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O tema da 11ª oração de Dion Crisóstomos é, creio eu, demasiado curioso para eu não falar dele aqui. O autor escreve, nessa altura, de uma Tróia que não foi derrotada, e de uma história de Homero repleta de mentiras.

Deixa, por exemplo, subentendido que a cegueira de Homero se devia à mesma razão que a de Estesícoro, mas também diz que Helena jamais foi raptada, que Aquiles teria morrido pela mão de Heitor, que haveria uma boa razão para o mesmo autor não ter contado "as histórias de Mémnon e da Amazona", que o famoso episódio do cavalo jamais teria tido lugar, e muitas outras coisas do género, que apoia no suposto testemunho de um egípcio com quem teria falado.

Claro que qualquer outro autor poderia pôr problemas destes, mas o melhor, no texto de Dion, é que todas essas possibilidades estão extremamente bem justificadas, e até fazem todo o sentido, face aos argumentos apresentados. Mas... uma questão óbvia, aqui, é se o conteúdo do texto será verdadeiro, ou seja, se essa possibilidade, essa ideia de uma Tróia que não foi derrotada, era vista como real na altura.

Será que era? No contexto das outras orações do mesmo autor, parecer-me-ia correcto concluir que, mais do que pensar na veracidade dessa ideia, deveríamos era pensar no porquê do autor escrever as linhas que escreve, e é nesse contexto que fará mais sentido ver este texto como, por exemplo, uma crítica aos sofistas, habituados a torcer as verdades com os seus argumentos, do que termos de nos interrogar sobre se, por exemplo, Homero fez um retrato fiel das artes guerreiras de Aquiles.

Este sim, é um texto extremamente interessante, e que deverá, creio eu, sem dúvida ser lido por todos aqueles que estudam os poemas homéricos, quanto mais não seja para se poderem rir um pouco.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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