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Diálogo

Hoje em dia, aqueles que seguem as mensagens do Cristianismo tendem a esquecer-se, talvez até em demasia, que essa religião provém do Judaísmo. É uma espécie de sequela. Mas, devido a essas origens, existiu um tempo em que havia uma necessidade de discutir a ligação entre ambas, e que até já aparece representado nas epístolas hoje presentes no Novo Testamento. Foi nesse contexto que, ao longo dos primeiros séculos da nossa era, foram surgindo diversos diálogos em que as duas religiões eram opostas uma à outra, normalmente de forma a fazer uma apologia da nova religião, tentando obter novos conversos entre os judeus.

 

Se existem vários diálogos desta natureza - na pesquisa para este artigo tivemos acesso a cinco - aqui falamos, em específico, do Diálogo de Timóteo e Áquila pelo facto de se tratar do mais interessante exemplo deste género literário na Antiguidade. Existe uma breve trama em redor de todo o debate e o judeu, Áquila, até tem um papel activo. Claro que no final este acaba por ser converter ao Cristianismo - como não podia deixar de ser - mas, pelo menos, não se limita a aceitar impavidamente os ataques do opositor, apresentando visões e opiniões potencialmente reais.

 

O diálogo, em si, poderá parecer um pouco enfadonho para o leitor comum, mas gira em torno da interpretação e reinterpretação dos textos bíblicos. Vão sendo citados momentos do Antigo Testamento que o cristão usa em favor da sua religião, com o judeu a levantar algumas oposições. Inesperadamente, num dado momento é até explicado que existiam, sim, diferenças entre o AT cristão e o texto judaico, muitas vezes ao nível das previsões de vinda do Messias, mas que isso só acontecia porque Áquila [de Sínope, diferente da personagem judaica do texto] corrompeu algumas traduções gregas - mas essa é uma história que fica para outro dia.

 

No seu geral, este não é, como já foi dito, um diálogo particularmente interessante para o leitor comum, mas é-o certamente para quem tiver interesse na forma como as fés judaica e cristã se entrelaçavam nos primeiros séculos da nossa era.

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Parque Eduardo VII, em Lisboa

Daqui a pouco mais de uma semana terá lugar, em Lisboa, uma visita subordinada ao tema "Estórias de Deuses no Parque Eduardo VII + Visita Estufa Fria". A sinopse da respectiva página dá-nos a seguinte informação: " A história da cidade de Lisboa, na primeira metade do século XX, é marcada por profundas transformações urbanísticas, projetadas pelo arquiteto Francisco Keil de Amaral. O Passeio Público que deu um encanto à cidade no século XIX deu lugar a espaços que tornaram Lisboa uma capital à semelhança de outras capitais mundiais. Uma avenida soberba, um parque com 25 hectares, uma estufa de espécies exóticas e um pavilhão magnífico batizado com o nome do primeiro campeão olímpico português tornaram este espaço único. O que não se sabe é que este espaço apresenta uma simbologia que nos permite viajar ao mundo dos deuses, heróis e seres fantásticos que os gregos e os romanos nos transmitiram. "

 

Para quem estiver interessado, ou pretender inscrever-se, poderá encontrar mais informação sobre todo o evento nesta página.

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Euplanes era um menino de Epidauro que, aparentemente, sofria de pedras nos rins. Com vista à solução do seu problema dormiu num templo de Apolo. Nessa noite o deus apareceu-lhe em sonhos e perguntou-lhe "Euplanes, o que me dás se eu te ajudar?", ao que o rapaz respondeu "dez dados!" Inesperadamente, o deus riu-se e disse-lhe que o seu problema seria resolvido. Na manhã seguinte o menino saiu do templo e foi curado.

 

Esta história é mencionada numa gravação presente num templo do deus Apolo. O seu elemento mais curioso é o facto do deus se rir quando confrontado com a oferta do menino. Os "dez dados" aqui oferecidos são o equivalente a uma criança dos nossos dias abordar um médico e lhe dizer que em troca de uma cura lhe dava dez brinquedos; é uma oferta, sim, mas presume-se que nem o deus nem um médico tenham qualquer uso real para ela. E, ainda assim, a compaixão divina falou mais alto e curou a criança - será que um médico dos nossos dias também faria o mesmo?

