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Muitos são os mistérios que se escondem nos versos da Divina Comédia, mas hoje focamo-nos na ideia de Virgílio - o mesmo que escreveu a Eneida, entre outras obras - enquanto guia de Dante. Porquê ele, e não Homero, ou Ulisses, ou Eneias, ou uma Sibila, ou até alguma outra figura mais ligada aos conhecimentos do submundo?

 

Não é uma resposta simples, nem uma que se possa sequer dar com 100% de certezas, mas sabemos é que na Idade Média Virgílio era visto como um mago, talvez até como uma das mais famosas figuras mágicas do sexo masculino. Isso poderá dever-se ao facto de as suas obras conterem profecias, uma delas até (supostamente) relativa à vinda de Cristo. Se, então, se acreditava que ele tinha conhecimentos sobrenaturais, faria por isso algum sentido que fosse uma figura pagã indicada para apresentar o mundo dos mortos a um potencial visitante.

 

Mas será, sem qualquer dúvida, esta a razão pela qual Virgílio foi o escolhido? Realisticamente, não sabemos. O seu papel na Comédia poderá ter sido tanto uma consequência, como uma causa, da sua fama enquanto mago. Porém, também poderá ter sido escolhido por se tratar do mais famoso poeta latino de então e, por isso, um bom modelo para o próprio Dante. Muitas outras poderão ter sido as razões, mas as aqui apresentadas são aquelas que, de um modo geral, nos parecem as mais lógicas.

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Pequena torre perto de Algés

Perto da cidade de Lisboa existe uma pequena povoação de nome "Linda-A-Velha". Uma tão-invulgar designação tende a suscitar a curiosidade daqueles que por lá passam - por isso, de onde vem o nome?

 

Conta-nos uma versão da lenda que nessa povoação, entretanto ainda sem nome, vivia uma jovem lindíssima. Habitava uma torre semelhante à da imagem, e por muitos homens que buscassem o seu amor, ela rejeitava-os a todos. Um dia, conheceu um formosíssimo cavaleiro e apaixonou-se por ele. Viveram alguns tempos do mais intenso amor, até que um dia ele teve de voltar para uma qualquer guerra. Aguardando sempre pelo retorno do seu amado, a jovem colocou-se à janela e fitou o Tejo.

O tempo foi passando e a jovem tornou-se mulher, continuando a aguardar que o seu amado voltasse.

E o tempo passou, e passou, e passou. A mulher tornou-se velha, mas continuou sempre a vigiar o Tejo, com uma infinita esperança de que aquele homem que amava um dia voltasse para os seus braços. Enquanto isso, abaixo da sua janela passavam jovens todos os dias, que, fitando o rosto sempre miraculosamente imaculado da velha, jamais se cansavam de dizer " Que linda a velha!" - e assim foi sendo dado o nome ao local em que a formosa e famosa amante um dia viveu...

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La Llorona, desenho

Vai estrear amanhã em Portugal o filme A Maldição da Mulher Que Chora (no original, The Curse of La Llorona). É um filme de terror baseado numa lenda mexicana, pelo que achámos que podíamos fazer uma breve referência à mesma.

 

No seu cerne (existem muitas versões!), a lenda da Llorona é a de uma mulher que de alguma forma magoou injustificadamente os seus filhos, podendo até ter chegado a matá-los num curso de água próximo. Depois, arrependeu-se das suas acções e ficou destinada a assombrar o mundo dos vivos, numa perpétua busca pelos seus rebentos, que jamais parece tornar a encontrar.

 

Este pequeno resumo pode parecer pouco satisfatório, mas remete-nos para uma ideia muito presente em diversas culturas, a de uma mulher que perdeu os seus filhos e que se agora se vinga fazendo os outros perder os seus. Outro exemplo de um tema semelhante é a história de Lilith, que já cá foi abordada antes. Mas no caso da Llorona esta é, talvez mais que tudo, uma lenda que pretende dissuadir um comportamento considerado menos próprio - o de sair à noite, muitas vezes nas místicas noites de lua cheia - sob pena dos jovens transgressores serem reconhecidos pela Llorona como sendo os seus filhos e, depois, também eles mortos.

 

Uma última referência - a cultura popular mexicana também tem uma música lindíssima sobre este tema, de que damos duas versões abaixo:

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Normalmente não abordaríamos estes temas, mas dada a gravidade do que aconteceu em Paris nas últimas horas decidimos recordar um incidente passado em Portugal no já-distante século XIX.

