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Imagem da peça

Esta comédia apresenta-nos um evento pseudo-mitológico - o dia em que Pluto, deus da riqueza, foi curado daquela famosa cegueira, a mesma que anteriormente o levava a recompensar os criminosos e a se afastar dos justos. Seguindo essas linhas, os delatores deixaram de ser recompensados, as ricas velhotas deixaram de ser amadas por jovens pobres, e muitas outras coisas que tais. Era esse um mundo muito mais justo do que aquele que temos agora? Certamente que sim, mas também um mundo com muitos problemas de outra natureza - como a deusa Pobreza aqui o argumenta pela sua própria voz. Por isso, é uma comédia que faz rir, mas que também nos dá bastante que pensar.

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Diana prateada, esclarecida
Com a luz que do claro Febo ardente,
Por ser de natureza transparente,
Em si, como em espelho, reluzia,

Cem mil milhões de graças lhe influía,
Quando me apareceu o excelente
Raio de vosso aspecto, diferente
Em graça e em amor do que sohia.

Eu vendo-me tão cheio de favores,
E tão propinquo a ser de todo vosso,
Louvei a hora clara, e a noite escura,

Pois nela destes cor a meus amores:
Donde collijo claro que não posso
De dia para vós já ter ventura.

 

(Soneto CCLXXX)

Outro poema em que os sentimentos do sujeito poético se confundem com as ideias de um mito.

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Datado do século XVI, este livro foi escrito por um letrado de Florença. O seu nome não é totalmente claro, variando de algumas formas entre edições, mas naquela a que tivemos acesso surge como "Giovanni Battista Gelli".

Imagem de Circe

Mas de que trata este livro entitulado Circe? Essencialmente, é uma expansão da ideia presente num tratado da Moralia plutarquiana, em que Ulisses falava com um ser humano que a famosa feitiçeira tinha transformado em porco. A mesma ideia é aqui expandida apresentado vários outros animais, que o herói homérico tenta, sem sucesso, convencer a voltar à forma humana. Apesar do quadro invulgar, tratam-se de vários pequenos diálogos sobre a forma como os animais são, aqui se argumenta, superiores aos seres humanos. Poderia pensar-se que um pescador transformado em ostra, ou um médico tornado cobra, podiam estar insatisfeitos com as suas transformações, mas dizem-nos, aqui e de forma bem justificada, o porquê de preferirem essas novas vidas às suas anteriores. Se também nós concordamos com os seus argumentos, bem, isso é questão de se ler a obra e pensar nos vários casos apresentados.

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Levantai, minhas Tágides, a frente,
Deixando o Tejo ás sombras nemorosas;
Dourai o vale umbroso, as frescas rosas,
E o monte com as árvores frondente.

Fique de vós um pouco o rio ausente,
Cessem agora as liras numerosas,
Cesse vosso lavor, Ninfas formosas,
Cesse da fonte vossa a grã corrente.

Vinde a ver a Teodósio grande e claro,
A quem está oferecendo maior canto
Na cítara dourada o louro Apolo.

Minerva do saber dá-lhe o dom raro,
Palas lhe dá o valor de mais espanto,
E a Fama o leva já de polo a polo.

 

(Soneto CCXXVII)

Será que as Tágides aceitaram este convite?

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O encontro de Penélope com Ulisses

Penélope, esposa de Ulisses, é particularmente famosa da Odisseia graças à sua enorme fidelidade, mesmo após duas décadas de ausência do herói. Contudo, existem, nesta e naquela fonte menos conhecida, diversas referências a potenciais infidelidades da sua parte. Não valerá a pena recordá-las a todas - pobre Penélope! - mas existe uma tão curiosa que não poderíamos deixar de a mencionar por cá.

 

Segundo um dos fragmentos de Dúris de Samos, esta personagem mitológica tinha sido mãe de Pã. Mas quem era o pai? Jamais acertariam na resposta, porque se tratava... de todos os pretendentes da heroína, como se ela se tivesse envolvido sexualmente com todos eles e daí fosse gerado um único filho. Essa possibilidade merece ser contrastada com a do mito de Alcmena, que envolvendo-se com Zeus e Anfitrião numa mesma noite, gerou dois filhos, um do deus e outro do marido.

 

Mas de onde vem uma tão absurda possibilidade? Provavelmente da etimologia - Pan significava "todos", e por isso uma potencial traição com todos poderia vir a gerar, simbolicamente, esta criatura.

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Este espaço é da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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