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Pouco se sabe sobre Semónides de Amorgos (que não deverá ser confundido com o, mais famoso, Simónides [de Ceos]), excepto que entre os poucos fragmentos que dele nos chegaram se conta um poema Contra as Mulheres. Nele, o autor equipara jocosamente diversos tipos de mulheres a diversos animais. Termina o seu poema, na forma em que o temos hoje e que até poderá não ser o final original, dizendo algo como:

 

Cada homem irá elogiar activamente a sua própria

E culpar a mulher do próximo; mas não vemos

Que todos partilhamos esta pobre sorte.

Pois Zeus fez desta a maior de todas as dores

E fechou-nos numa corrente forte como ferro,

Para nunca ser quebrada,

Desde aquele dia em que Hades abriu os seus portões

A todos os homens que lutaram a guerra daquela mulher.

 

É para nós um pouco chocante, essa ideia da mulher como destruidora do homem, mas também era uma ideia bastante repetida nas mais diversas obras da Antiguidade - temos a Eva cristã, que levou à expulsão do Paraíso, mas também figuras como Pandora (representada acima), e Helena, esposa de Menelau, aqui criticada no último verso. Por isso, por muito ofensivo que esse poema (hoje) nos possa parecer, devemos é interpretá-lo como um sinal dos seus tempos, e de quanto a cultura europeia foi mudando ao longo dos séculos.

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Em diversos países europeus os nomes dos dias da semana remetem directamente para divindades pagãs locais. Isso não acontece em Portugal ("segunda-feira", ..., "sexta-feira", "sábado","domingo"), pelo que achámos que poderíamos explicar sucintamente o porquê.

 

No século VI da nossa era S. Martinho de Dume (também conhecido por Martinho de Braga) escreveu uma epístola Da Correcção dos Rústicos, em que instava os leitores a abandonarem os erros da cultura pagã. Segundo ele, se eram muitas as pessoas que já se tinham convertido ao Cristianismo, estas também continuavam ainda a aderir a diversos costumes pagãos, como celebrar os dias da semana associados aos vários deuses ou depositar pequenas pedras em altares a Mercúrio. O título da epístola vem, naturalmente, da necessidade cada vez maior em "corrigir" esses antigos costumes, que o autor insere num contexto religioso e descreve de forma breve.

 

Não sabemos que efeito real terão tido as palavras de S. Martinho, mas há que frisar que ele não propõe qualquer solução real para o problema, apenas dizendo que os dias deveriam ser dedicados a Deus. No entanto, certamente que poderá ter influenciado a busca por essa solução, já que menos de 100 anos após a escrita das suas linhas surge-nos a primeira referência a uma "segunda-feira", que ainda hoje pode ser vista na Igreja de S. Vicente, em Braga - a mesma cidade associada ao santo. Estaria essa nova designação já em uso no seu tempo? Até é possível que sim, mas não temos provas directas que o atestem com uma total certeza.

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Todos aqueles que já tenham visto o filme "Quo Vadis" de 1951 terão visto uma cena em que Nero canta uma breve música:

 

 

Se esta música nada parece ter de notável, a sua melodia provém do Epitáfio de Sícilo, uma das mais antigas músicas que nos chegou preservada de forma completa. Pode ser ouvida abaixo:

 

 

É claro que a letra original nada tem a ver com a cantada por Nero na primeira sequência, mas não deixa de ser curioso que tenham reaproveitado a melodia para o filme, mostrando que quem o produziu sabia bem o que estava a fazer.

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Em quatro livros e como o seu próprio título indica, esta obra de Opiano aborda o tema da caça. O primeiro é uma introdução à caça, os dois seguintes são sobre os animais, enquanto que o quarto explica como caçar algumas dessas espécies. Não o faz para todas - por exemplo, o autor nunca explica como capturar uma girafa ou uma avestruz - mas somente para as mais previsíveis, que ele próprio já parecia ter visto com os próprios olhos, como o leão ou a raposa. Mas, de um ponto de vista mitológico, esta mesma obra tem dois elementos interessantes:

 

- Conta algumas histórias que não conhecemos de outras fontes. Uma delas, por exemplo, é a de um príncipe que perdeu todos os seus cavalos, com excepção de uma égua e seu descendente. Com vista a recuperar a sua manada, decidiu mascarar ambos os animais, untá-los com outro cheiro e tentar que se unissem no acto sexual. Conseguiu fazê-lo, mas mal os animais se aperceberam do que tinham feito, dirigiram-se para uma pedra e bateram com a caça repetidamente, até morrerem. O autor equipara-a à história de Édipo.

 

- Tratando-se de uma obra sobre animais, é curiosa que aqui exista uma inversão de algumas convenções dos poemas épicos. Quando, por exemplo, dois touros se preparam para o combate e arrastam um pouco de chão com as patas dianteiras, o autor equipara-os a dois lutadores que se preparam com areia.

 

Apesar destas características é uma obra um tanto ou quanto singular, que apenas apelará a uma audiência muito específica.

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Estácio, nesta sua obra de poesia épica, recorda o mito dos sete contra Tebas, em que os dois filhos de Édipo disputam o trono do próprio pai. Se o autor cumpre o seu papel, também não é uma obra muito interessante, em que as sequências de batalha são muito simples e pouco nos recordam do encanto das obras de Homero. É, ainda assim, uma obra de alguma importância, por ser a única que nos reconta, de uma forma completa, a história desta guerra em particular, o que a levaria a ter alguma impacto na produção da Idade Média sobre o mesmo tema, sendo até o Roman de Thèbes nela baseado de uma forma indirecta.

 

Em termos da trama, este poema começa com a maldição lançada por Édipo a ambos os filhos, terminando com a morte dos dois irmãos e os eventos que se lhe seguem, bem mais famosos da Antígona de Sófocles. Pelo caminho retrata a forma como os sete heróis tentam conquistar Tebas e reaver o trono legítimo de um dos filhos de Édipo. Esse não é, contudo, um mito simples, que possamos recordar num punhado de linhas, pelo que voltaremos a ele, de forma mais concreta e detalhada, no futuro, só então recordando alguns dos seus episódios principais.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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