interessante para os mais novos!

 

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Não são muitas as fontes da Antiguidade que nos recontam os elementos específicos do ritual do casamento romano, mas existem dois que tendem a ser mencionados com alguma frequência:

 

- Era frequente que os noivos, ou somente a noiva, mudassem de nome. As razões para tal prendem-se com uma crença segundo a qual quem soubesse o nome verdadeiro de alguém, ou de algum local, poderia ganhar poder sobre ele através da magia. É por essa razão que, por exemplo, o verdadeiro nome da cidade de Roma, hoje oculto entre tantos outros mistérios, raramente era mencionado. Isto poderá ter contribuído, mesmo que implicitamente, para que ao longo dos séculos e ainda nos nossos dias, tenha existido a tradição da adopção de um novo apelido nessas ocasiões.

 

- Também, sabemos que o ritual incluía a frase que deveria ser repetida pelos noivos. Ele dizia "Onde fores Caia, serei Caio", ao que ela deveria responder "Onde fores Caio, serei Caia". Se o ritual original se referia a Caio e Caia ou Gaio e Gaia é incerto, dadas as alterações linguísticas que foram ocorrendo ao longo dos séculos, mas o que sabemos é que os dois nomes tinham um significado simbólico, podendo ter-se tratado de referências a duas figuras históricas conhecidas pela sua fidelidade, de uma referência a Gaia, deusa grega da terra (o que lhe daria um sentido semelhante a "onde tu fores, eu irei contigo"), entre várias outras teorias.

 

Finalmente, aqui fica um pequeno vídeo para rir um pouco. A informação aí presente, relativa a São Valentim, é provavelmente falsa, já que pouco sabemos sobre esse santo do século III. Até poderá ser verdade, mas não temos qualquer fontes que o confirmem.

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Este documentário é anunciado como uma comparação das histórias mitológicas e dos comics às histórias bíblicas, e essa é uma ideia que, à primeira vista, até parece interessante. No entanto, o seu conteúdo é de muito fraca qualidade, levando a que seja, pensamos nós, o primeiro conteúdo a cá ser mencionado pela sua notória falta de qualidade.

De um modo geral, este documentário pode ser dividido em duas partes. Na primeira são mostradas algumas das crenças mitológicas e religiosas da Antiguidade e é estabelecido um paralelismo das mesmas com as histórias bíblicas. Isto nada teria de errado, não fosse o facto de os criadores se apoiarem na antiga ideia de que esses paralelismos tinham sido antecipadamente gerados pelo Diabo para fazer com que as pessoas acreditassem menos na mensagem de Jesus Cristo. Como se isso não fosse suficiente, está repleto de erros notórios.

Na segunda parte o documentário socorre-se então de comics americanos e filmes baseados nos mesmos, com a intenção de apoiar a ideia de que todos eles, de uma ou de outra forma, promovem uma satirização da mensagem cristã. Dizem, por exemplo, que o Batman - o herói da história, recorde-se - é um demónio, mas que o Joker/Coringa é representado de forma muito positiva. Dizem que existem ideias demoníacas e mágicas por detrás de alguns criadores de comics, etc. Isto para, no fundo, argumentarem que o grande objectivo dos comics é fazer com que as pessoas descartem a mensagem de Jesus Cristo em favor dos encantos do Diabo. O documentário até termina dizendo algo como "só existe um herói que merece a nossa admiração, o nosso salvador Jesus Cristo", demostrando bem as intenções dos seus autores.

 

Ainda estão a ler? Mesmo que alguém até queira apoiar essas ideias, por razões que não conseguimos compreender muito bem, existe uma falha absolutamente fatal em toda a sua argumentação, que passa por apresentar toda e qualquer informação de forma descontextualizada. Seria como ler Os Lusíadas em busca de uma única frase positiva sobre os deuses pagãos e depois apresentá-la assim, totalmente descontextualizada, para dizer que Luís de Camões era pagão - absolutamente ridículo!

 

Uma busca pelos seus produtores revelou que também existe um The Replacement Gods 2, mas somente pela visualização do trailer já se compreende que defende a mesmíssima ideia, recorrendo novamente a todo o tipo de informações descontextualizadas. É, por isso, um documentário absurdo, a evitar a todo o custo, sob pena de se perderem alguns minutos da nossa vida com algo que nem diverte, nem é verdadeiramente informativo.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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