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Santa Eugénia de Roma, quando ainda era nova, fugiu de casa, disfarçou-se de homem e acabou por se juntar a uma ordem religiosa masculina. Depois, um dado dia, curou miraculosamente uma mulher, e como forma de "agradecimento" esta última tentou seduzi-la, mas sem sucesso. Zangada, a mulher acusou-a de adultério e a santa foi levada a tribunal, onde o juiz era ainda o seu pai. Este não a reconheceu - recorde-se que Eugénia continuava disfarçada de homem - e o caso ia ser perdido, até que a santa levantou a roupa, expôs os seus seios (como dizem algumas histórias bizantinas) e declarou a sua verdadeira identidade. Foi logo exonerada do crime que não tinha cometido, mas acabou por ser, alguns anos mais tarde, morta numa perseguição aos cristãos - foi decapitada na data de 25 de Dezembro.

 

Esta história tem, no entanto, um aspecto adicional - conta a história que, alguns séculos mais tarde, as relíquias desta santa foram trazidas para Portugal, onde ainda estão presentes numa igreja da zona de Rio Covo (Barcelos). Fica a informação, caso alguém deseje visitá-la!

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Um esqueleto descoberto entre cinzas de animais sacrificados no Monte Lykaion, na Grécia, no santuário descrito como o local do nascimento de Zeus, está a intrigar os cientistas e pode ser a prova que faltava para comprovar os sacrifícios humanos ao deus grego.

(...)

 

O resto da notícia pode ser lida aqui. O que dizer sobre ela? É verdade que existem nos mitos gregos diversas menções ao sacrifício de humanos - na tragédia Ifigénia na Táurida, para dar um exemplo bastante conhecido, Orestes e Pílades quase são sacrificados à divindade local - mas é quase sempre no contexto de uma abolição dessas mesmas tradições, então já vistas como tão bárbaras quanto horrendas. Se até nos parece provável que tais rituais tenham tomado lugar na Grécia, só poderão ter ocorrido em tempos mais remotos; nos poemas de Homero ainda existiam, aqui e ali, referências a sacrifícios humanos - pense-se nos casos de Ifigénia e Políxena - mas sempre como uma conotação negativa e com os deuses a castigarem frequentemente quem ainda os realizava. Tanto Agamémnon como Neoptólemo, figuras ligadas a essas duas mortes, acabam por ser punidos, como o são várias outras figuras que sacrificaram humanos (Tântalo, o Licáon mencionado no artigo, etc).

 

Somos então levados à ideia crucial de que esses sacrifícios humanos só poderão ter sido vistos como aceitáveis numa idade muito anterior à de Homero. Isto justifica as vagas alusões que lhes são feitas nos séculos mais próximos da nossa era - sabia-se que tinham sido realizados, sim, mas em épocas remotas, já difíceis de datar para os poucos autores que sobre eles ainda nos escreveram, e que dificilmente os terão testemunhado na primeira pessoa.

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Existe, na Sicília, uma zona cujo nome provém de "Santa Ninfa", supostamente uma santa mártir do século IV, que, naturalmente, teria esse nome... mas, até devido à singularidade do nome, tudo fará mais sentido se se tiver em conta que o local, anteriormente, era chamado "Ad Nymphas" devido às suas belas águas, e que a existência dessa santa não é atestada na Antiguidade.

 

Trata-se, portanto, de uma situação em que uma santa foi inventada para dar o nome a um dado local, e se a vida (não histórica, note-se) da mesma até menciona a localidade, esta não é uma das situações em que uma santa deu nome ao local, mas sim em que o local veio a dar o seu nome a uma (muito potencialmente falsa) "santa".

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Hoje fui confrontado com uma questão que achei que não podia ignorar, quando alguém se perguntou "Onde ficava Tróia?", referindo-se, sem dúvida, à Tróia dos poemas de Homero.

 

De uma forma muito simples, eu poderia, simplesmente, dizer que não sabemos onde ficava a Tróia de que nos fala Homero. Mesmo na Antiguidade, muitos já eram os autores que debatiam esse tema, e se muitos foram aqueles que davam as suas opiniões, parece-me também que não existia nenhuma opinião totalmente convicente, a que todos eles aderissem de uma forma una.

 

Agora, se num século muito mais recente Heinrich Schliemann "descobriu" (as aspas são intencionais) Tróia, essa é uma possível "descoberta" cujo caminho não é simples, e que pode ser explorado na sua obra Troja und seine Ruinen (em Português, algo como "Tróia e as suas ruínas"). Caberá ao leitor, com base no conteúdo da mesma, avaliar se os argumentos de Schliemann são convincentes, ou se apenas serviram para esse autor ver o que queria ver. Se nos poderá parecer, à primeira vista, que essa segunda opção é a mais lógica, ao mesmo tempo também não podemos descurar o facto de, nessa sua obra, o autor tirar várias elações que fazem muito sentido, muito mais sentido do que poderíamos pensar antes de a ler.

 

Serão, então, a Tróia de Schliemann, localizada na turca Hisarlik, e a de Homero, uma só? Essa é uma questão à qual eu dificilmente saberia responder, mas convido todos os interessados no tema a lerem a obra de Schliemann e, com base no que ela lhes disser, formarem as suas próprias conclusões.

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Aqui fica um artigo recente sobre uma redescoberta de um Templo de Hades, e paralelismo da sua simbologia em algumas outras culturas.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.



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