Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Uma pequena curiosidade - segundo um texto judaico frequentemente conhecido como Genesis Rabbah, após a criação do mundo e até aos dias de hoje Deus dedicou-se a uma tarefa semelhante à de um casamenteiro, unindo determinados homens e mulheres. Tenha-se em conta que esta não é a resposta oficial da igreja católica, sendo apenas mencionada neste texto em particular.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fazendo hoje cem anos das aparições de Nossa Senhora na cidade portuguesa de Fátima achámos que poderíamos escrever um pouco sobre o tema. De uma forma muito simplificada, diz-nos a história (se verdadeira ou não, é uma questão de fé) que Nossa Senhora, a mãe de Jesus Cristo, apareceu a três pastorinhos. Não nos cabe a nós julgar a veracidade dessas aparições, mas é indisputável que Lúcia Santos, Jacinta e Francisco Marto creram ter visto a mãe de Cristo e acreditavam que esta, ao longo de alguns meses, lhes transmitiu algumas mensagens.

 

Porém, situações como essas nada têm de novo. Uma vez, quando Atenas ia ser atacada por um qualquer invasor, Artémis e Apolo apareceram e afugentaram os opositores. Cícero menciona que em algumas batalhas da sua época os dois gémeos divinos, Castor e Pólux, foram vistos a combater entre as fileiras romanas. Contam-nos também algumas crónicas que Apolónio de Tiana uma vez se transportou, magicamente, de um local em que estava para um navio em pleno mar. E se aparições de Jesus fora do Novo Testamento são pouco comuns, várias são as aparições de alguns santos, com o caso específico da Virgem Maria a ser particularmente frequente.

 

A que se devem todas estas aparições? Alguns autores até as atribuem a períodos de grande stress societal, mas... é tudo uma questão de fé.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

O seguinte emblema pode, hoje em dia, ser encontrado em muitos carros:

Claro que representa um pequeno peixe, mas qual o seu verdadeiro significado? Não temos a certeza se todos aqueles que o usam ainda o fazem pela mesma razão, mas originalmente este símbolo era usado para que os verdadeiros cristãos se reconhecessem uns aos outros. Diz a história que um dos crentes desenhava metade do peixe e se um outro fosse capaz de completar o desenho seria, também ele, um cristão oculto num tempo de perseguição.

 

Mas porquê um peixe e não uma âncora, uma cruz, ou um qualquer outro símbolo? A resposta não é óbvia, mas provém da palavra grega para peixe - ἰχθύς, ou ichtys. Tratava-se de um acróstico que, convenientemente, demonstrava a crença do verdadeiro verdadeiro cristão num Iesous Christos, Theou Yios, Soter (que é como quem diz "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador").

 

Assim se explica este curioso fenómeno cultural, mas deixamos uma pequena questão - se tiverem um emblema destes no vosso carro, porque razão o usam? Conheciam esta história, ou usam-no por uma razão totalmente distinta? Agradeçemos, como sempre, qualquer participação!

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Em altura de Páscoa podemos recordar três histórias menos conhecidas da crucificação de Jesus Cristo, estas provindas de evangelhos e histórias gnósticas. Não é, evidentemente, nestas tradições que a Igreja acredita hoje em dia, mas nada é perdido em relembrá-las.

 

Numa delas, quando Simão de Cirene o ajuda a transportar a cruz durante parte da via sacra, Jesus troca de identidade com este. Ou seja, é este Simão, sob a forma humana de Cristo, que acaba por ser crucificado, enquanto que o verdadeiro Jesus se ri de toda a cena, supostamente pelas pessoas acreditarem que Deus poderia ser crucificado.

 

Numa outra, Jesus era um homem comum sobre quem o Espírito Santo desceu no baptismo. Foi só nesse momento que ele se tornou o Cristo, e depois, quando está a ser crucificado, grita "Meu poder, meu poder, porque me abandonaste?". Nessa corrupção do texto bíblico, ele estaria então a dizer que o poder divino de Cristo, que desceu sobre a si no baptismo, agora se tinha afastado - era mero homem, novamente.

 

Numa história já da Idade Média, Jesus é crucificado numa cruz que ele próprio fez (recorde-se que provavelmente foi, tal como José, carpinteiro), usando a madeira da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal - a mesma de onde Eva tinha colhido o famoso fruto. Ninguém parece ter pensado que isso implicava ir ao Paraíso e, por razões que desconhecemos, decidir voltar a sair desse local idílico.

 

Todas estas histórias, distintas das dos quatro evangelhos canónicos, tinham uma espécie de função. Nem sempre é muito fácil distinguir qual seria, mas nos dois primeiros casos poderão ter advindo da necessidade de argumentar que Deus (ou uma qualquer figura divina) não poderia morrer na cruz, enquanto que a terceira nos poderá levar à ideia de uma ligação mais directa entre o pecado original e a sua remissão pelos actos de Jesus.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma pequena curiosidade - quando, na cruz, Jesus gritou "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?", não estava tanto a admitir, de uma forma muito explícita, que o Pai o tinha abandonado de uma qualquer forma, mas a ecoar as palavras iniciais do 22º salmo provindo do Antigo Testamento. Isto acaba por ser de alguma importância já que permitiria identificá-lo como uma das características que, supostamente, um messias deveria vir a ter. O problema, no entanto, é que não existe - ao contrário do que se poderia pensar - qualquer espécie de lista das características de um messias no Antigo Testamento.

 

Pode até parecer uma ideia estranha para quem perceber menos do assunto, mas o que tende a suceder no Novo Testamento é que quando Jesus faz algo, isso é normalmente visto como uma espécie de alusão a algum elemento do Antigo Testamento. Não são sinais de um messias, pelo menos não de uma forma totalmente explícita, até porque nenhum autor dos primeiros séculos da nossa era listou as características que este deveria ter, limitando-se a dizer que Jesus, supostamente, as cumpriu a todas. É portanto natural que os Judeus não o tenham aceite como messias - se existisse um conjunto fixo de regras a cumprir, seria muito fácil dizer que Jesus as cumpriu (ou não), e portanto aceitá-lo (ou rejeitá-lo) nessas bases. Isso não aconteceu porque não era possível acontecer.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)


Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog