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Cécrope

28.06.05
O primeiro rei da Ática chamava-se Cécrope. Não tinha nenhum antepassado humano e ele próprio era apenas meio humano.

Cécrope, senhor e herói,
Nascera de um dragão
E tinha cauda de dragão.


Era geralmente o ser considerado responsável pelo facto de Atena se ter tornado a protectora de Atenas. Posídon também pretendia a cidade para si e, para provar que podia ser um grande benfeito, espetou o tridente num rochedo da Acrópole, e a abertura, donde fez brotar água salgada, tornou-se depois, numa fenda, vindo a constituir um poço profundo. Mas Atena conseguiu melhor ainda... Fez nascer uma oliveira, a mais estimada de todas as árvores da Grécia.

A oliveira de brilho cinzento
Atena deu a conhecer ao homem,
A glória da fulgurante Atenas,
A coroa concedidade pelos deuses.


Em troca desta boa dávida, Cécrope, que fora indigitado para decidir da questão da escolha do deus protector da cidade, optou por Atena. Posídon ficou muitíssimo irado e puniu os Atenienses com uma desastrosa inundação.
Numa das versões desse desafio entre as duas divindades, o sufrágio da mulher desempenhava já um papel relevante. Diz-se que, nesses tempos primitivos, as mulheres votavam em pé de igualdade com os homens - elas votaram pela deusa, enquanto eles deram o seu voto ao deus; como havia ao todo mais uma mulher, foi Atena que ganhou. Os homens, porém, juntamente com Posídon, ficaram muito aborrecidos com o triunfo feminino e, enquanto o Deus do Mar se ocupava das inundações do país, os homens decidiram destituir as mulheres do direito de voto. Não obstante, a deusa ficou com Atenas.
A maior parte dos escritores é de opinião que estes acontecimentos se verificaram em época anterior ao Dilúvio, e que Cécrope, que pertencia à famosa família ateniense, não era o tal ser híbrido, meio dragão, meio homem, mas um homem vulgar, que ficara a dever a celebridade exclusivamente aos seus familiares - filho de um rei distinto, sobrinho de duas heroínas mitológicas muito conhecidas, irmão de outras três e, muito particularmente, bisavô de Teseu, o herói de Atenas.
Dizia-se habitualmente que foi durante o reinado de seu pai, o rei Erecteu, de Atenas, que Deméter foi para Elênsis e implantou a agricultura. Tinha duas irmãs, Progne e Filomela, notáveis pelos seus infortúnios. As vidas de ambas foram extremamente trágicas.
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Talvez uma das lendas de amor mais inverosímeis e estranhas da época clássica seja a de Pigmaleão e a sua estátua favorita. Segundo a tradição popular, Pigmaleão era um soberano cretense, amante da escultura: dedicava todo o seu tempo livre a lavrar a pedra, até que um dia encontrou que tinha esculpido uma figura feminina tão bela que já nunca pôde separar-se dela. Até rogou, e invocou, os deuses do Olimpo para que lhe permitissem casar com aquela estátua de pedra que, de resto, era uma fiel reprodução da deusa Vênus e, por isso mesmo, tinha que ser a deusa quem decidisse o que havia que fazer a esse respeito. Passava o tempo e Pigmaleão sentia-se cada vez mais atraído por aquela efígie que considerava a sua obra mestra. Estava já como transtornado e pedia insistentemente à própria Afrodita /Vênus que lhe procurasse, para a fazer sua esposa, uma mulher idêntica à que ele tinha feito de mármore. Um dia que Pigmaleão se encontrava ensimesmado olhando aquela obra observou que se movia e que descia do seu pedestal de mármore e se aproximava ao seu criador com a mesma forma de um ser vivo. Sem sair do seu assombro, Pigmaleão viu-se em braços daquela mulher que era uma réplica fiel da estátua que ele tinha esculpido. O que é que tinha sucedido? Pois que a deusa Afrodita /Vênus tinha decidido dar satisfação a Pigmaleão e, para isso, nada melhor que converter a sua estátua numa mulher real, à qual se imporá o nome de Galateia. Depois dos acontecimentos mencionados, Pigmaleão e Galateia casaram, viveram felizes e tiveram uma filha chamada Pafo; esta era tão bela que até o próprio Apolo a pretendeu.

(Retirado de este site )
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Píramo e Tisbe

