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Aqui fica mais um vídeo bastante interessante, desta vez relativo ao Império Assírio.

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Este pequeno livro de Miguel Pselo conta, de uma forma muito sucinta, como funcionam os daemones, e daí o seu título. É estruturado como um diálogo entre uma pessoa que sabe (indirectamente) o que está a dizer sobre esse tema e uma que parece querer aprender um pouco mais. Nada apresenta de muito complexo, mas contém alguma informação interessante para quem, como uma das personagens, quiser saber mais sobre como essas intervenções funcionavam. Por exemplo, como é feito um pacto com um daemon? Parafraseando a informação deste livro:

 

 

É um ritual macabro, horrendo, como o são quase todos do género, mas é mesmo esse aspecto assustador, ilegalmente transgressivo, que supostamente contribui para o seu poder. Felizmente a obra não contém muitos outros momentos tão chocantes como este, sendo uma boa fonte de informação sobre a forma como os daemones (que, aqui, até poderíamos traduzir já como "demónios") eram vistos no século XI. Ainda assim, convém que leitores mais sensíveis a evitem, por razões óbvias.

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Atribuída a um autor bizantino que apenas conhecemos sob o nome de "Elias", esta frase provinda de um comentário às Categorias de Aristóteles dá muito que pensar:

 

"O autor [de um livro] é um caro amigo, mas também a verdade o é, e quando ambos estão à minha frente a verdade é a melhor amiga".

 

O que queria ele dizer com isto? Muitas poderiam ser as interpretações mas... fica ao leitor a sua interpretação, como sempre.

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O tempo da Inquisição foi, como muitos leitores certamente saberão, um tempo de censura de ideias. Obviamente que nessa altura não se podia dizer mal da Igreja, nem se poderiam difundir ideias contrárias às suas, mas quem já se interrogou sobre as razões pelas quais determinados livros foram então banidos? Ora bem, numa obra impressa em Lisboa no ano de 1581, com o esclarecedor título Catalogo dos liuros que se prohibem nestes Reynos & Senhorios de Portugal... Com outras cousas necessarias â materia da prohibição dos liuros, essa questão pode ser, pelo menos em parte, resolvida, já que entre os seus conteúdos está contido um conjunto de nove regras basilares para justificar essa selecção. E são, de forma muito simplificada, as seguintes:

 

1- Livros condenados antes de 1515;

2- Livros dos heresiarcas e de hereges;

3- Traduções de textos em que existam elementos contra a doutrina cristã;

4- A Bíblia em linguagem do povo (se for produzida sem autorização);

5- Livros como Vocabulários, Apotegmas, Índices, etc, em que passagens censuradas podiam ter sido citadas;

6- Livros que tratam de controvérsias entre católicos e hereges;

7- Livros que ensinam coisas "lascivas ou desonestas". Haviam algumas excepções para belas obras "escritas pelos gentios", mas, curiosamente, adiciona-se que mesmo essas "em nenhum caso se lerão aos moços";

8- Livros de boa natureza, mas com passagens heréticas;

9- Livros sobre temas como Geomancia, Hidromancia, etc.

 

Curioso é o facto de se poder proceder de duas formas em relação a livros que violassem estas regras - ou eram totalmente proíbidos (como no caso de Lúcio, ou o Burro de Luciano da Samósata, ou as Metamorfoses de Ovídio, provavelmente pelas transformações mágicas), ou tinham algumas passagens simplesmente "riscadas" (como numa passagem do segundo canto do Inferno de Dante Alighieri). As razões para tais acções são relativamente fáceis de perceber, mas prendem-se, essencialmente, com uma tentativa de defender os costumes e a sacralidade do Novo Testamento. Porém, tais acções também impediam a livre circulação de ideias... o que é sempre de evitar!

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O que dizer sobre o poema épico de Lucano que é, entre nós, normalmente conhecido como Farsália? Ficámos um pouco com a ideia de que é uma obra sem heróis e sem vilões, e em que a própria guerra civil é que toma o lugar cimeiro. Tem momentos belíssimos e instantes de horrendos crimes de guerra. Mas, de um ponto de vista dos mitos, existem dois momentos especialmente importantes.

 

No quarto livro, e ao longo de cerca de 80 versos, é-nos recontado detalhadamente o combate entre Hércules e Anteu, a que já uma vez fizemos referência aqui. Podemos estar enganados, mas é provável que se trate da versão mais detalhada que ainda temos para esse episódio mitológico.

 

No nono livro e também em cerca de 80 versos é retratado o mito de Perseu e da Medusa. Nada há de muito especial nessa referência, até porque o mito é sobejamente conhecido, mas o relato contém um punhado de versos de curiosa importância, que nos dizem que, por exemplo, que a deusa Atena, enquanto auxiliava Perseu, evitou olhar para a Medusa - o que lhe teria acontecido se não o fizesse? Não nos é dito, o que é pena.

 

De um modo geral esta é uma obra... razoável, talvez essa seja a melhor palavra para a definir. Muito poucos serão aqueles que terão interesse nela, com excepção dos que procurem mais informação sobre a guerra civil romana, mas mesmo assim há que deixar um ponto crucial - a obra está incompleta, terminando com César a escapar do Egipto.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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