Nessa altura, o Mosteiro dos Jerónimos tinha estado abandonado durante vários anos, após a expulsão das ordens religiosas de Portugal. Decidiu começar-se a utilizá-lo para outros fins, e então tentou-se renovar e melhorar todo o edifício. Mas depois, na manhã de 18 de Dezembro de 1878, aconteceu o seguinte:

Mosteiro dos Jerónimos Danificado

No acidente faleceram oito trabalhadores. Acabou por se votar contra a reconstrução do edifício como este estava planeado, mas a realidade é que o Mosteiro dos Jerónimos, com ligeiras alterações, ainda chegou aos nossos dias e é famoso entre todos nós.

Entrada do Museu Nacional de Arqueologia

Como o nosso Mosteiro dos Jerónimos, é possível que também a bela Catedral de Notre-Dame (de que até já cá falámos de um segredo) volte a ter vida um dia. Já não será como antes, mas... há que ter esperança no futuro!

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Um exemplo de papiro mágico egípcio

Na nossa cultura ocidental, eminentemente cristã, existe um certo tabu em relação ao acesso a um conjunto de conhecimentos supostamente místicos. Mas, ao mesmo tempo, certamente que vários leitores também têm curiosidade sobre o conteúdo de rituais como esses. Nesse sentido, o que hoje trazemos aqui é uma tradução de um ritual provindo de papiros mágicos gregos, que presumimos que ainda não exista em língua portuguesa e acessível ao público em geral. Aqui está descrita a fórmula basilar do ritual, mas onde está escrito "NOME" deveriam, naturalmente, ser adicionados os nomes das pessoas em questão.

 

Feitiço de atracção enquanto a mirra está a ser queimada. Enquanto a mirra está a ser queimada no carvão, recite a seguinte fórmula:

 

Páginas e páginas poderiam ser escritas em relação a este ritual, mas cingimo-nos aos elementos mais básicos - trata-se de um ritual de amor, em que o seu autor procurava causar a paixão amorosa de uma determinada mulher. Para tal, é invocada uma divindade, cuja influência sobrenatural é procurada por quem realiza todo o processo. Perto do final, estão até aqui presentes as chamadas "vozes mágicas", um conjunto de nomes e expressões sem tradução real e que, supostamente, eram segredos muito bem guardados, até porque sem eles a invocação nunca poderia funcionar.

 

Rituais como estes assentam sempre numa fórmula de duas partes, composta por algo que tem de ser feito (aqui, a queima da mirra) e por algo deve ser dito (a fórmula acima), pelo que os elementos aqui constantes ocorrem em muitos outros rituais, independentemente das mais diversas funções que pretendiam ter. Portanto, este é um digno representante dos feitiços criados na Antiguidade, e que esperamos que resolva essa curiosidade de muitos leitores em relação aos processos mágicos de outros tempos.

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Conta-nos a breve trama desta Tábua de Cebes que, um dia, alguns homens foram a um templo de Cronos e aí encontraram um ex-voto com uma imagem semelhante à mostrada acima (se carregarem na imagem poderão vê-la maior). Ficaram tão intrigados como o leitor provavelmente ficará, mas, felizmente, apareceu-lhes um idoso que foi capaz de lhes explicar toda a simbologia - trata-se de uma metáfora para a vida, cujos contornos seriam demasiado longos para explicar nestas breves linhas.

 

É, de facto, um texto interessante, apesar de parcialmente incompleto, e que parece captar perfeitamente aquele grande mistério que é a nossa vida. Fica, por isso, o nosso convite a que o original seja lido, até porque fazê-lo também não toma muito tempo e dá um bom fundamento para uma discussão filosófica.

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Uma Moura Encantada

Esta tese de doutoramento, da autoria de Maria Manuela Neves Casinha Nova e defendida em 2013, tem um duplo interesse para os amantes dos mitos e lendas nacionais. Apesar de se referir somente a produções algarvias, algumas das quais inéditas até então, estuda os seus vectores essenciais num primeiro volume e apresenta os seus relatos mais directamente num segundo.

 

Os dois volumes desta tese podem ser encontrados aqui, e são uma leitura inesperada para todos aqueles que têm interesse nas lendas de Portugal.

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