25.06.05
Aproveito e fica já por cá uma versão desse mito...

Píramo era o mais belo jovem e Tisbe, a mais formosa donzela em toda a Babilônia, onde Semíramis reinava. Seus pais moravam em casas contíguas; a vizinhança aproximou os dois jovens e o conhecimento transformou-se em amor. Seriam venturosos se se casassem, mas seus pais proibiram. Uma coisa, contudo, não podiam proibir: que o amor crescesse com o mesmo ardor no coração dos dois jovens. Conversavam por sinais ou por meio de olhares, e o fogo se tornava mais intenso, por ser oculto. Na parede que separava as duas casas, havia uma fenda provocada por algum defeito de construção. Ninguém a havia notado antes, mas os amantes a descobriram. Que há que o amor não descubra? A fenda permitia a passagem da voz; e ternas mensagens passaram nas duas direções, através da fenda. Quando Píramo e Tisbe se punham de pé, cada um de seu lado, suas respirações se confundiam. - Parede cruel! - exclamavam. - Por que manténs separados dois amantes? Mas não seremos ingratos. Devemos-te, confessamos, o privilégio de dirigir palavras de amor a ouvidos complacentes. Diziam tais palavras, cada um de seu lado da parede; e, quando a noite chegava e tinham de dizer adeus, apertavam o lábio contra a parede, ela do seu lado, ele do outro, já que não podiam aproximar-se mais. De manhã, quando a aurora expulsara as estrelas e o sol derretera o granizo nas ervas, os dois encontraram-se no lugar de costume. E então, depois de lamentarem seu cruel destino, combinaram que, na noite seguinte, quando tudo estivesse quieto, eles se furtariam aos olhares vigilantes, deixariam suas moradas, dirigir-se-iam ao campo e, para um encontro, iriam ter a um conhecido monumento que ficava fora dos limites da cidade, chamado o Túmulo de Nino, e combinaram que aquele que chegasse primeiro esperaria o outro, junto de uma certa árvore.Era uma amoreira branca, próxima de uma fonte. Tudo ficou combinado e os dois aguardaram, impacientes, que o sol se escondesse sob a s águas e que a noite delas se levantasse. Então, Tisbe ergueu-se, cautelosamente, sem ser observada pela família, cobriu a cabeça com um véu, caminhou até o monumento e sentou-se embaixo da árvore. Enquanto estava ali sentada, sozinha, à luz difusa da noite, avistou uma leoa, que, com a boca ensangüentada por uma presa recente, aproximava-se da fonte, para matar a sede. Ao vê-la, Tisbe fugiu e refugiou-se numa gruta, deixando cair o véu quando fugia. A leoa, depois de saciar a sede na fonte, virou-se para voltar aos bosques, e, ao ver o véu no chão, investiu contra ele e despedaçou-o, com sua boca ensangüentada. Píramo, que se atrasara, aproximou-se, então, do local do encontro. Viu, na areia, as pegadas da leoa e o sangue fugiu-lhe das faces. Logo em seguida, encontrou o véu, dilacerado e cheio de sangue. - Desventurada donzela! - exclamou. - Fui a causa de tua morte! Tu, mais digna de viver que eu, caíste como primeira vítima. Seguir-te-ei. Fui o culpado, atraindo-te a um lugar tão perigoso, e não estando ali eu próprio a guardar-te. Vinde, leões, dos rochedos e despedaçai com vossos dentes este corpo maldito! Apanhou o véu, levou-o até a árvore onde fora combinado o encontro, e cobriu-o de beijos e lágrimas. - Meu sangue também manchará teu tecido - exclamou. E arrancando a espada mergulhou-a no coração. O sangue esguichou da ferida, tingiu de vermelho as amoras brancas da árvore, e, penetrando na terra, atingiu as raízes, de modo que a cor vermelha subiu, através do tronco, até o fruto. Enquanto isso, Tisbe, ainda trêmula de medo, e não desejando, contudo, desapontar o amante, saiu cautelosamente, procurando o jovem com aflição, ansiosa por contar-lhe o perigo que atravessara. Ao chegar ao local e vendo a nova cor das amoras, duvidou que estivesse no mesmo lugar. Enquanto hesitava, avistou um vulto que se debatia nas vascas da agonia. Recuou, e um tremor percorreu-lhe o corpo todo, como a água tranqüila se encrespa ao ser atingida por uma lufada repentina de vento. Logo, porém, reconheceu o amante, gritou e bateu no peito, abraçando-se ao corpo sem vida, derramando lágrimas sobre as feridas e beijando os lábios frios. - Píramo, quem te fez isto? - exclamou. - Responde, Píramo! É tua Tisbe quem fala. Sou eu, a tua Tisbe, quem fala. Ouve-me, meu amor, e ergue esta cabeça pendente! Ao ouvir o nome de Tisbe, Píramo abriu os olhos e fechou-os de novo. A donzela avsitou o véu ensangüentado e a bainha vazia da espada. - Tua própria mão te matou e por minha causa - disse. - Também posso ser corajosa uma vez, e meu amor é tão forte quando o teu. Seguir-te-ei na morte, pois dela fui a causa; e a morte, que era a única que nos podia separar, não me impedirá de juntar-me a ti. E vós, infelizes pais de nós ambos, não negueis nossas súplicas conjuntas. Como o amor e a morte nos juntaram, deixai que um único túmulo nos guarde. E tu, árvore, conserva as marcas de nossa morte. Que tuas frutas sirvam como memória de nosso sangue. Assim dizendo, mergulhou a espada no peito. Os pais ratificaram seu desejo, e também os deuses. Os dois corpos foram enterrados na mesma sepultura, e a árvore passou a dar frutos vermelhos, como faz até hoje.

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