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Quem for a Roma poderá encontrar na Capela de São Zeno da Basílica de Santa Prassede o seguinte mosaico:

Mais do que nos focarmos nas três figuras com coroas solares - duas santas acompanhadas pela Virgem Maria - preste-se é atenção à figura no lado esquerdo. Ténues letras permitem identificá-la como uma Epíscopa Teodo[ra], ou seja, a mãe do Papa Pascoal I. Mas o que representa o rectângulo em redor da sua cabeça? A prática parece ter caído em desuso ao longo dos séculos, mas aqui refere-se ao facto de ela ainda estar viva quando o mosaico foi colocado no local; também o seu filho, como pode ser visto abaixo, tem nesse recinto uma representação com contornos semelhantes.

Interessante, hem?

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Muito pouco sabemos sobre a figura de Teômbroto, que apenas no chegou nas linhas da Cidade de Deus de Santo Agostinho. Porém, essa ténue referência acaba por ser tão invulgar que achámos que a deveríamos recordar por cá.

 

É-nos então relatado que este Teômbroto leu um livro de Platão "sobre a imortalidade da alma"; gostando do que viu por lá, nessa ânsia de passar logo para uma vida que lhe parecia melhor que a sua, atirou-se deliberadamente do topo de uma parede e morreu.

 

Se existem referências à alma em diversos escritos platónicos, aquele mais focado no tema será certamente o Fédon. Terá sido esse o tratado lido pelo interveniente desta pequena história? Não podemos ter uma certeza absoluta, mas é inegável que, qualquer que tenha sido, o marcou tão profundamente que o fez desejar mais a morte do que a vida que tinha... e isto, de uma certa forma, mostra-nos a visão que a Antiguidade tinha face a Platão, aquela de um mestre quase incontestado que até parecia saber o que nos esperava a todos após o fim da nossa existência terrena.

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Muito sucintamente, Jiraiya é uma figura famosa do folclore japonês. De facto, é tão famosa que o nome do herói é frequentemente reaproveitado em séries nipónicas, de que Naruto poderá até ser um dos exemplos mais presentes nos nossos dias. Para conhecerem um pouco mais sobre este herói poderão ver o filme apresentado abaixo, datado de 1921.

 

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Amadis de Gaula foi provavelmente o mais famoso de todos os romances de cavalaria produzidos na Península Ibérica. Resumi-lo num punhado de frases soar-nos-ia redutor, mas podemos referir que se trata da história da belíssima Oriana e das muitas aventuras pelas quais Amadis passou em sua honra. E é, de facto, sobre uma dessas aventuras em que hoje nos focamos. Num dado momento Amadis foi capturado por Briolanja, que o amava e que dele desejava ter um filho. Mas será que o herói cedeu às tentações da carne, gerando um rebento com ela?

 

A sua amada Oriana pensou que sim, mas o texto do romance não deixa essa informação totalmente clara. Pelo menos uma das edições a que tivemos acesso parece dar a entender que, originalmente, nada de errado se tinha passado entre as duas personagens, mas também acrescenta que o episódio em questão foi alterado por ordem do "Infante Dom Afonso de Portugal" (i.e. o filho de Dom Dinis), de forma a dar uma prole compassiva à solitária Briolanja.

Isto é possível de se fazer porque, quase certamente (que nestas coisas nunca podemos ter uma certeza absoluta), Amadis, Oriana e Briolanja se tratavam de personagens ficcionais. Nunca tiveram uma existência fora do campo da ficção, e como tal podem ter as suas existências alteradas como melhor se encaixar na trama. Se um dado lhes quisesse, por exemplo, dar 20 filhos e encenar uma batalha de todos eles contra o próprio pai, nada o impediria de o fazer.

 

Voltemos então à Antiguidade, a uma figura como Ulisses. Será que teve filhos de Circe e de Calipso? Por muito que os Poemas Homéricos nos possam levar a uma resposta em particular, absolutamente nada impediria autores posteriores de alterar a história, para que esta se inserisse melhor nos seus objectivos individuais. Desde que respeitassem algumas regras - por exemplo, a virgindade perpétua de Ártemis ou de Atena não deveria ser violada, e seria estranha a existência de um Zeus totalmente fiel à esposa - podiam fazer tudo o que desejassem com as personagens que tinham em mãos. Assim se compreendem as divergências de informação que se encontram em determinadas fontes; uma figura como Príamo podia ter tantos filhos e filhas como necessário para a história. E, nesse sentido, não existe uma resposta certa ou errada ao número e identidade de uma descendência - Amadis, como Ulisses, Édipo, ou qualquer outra figura ficcional, podem ter (e até deixar de ter) filhos e filhas, em número tão grande e diverso como a trama requeira. E, mesmo assim, Oriana e Penélope, como tantas outras heroínas, só seriam traídas se os autores assim o desejassem. Bastaria torná-lo real com palavras ditas ou escritas.

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